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domingo, 8 de novembro de 2009

MURO DE BERLIM, 20 ANOS: pedaços em 40 países

Às vésperas do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, cerca de 40 países de todos os continentes guarda um pedaço da fronteira que dividiu Berlim e o mundo da Guerra Fria durante 28 anos. A barreira de concreto foi erguida pelas tropas da antiga República Democrática Alemã em agosto de 1961, para cercar Berlim Ocidental e frear o êxodo dos cidadãos da parte oriental à região mais próspera.

Com 120 km de extensão, 43 deles contíguos com o Leste, o muro contava com reforçadas medidas de segurança, alarmes de detecção de contato com o solo, cercas elétricas e mais de 300 torres de vigilância. Após a derrubada oficial, os turistas iniciaram um trabalho de pássaro carpinteiro. Eles queriam levar para casa um souvenir do monumento e acabaram deixando muito pouco do paredão na capital alemã, que ainda serve para lembrar as vítimas de sua travessia --cerca de 200.

Junto ao Portão de Brandemburgo, na antiga passagem fronteiriça do Posto de controle Charlie, no complexo que se conhece como Parlamento das Árvores, ao lado do monumento comemorativo de Günter-Litfin, na rua Bernauer Strasse, fica o atual pedaço mais longo do Muro --na famosa East Side Gallery. O livro "Die Berliner Mauer in der Welt" ("O Muro de Berlim no Mundo", em tradução livre) escrito por Ronny Heidenreich e Anna Kaminsky e editado recentemente pela Fundação Federal Bundesstiftung Aufarbeitung aponta que existem restos do Muro em cerca de 40 nações.

Da Guatemala aos Estados Unidos, passando pelo Japão, os lugares menos improváveis do planeta preservam parte da memória alemã e compraram um fragmento do símbolo, apesar do alto custo do transporte das peças, na maior parte pesando toneladas. Organismos internacionais como o Parlamento Europeu em Bruxelas e o edifício principal das Nações Unidas, em Nova York, são alguns deles.

Outras peças do quebra-cabeças do terror foram parar em lugares simbólicos, como o International Trade Center de Washington, o Museu Nacional das Forças Armadas de Londres, e a livraria presidencial Ronald Reagan, situada no alto de uma colina na cidade de Simi Valley, na Califórnia. Até mesmo em lugares mais comuns e transitados, como a estação de trem de Mônaco e o campus da Universidade John Hopkins, em Washington D.C. exibem um pedaço.

Em muitos casos, os fragmentos foram doados pelas autoridades germânicas, como o dado ao papa João Paulo 2º em 1990, enquanto outros foram comprados por quantias astronômicas. De qualquer forma, entre os novos proprietários estão colecionadores de arte, antigos presidentes dos EUA e economistas. Nas mesmas proporções internacionais como se espalhou pelo mundo os restos do Muro, serão as festividades pelo 20º aniversário da queda. Muitas cidades quiseram realizar festividades próprias, somando-se às que serão realizadas em Berlim nesta segunda-feira.

Em Los Angeles, por exemplo, será apresentado "The Wall Project", para o qual foram transferidas oito peças de Muro em outubro passado. Os destroços serviram de inspiração para artistas como o francês Thierry Noir e o americano Kent Twitchell, e serão exibidos no próximo domingo no Boulevard Wilshire, partindo a avenida em duas, seguindo o exemplo da divisão da Alemanha.

Fonte: Patrícia Baelo/EFE

sábado, 7 de novembro de 2009

ABSURDO: China bloqueia site alemão sobre Muro de Berlim com fórum anticensura

A implacável censura chinesa voltou a negar a história bloqueando uma página alemã na internet que lembra os horrores do período do Muro de Berlim. Internautas chineses estavam utilizando a página para colocar um fórum de denúncia da censura em Pequim. "Sr. Hu Jintao [o presidente da China], por favor, desative os dispositivos de segurança [firewall]", assinalava um dos internautas chineses em um paralelismo do famoso discurso de 1987 do então presidente, Ronald Reagan, quando pediu ao presidente da União Soviética, Mikhail Gorbatchov que "derrube este muro [wall, em inglês]".

Segundo a empresa que gerencia a web no país, quase a metade dos 3.300 comentários de até 140 caracteres em comemoração aos 20 anos da queda do Muro de Berlim, celebrados na próxima segunda-feira (9), eram procedentes da China. Foram os próprios organizadores alemães que informaram do bloqueio do site www.berlintwitterwall.com, que convidava os usuários da rede de microblog Twitter a comentar sobre a queda do Muro que dividia em duas a Alemanha.

O site pedia mais informações sobre os muros que ainda precisam ser derrubados para tornar o mundo um lugar melhor. Os internautas chineses começaram a denunciar seu "Firewall", um dispositivo de proteção que é utilizado para censura na internet chinesa. Apesar do Twitter (como Facebook, YouTube e incontáveis páginas de direitos humanos) estar bloqueado desde julho passado no país asiático, os internautas chineses conseguiram romper o bloqueio e inundaram a web alemã com suas denúncias contra a censura.

Também conhecido como a "NET Nanny", o sistema censor chinês é um dos mais sofisticados do planeta, segundo relatórios de ONGs de direitos humanos como Human Rights Watch e Repórteres Sem Fronteiras. As pesquisas assinalam que as principais multinacionais de internet, como Google, Cisco, Yahoo! e Microsoft, apresentaram a tecnologia para a censura chinesa, e em alguns casos facilitaram dados de dissidentes chineses para sua detenção.

Neste contexto não foi um grande problema para Pequim bloquear imediatamente o acesso à web alemã em seu território. Quando a República Popular completava 60 anos, o regime comunista se mostrou prolixo em sua atividade censora, sobretudo a partir dos distúrbios étnicos entre uigures e chineses de Urumqi em julho passado, nos quais morreram 197 pessoas, segundo números oficiais.

Desde então Facebook e Twitter se uniram à lista de sites censurados, junto com blogs, BBC, Wordpress, Blospot, Vimeo, TypePad e todas as relacionadas com assuntos delicados para o regime: direitos humanos, Tibete, o massacre de Praça da Paz Celestial, a independência de Taiwan, e o grupo budista Falun Gong, entre outros.

Mascarada

Esta censura permite ao Partido Comunista da China maquiar sua própria história, já que em julho chegou a dizer que os protestos uigures eram "os piores desde a fundação da República Popular (1949)", já que o massacre de estudantes de Praça da Paz Celestial de 1989, na qual morreram mais de 400 inocentes, não existe virtualmente.

Foi em 1989, quando os analistas esperavam que o regime chinês fosse aberto, como estava ocorrendo em outros pontos do planeta com Governos comunistas e socialistas e que culminou com a queda do Muro e a desintegração da União Soviética em 1991. Não ocorreu dessa forma, como no mês de junho o Exército chinês carregou contra os estudantes que pediam democracia e o país se contraiu de novo social e politicamente até a abertura econômica afiançada em 1996.

Os chineses menores de 20 anos desconhecem o que ocorreu na Praça da Paz Celestial, e desconhecem os detalhes da queda do Muro de Berlim, exceto aqueles que sabem como utilizar proxys. Segundo Pequim, a censura está destinada a frear, sobretudo, a pornografia e outras depravações, embora ainda hoje, após dezenas de campanhas, a rede chinesa esteja infestada de sexo, e frequentemente com a aprovação do Birô de Segurança Pública.

Paradoxalmente, a China conta atualmente com a maior comunidade de usuários de internet --340 milhões-- e o número segue subindo, por isso que a rede se transformou pela primeira vez na história do país asiático em um perigoso fórum no qual se critica e desvela a corrupção e abusos dos quadros comunistas.

Fonte: Marga Zambraba / EFE