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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Recorde histórico: exame da OAB reprova 9 em cada 10 bacharéis

O resultado final do último exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado em dezembro de 2010, é o pior da história da entidade: apenas 9,74% dos bacharéis em Direito foram aprovados em um total de 116 mil inscritos, segundo dados do Conselho Federal da OAB obtidos pelo JT. Nesse universo também estão incluídos os treineiros, estudantes do último ano da graduação (9º e 10º períodos), que tiveram um desempenho muito superior ao dos diplomados.

Até então, o pior índice do País era de 14% de aprovados, entre os 95,7 mil inscritos no primeiro exame realizado pela OAB no ano passado, de acordo com o jurista e cientista criminal Luiz Flávio Gomes, fundador da rede de ensino LFG. O exame foi unificado em 2010, o que ajuda a explicar, de acordo com Gomes, o aumento no índice de reprovação: a porcentagem de aprovados, na média entre os três concursos anuais, passou de 28,8%, em 2008, para 13,25% em 2010. Antes disso, cada Estado do País aplicava sua própria seleção, o que possibilitava, segundo a OAB, que um candidato se submetesse a provas mais fáceis em algumas regiões do País.
 
Especialistas acreditam que o mau desempenho dos estudantes também está associado à má qualidade da educação básica, à má formação no ensino superior, à falta de dedicação dos estudantes e à abertura indiscriminada de faculdades de Direito. “Não há um culpado só, todos colaboram. Há deficiências nas faculdades, em geral, mas o aluno não se preocupa muito com o curso”, analisa Gomes. “E o exame está mais difícil”, complementa.
 
Para Marcelo Tadeu Cometti, coordenador de pós-graduação no Complexo Damásio de Jesus, o problema da reprovação começa na educação básica. “Os estudantes não têm formação suficiente para entender o que está sendo oferecido no ensino superior e a culpa é do Estado”, diz. “Se você pegar o corpo docente das melhores universidades de São Paulo, por exemplo, e colocá-lo para lecionar nessas faculdades de baixo índice de aprovação, os resultados não serão melhores”, aponta. Para ele, o aluno que “não tem boa formação no ensino fundamental e médio, não tem bons hábitos de leitura e não conseguirá passar no exame”.
 
Diretor-presidente da Escola Paulista de Direito, Ricardo Castilho lembra que, no Brasil, são constantes as mudanças na legislação e nos códigos. “É muito difícil manter-se atualizado”, aponta. “Com a carga horária disponível hoje, de 3.780 horas, é impossível o aluno aprender tudo o que precisa para passar na Ordem”. A existência do exame, porém, é defendida pelos profissionais. “O advogado lida com a liberdade e os bens patrimoniais dos cidadãos. Espera-se que saiba ao menos redigir uma petição ou dar início a um processo”, afirma o coordenador-geral do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coelho. 

“É isso que a prova avalia”, aponta. Vice-presidente da Comissão Nacional do Exame de Ordem, Edson Cosac Bortolai diz que a prova “impede que um advogado despreparado ofereça seus serviços à sociedade. “Seria um prejuízo social muito grande.”

Fonte: Isis Brum/JT

Foto: Divulgação

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Número de bolsas de doutorado integral no exterior cai 80%

Fazer doutorado em uma grande universidade estrangeira com bolsa de uma instituição brasileira é um sonho cada vez distante para os estudantes do país. Segundo dados apresentados na conferência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Natal, entre 1992 e 2007 o número de bolsas do CNPq no exterior caiu de quase 2.800 para cerca de 500 --um tombo de mais de 80%.

Já o doutorado-sanduíche, em que o aluno fica parte do curso fora do Brasil, teve um ligeiro crescimento no período. Hoje há cerca de 5.000 alunos na modalidade. Desde 2007, as bolsas integrais recebem menos dinheiro do CNPq do que as chamadas bolsas-sanduíche. "Foi um decréscimo exagerado. Os programas de bolsas no exterior ficaram suprimidos, é preciso corrigir isso", diz Carlos Aragão, presidente do CNPq.

"Conforme vão aparecendo novos programas de pós-graduação no Brasil, os estudantes que antes sairiam ficam por aqui. Mas o país tornou isso uma regra", afirma.

CONTATOS

Ele lembra que é bom ter brasileiros fora do país para criar, além da rede de contatos, um fluxo de ideias entre o Brasil e o exterior."É importante ter estudantes que vão para o exterior. Quando voltam, trazem oxigênio para o sistema". O próprio Aragão fez doutorado nos Estados Unidos, no final dos anos 1970. "Criei uma relação com a Universidade Princeton, onde estudei, que é para sempre. Bolsas no exterior são fundamentais para estabelecer parcerias duradouras."

A internacionalização da ciência brasileira foi tema de debate em Natal e, segundo Aragão, é prioridade para o CNPq, que planeja trazer estrangeiros para os comitês que avaliam os projetos submetidos ao órgão

Fonte: Ricardo Amaral / Folha Online

quarta-feira, 3 de março de 2010

Cotas raciais na universidade viram debate no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski rejeitou ontem um pedido do DEM para que fossem revistos os critérios de convocação das entidades que discutirão em audiência pública na Corte a adoção de políticas de cotas raciais para ingresso em universidades públicas. A audiência, que começa hoje e prossegue até sexta, foi convocada por Lewandowski, relator de dois processos que contestam a política de cotas, um deles apresentado pelo DEM.

O ministro discordou dos argumentos do partido de que não haveria isonomia na distribuição do tempo entre os favoráveis às cotas raciais e os contrários. Para o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), que justificou o pedido de seu partido, Lewandowski convocou para a audiência um número maior de pessoas favoráveis às cotas do que as que se opõem.

Porém, o ministro argumentou que representantes do governo e das universidades que falarão na audiência sejam incluídos no rol pessoas favoráveis às cotas raciais. Eles vão relatar experiências positivas e negativas da política de cotas, segundo Lewandowski. "Não há atentado à isonomia", concluiu o ministro.

Esse não é o único ponto de tensão em torno da audiência. Caiado também tem acusado o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, de utilizar recursos públicos para mobilizar pessoas e grupos favoráveis à política de cotas. "O ministro está usando a máquina do Estado para convocar ONGs e pressionar o Judiciário", disse o deputado. "Ele não pode transformar a sua opinião em defesa das cotas em política de Estado."

O ministro disse ontem que a preocupação do DEM é descabida. "Quem vem a Brasília para a audiência vem de acordo com suas possibilidades", afirmou. "Apenas enviamos um aviso aos gestores de promoção da igualdade racial sobre o evento no Supremo. Existem cerca de 600 órgãos de promoção da igualdade racial nos Estados e municípios. Não temos qualquer intenção de constranger o Supremo, que tem autonomia e independência para discutir os temas que lá chegam."

Data

O Supremo ainda não definiu a data para julgar as duas ações. Em uma delas o DEM questiona os critérios raciais utilizados desde 2004 pela Universidade de Brasília (UnB) para a admissão de estudantes pelo sistema de cotas. A outra foi apresentada por um estudante que se sentiu prejudicado pelo mesmo sistema adotado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Fonte: Estadão

ISTO É BRASIL: mesmo sem nota no Enem, estudantes ganham a vaga na Justiça

Dois estudantes que não tiveram a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ganharam na Justiça o direito de ter acesso ao resultado - um deles também conseguiu a matrícula na universidade onde disputaria uma vaga no curso de Direito. Apenas com a nota do Enem é possível concorrer a vagas nas instituições federais que adotaram o exame no processo seletivo.

Os estudantes Thiago Queiroz Amaral, de 19 anos, de Várzea Grande, em Mato Grosso, e Tiago Aguiar de Sousa Falcão, de 20 anos, do Recife, fizeram o exame e, quando saiu o resultado, não encontraram a nota da prova de ciências da natureza e ciências humanas. No lugar do resultado aparecia um traço.

Eles mandaram e-mails e ligaram para o Inep várias vezes, sem sucesso. Acabaram se conhecendo no site de relacionamento Orkut, onde muitos alunos relatam problema semelhante. Segundo o Inep, quem ficou sem nota deve ter esquecido de preencher o cartão-resposta - cada prova tinha uma cor que deveria ser anotada no documento entregue aos fiscais. O órgão também afirmou, em e-mail para um aluno, que alguns podem ter ficado sem nota por ter utilizado "meios ilícitos durante a realização das provas, como portar celular".

Falcão, que desde criança sonha em cursar Direito na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), conseguiu uma vaga em 12 de fevereiro. O juiz Flávio Roberto Ferreira de Lima, da 10ª Vara Federal no Recife, obrigou o Ministério da Educação (MEC) a publicar a nota do candidato e a UFPE, a matriculá-lo. A universidade usou a nota do Enem como primeira fase do vestibular e, por isso, Falcão havia sido eliminado da seleção. "As aulas começam na semana que vem. Ainda não acredito", festeja.

Fonte: Estadão

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Risco de assaltos faz USP redobrar a segurança

Em meio à retomada do crescimento de roubos no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste, o coordenador do câmpus, professor Antonio Carlos Massola, afirmou que pretende adotar uma série de medidas de segurança. Entre as ações está contratar mais 20 guardas e instalar quiosques da Guarda Universitária nos pontos mais vulneráveis do local, onde cerca de 80 mil pessoas circulam diariamente. Entre 2007 e 2008, o número de roubos caiu de 71 para 39; no ano passado, subiu para 56. Os furtos, porém, caíram de 335 para 316 entre 2008 e 2009.

O patrulhamento no câmpus está a cargo da Guarda Universitária, formada por 130 homens não armados cujas tarefas incluem prestar informações e cuidar das três portarias, cinco portões, do trânsito e da área de 4,7 milhões de metros quadrados da USP. "É difícil ter um mecanismo capaz de coibir quando sua guarda tem um número limitado", disse Massola.

Apesar da maior quantidade de roubos, um possível pedido de ajuda à Polícia Militar (PM) é incerto. Em 2007, depois da greve de professores, a corporação removeu a base da Prefeitura da Cidade Universitária. No episódio, manifestantes cercaram a unidade. "Há um problema muito sério quando se põe a PM aqui dentro, que é a reação estudantil e, às vezes, até de docentes", afirmou Massola.

Segundo o coordenador, o assunto deverá ser discutido com o novo reitor, João Grandino Rodas, que tomou posse ontem. Em nota, a PM informou que existe uma viatura exclusiva para atender ocorrências no câmpus e que mantém "um policial" no Hospital Universitário.

Fonte: Elvis Pereira/Estadão

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Qualidade do ensino atrai cada vez mais brasileiros para a China

A China está do outro lado do mundo, fala uma língua hermética e há poucos anos estava longe de ser reconhecida pela excelência acadêmica. Mas a emergência econômica tem levado um número crescente de brasileiros a se inscrever em cursos de MBA e mestrados em inglês de instituições de Pequim e Xangai. Além da formação, os estudantes buscam conhecer o ambiente de negócios do país que vai superar o Japão e se tornar a segunda maior economia do mundo em 2010 e que desbancou os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil em 2009.

A relevância econômica da China e a rapidez das transformações experimentadas pelo país foram os principais fatores que levaram o executivo Paulo Menegusso, de 36 anos, a deixar um emprego na Embraer em 2004 e aterrissar com a mulher e dois filhos em Xangai, onde havia sido aceito no MBA da China Europe International Business School (CEIBS). Na oitava posição no ranking dos melhores MBAs elaborado pelo jornal Financial Times, o curso do CEIBS é também mais barato que opções equivalentes. "Isso permitiu que eu cursasse a escola sem me endividar", diz Menegusso, o primeiro brasileiro a se inscrever na CEIBS.

Rodrigo Rodrigues, de 33, foi o segundo e iniciou o MBA em agosto de 2008. Os 19 meses de aulas custaram US$ 39 mil, menos da metade dos US$ 80 mil a US$ 120 mil que pagaria se optasse por uma das instituições americanas que estão no ranking. "As relações comerciais entre Brasil e China vão crescer cada vez mais e é importante ter um pé aqui", observou. Razões semelhantes convenceram Gutemberg Lopes, José Mário Antunes e Felipe Santos a escolher o Mestrado em Desenvolvimento Internacional da Universidade Tsinghua, a melhor do país.

A Tsinghua aparece em 49º lugar no ranking das melhores universidades do mundo elaborado pela instituição britânica Times Higher Education, à frente de pesos-pesados como a New York University, o Tokyo Institute of Technology e a London School of Economics. A instituição também é um dos destinos preferidos da elite tecnocrata do Partido Comunista Chinês. Foi lá que o presidente Hu Jintao se formou em engenharia, nos anos 60.

Fonte: Estadão