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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Civilização complexa marcou origem da Amazônia

A lenda atraiu legiões de exploradores e aventureiros à morte: haveria um antigo império de cidadelas e tesouros ocultos nas profundezas da selva amazônica. Conquistadores espanhóis se aventuraram na floresta buscando fortuna e foram seguidos ao longo dos séculos por outros, convencidos de que descobririam uma civilização perdida tão importante quanto a Asteca e a Inca. Alguns a chamaram de El Dorado, outros, de a Cidade de Z.

Mas a selva os engoliu e nada foi encontrado, o que levou o resto do mundo a chamá-la de mito. A Amazônia era inóspita demais, diziam estudiosos do século 20, para permitir grandes assentamentos humanos. Mas os sonhadores estavam certos. Novas imagens de satélite e sobrevoos revelaram mais de 200 enormes construções geométricas escavadas na Bacia Amazônica Superior, perto da fronteira do Brasil com a Bolívia.

Espalhados por 248 quilômetros, os círculos, quadrados e outras formas geométricas formam uma rede de avenidas, valetas e recintos construídos muito antes de Cristóvão Colombo. Alguns chegam a datar de 200 a. C., outros, de 1283. Os cientistas que as mapearam acreditam que pode haver outras 2.000 embaixo das árvores.

As estruturas, muitas reveladas pelo desmatamento, mostram uma "sofisticada sociedade pré-colombiana construtora de monumentos", diz a revista especializada Antiquity, que publicou a pesquisa. O artigo acrescenta: "Esse povo até agora desconhecido construiu fortificações com um plano geométrico preciso, conectadas por estradas ortogonais retas." Chamadas de geoglifos, as figuras estendem-se por uma região de mais de 250 quilômetros e compõem uma rede de trincheiras com 11 metros de largura e barrancos de 1 metro. Acredita-se que eram usadas como fortificações, moradias e para cerimônias. Poderiam abrigar 60 mil pessoas.

As descobertas demoliram ideias de que os solos da Amazônia eram muito pobres para sustentar uma agricultura extensiva, diz Denise Schaan, coautora do estudo e antropóloga da Universidade Federal do Pará. Ela disse à National Geographic: "Há muito mais para se descobrir nesses locais. Toda semana achamos novas estruturas." Muitos montes eram simétricos e inclinados para o norte, levando a teorias de que tinham um significado astronômico.

Houve surpresa com o fato de as construções nas planícies aluviais e nas áreas elevadas terem um estilo parecido. "Na arqueologia amazônica sempre se teve a ideia de que se encontram povos diferentes em diferentes ecossistemas", diz Denise.

As primeiras formas geométricas foram achadas em 1999. Para alguns antropólogos, o feito rivaliza com as pirâmides do Egito. Outras descobertas foram feitas na região do Xingu, de aldeias interligadas conhecidas como "cidades jardins", com casas e fossos. "As revelações estão explodindo nossas percepções sobre como as Américas realmente eram antes da chegada de Colombo", diz David Grann, autor de The Lost City of Z. E também vingam Percy Fawcett, o britânico que liderou uma expedição para encontrar a Cidade de Z e desapareceu.

Fonte: Tory Carrol/Estadão

sábado, 26 de dezembro de 2009

Parte desconhecida do oceano é explorada em 4 DVDs

Tudo o que você queria saber sobre os oceanos, mas tinha medo de perguntar ou não sabia para quem, está nessa série de documentários realizados pela BBC e pelo Discovery Channel. Levou cinco anos para ser concluída, filmada em cerca de 200 locações, do Ártico à Antártida, da Amazônia à Austrália. É completa e fascinante. Mesmo biólogos e oceanógrafos podem aprender algo novo. Ou, no mínimo, se deleitar com cenas belas e raras do comportamento animal.

Como lembra a narração, feita pela agradável e simpática voz do veterano David Attenborough, mais pessoas já estiveram no espaço do que nos locais mais profundos do oceano. Existem apenas cinco minissubmarinos capazes de levar cientistas a 4.500 metros de profundidade. Todos eles juntos não exploraram até agora nem 1% da superfície das planícies do fundo do mar.

O episódio sobre os abismos oceânicos é justamente um dos mais espetaculares. Cada mergulho praticamente descobre um novo ser vivo. E que seres! Os animais que vivem na escuridão e nas altíssimas pressões dos abismos estão entre os mais exóticos do planeta. São seres transparentes, com olhos enormes, e que usam a luz como arma para defesa e ataque. A "corrida armamentista" entre presa e predador é intensa.

A seleção natural dota um animal de fotocélulas que camuflam seu corpo no sutil azulado do mar; mas um predador encontra um meio de detectar essa luz tênue ou sente os movimentos da presa na água. Um camarão dispara uma cola luminescente que gruda no predador -- torna ele um alvo fácil para outros. Um peixe usa um "farol" de luz vermelha, invisível a suas presas. Um copépode -- pequeno crustáceo -- dispara "flashes" de luz para desorientar o predador.

Estrutura

Os quatro DVDs incluem extras como "making of" e entrevistas. Os cinegrafistas usaram ultraleves, helicópteros, barcos de vários tamanhos, submarinos e, é claro, mergulharam junto a seus alvos. Muitas das cenas foram filmadas pela primeira vez, como tomadas de raros comportamentos sexuais, de alimentação, ou imagens aproximadas mostrando detalhes nunca antes observados.

Um comportamento fascinante é a estratégia dos golfinhos para encurralar um cardume de sardinhas. Parte do grupo cria uma "rede" de bolhas de ar que, aos poucos, vai cercando e agrupando as sardinhas, que são devoradas na totalidade, sobrando só uma "chuva de escamas" descendo ao fundo do mar.

A trilha sonora é inventiva. Pontua bem os momentos mais dramáticos de uma caçada -- como as seis horas que um grupo de orcas levou para separar da mãe e matar um filhote de baleia --, mas há momentos bem-humorados e majestosos -- como as cenas dos pinguins saindo do mar como pequenos foguetes e pousando em terra ou em um bloco de gelo.

O único problema desses filmes é o ocasional descaso com as legendas em português. Às vezes, a palavra em inglês não é traduzida; outras vezes, há erro. Por exemplo, "sand eels" são peixes, não são "minhocas"; e a Nova Escócia fica no Canadá, não nos EUA.

Fonte: Ricardo Bolanume Neto/Folha de S.Paulo

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ISTO É BRASIL: Ibama proibido de fiscalizar desmatamento

Enquanto ambientalistas das ONGs e do governo estavam todos na Dinamarca na Conferência do Clima, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode impedir que o Ibama continue fiscalizando o desmatamento. Pela nova regra – que ainda precisa passar pelo Senado –, apenas as secretarias estaduais de meio ambiente teriam poder para multar atividades ligadas ao desmatamento, como a fabricação de carvão e as serrarias. O Ibama só teria poder de fiscalização nas atividades que licencia, como grandes hidrelétricas e estradas.

Serraria suspeita de falsificar documentos é bloqueada no Pará Decreto suspende multas a quem desmatou ilegalmente Desmatamento da Amazônia é 'dragão adormecido', diz pesquisador ONG recebe R$ 10 milhões para ajudar cidades a reduzirem desmatamento Imazon detecta desmatamento de 194 km² na Amazônia Legal em outubro Exposição fotográfica traz para São Paulo o desmatamento da Amazônia

Para o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, o projeto de lei deixa o órgão ambiental federal de “mãos atadas”, especialmente na Amazônia. “Teríamos uma explosão do desmatamento incalculável, inimaginável”, afirma ele, que coordena a fiscalização ambiental em todo o país.

Segundo Evaristo, as secretarias estaduais não estão preparadas para absorver toda a demanda pela repressão ao desmatamento ilegal. “As secretarias de meio ambiente dos estados estão com capacidade licenciadora, mas zero de capacidade fiscalizadora. É o Ibama que faz o monitoramento, é o Ibama que fiscaliza.”

Desmatamento

A redução do desmatamento é uma das principais apostas brasileiras para diminuir a emissão de gases causadores de efeito-estufa, representando mais de 60% da nacional. A menor derrubada da mata também é condição necessária para que o Brasil continue a receber recursos no Fundo Amazônia.

Fonte: Iberê Thenório/Globo Amazônia