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domingo, 24 de julho de 2011

A maldição dos 27 (?)

Amy Winehouse se foi e, desde que foi divulgada a notícia da morte da cantora inglesa, no último sábado (23/07/2011) os sites, blogs, jornais, revistas, emissoras de rádio e TV se apressaram em colocar "no ar" especiais, entrevistas, homenagens e demais parafernálias já previsíveis para esse tipo de ocasião. E pra variar, de uma hora pra outra, (quase) todo mundo se tornou fã incondicional e passou a "reverenciar" a grande artista que, sem dúvidas, ela foi. Grande no sentido de ser diferenciada em relação a outros "ídolos" que a cada dia a mídia cria e mata, sem se preocupar em jogar os vestígios para baixo do tapete.

Winehouse também foi um produto fabricado. Basta comparar o som que ela fazia no primeiro disco, "Frank", com o que se ouviu no segundo trabalho em estúdio, "Back to black". Dos vocais, aos ritmos, passando pelas fotos que aparecem nas capas e todo o conceito dos arranjos dá pra perceber que algum "engenheiro" passou pela vida dela, percebeu que ela tinha um pé no jazz retrô de 40, 50 anos atrás, e o outro na capacidade autodestrutiva.

Confesso que quando ouvi Amy pela primeira vez identifiquei nela laivos de Billie Holyday, em "At Last", e de Anita O´Day, em "Sweet Georgia Brown". Guardadas as devidas proporções, Amy poderia ter se tornado uma diva caso sobrevivesse aos primeiros anos da pressão dos fãs, tablóides, gravadoras e outros personagens que ajudam a destruir o artista e construir o mito em quem investem seus sonhos, frustrações e desejos. É aquela famosa curiosidade mórbida de ter prazer em ver o artista no fio da navalha, na beira do abismo, a caminho do que Robert Plant tão poeticamente canta como as "Starway to heaven".

Produto fabricado ela foi, mas ao menos foi fiel ao "Viva intensamente e morra jovem", tantas vezes cantado e levado às últimas consequências pelos astros do rock. Sendo filho do diabo, como também dizem ser o blues, o rock é uma estrada de excessos que cobra um pedágio caro, na maioria das vezes a vida de seus filhos. Foi fiel por amar a música e os palcos e se recusar a fazer o jogo dos tablóides, dos holofotes, das falsas aparências. Desse confronto entre o aqui e agora e o amanhã incerto, sobrou o ser humano sensível, frágil, viciado em álcool e drogas e incapaz de suportar as agruras e falsidades do mundo globalizado.

Amy foi original, mesmo com aquele personagem que tentaram impor sobre a grande cantora. Aquelas perucas, aquela maquiagem pesada, aqueles vestidos, pareciam ser obra de algum marqueteiro que farejou, antes de todo mundo, uma mina de ouro naquela voz firme e rasgada, nascida junto com todas as grandes do blues e do jazz. Por um tempo o cara faturou, só não esperava que a "festa" acabaria tão cedo. Tirando o personagem tosco que nela tentaram impor o que sobra? Um diamante ainda em processo de lapidação, mas já com brilho único e visceral.

Me refiro à máscara quando lembro de nomes como Lady Gaga, Beyoncé, Rihanna, Britney Spears e, no Brasil, Restart e Maria Gadú. Tirando a pirotecnia, os (d) efeitos especiais, os bilhões gastos em marketing e os golpes publicitários para se promoverem a qualquer custo na mídia, o que sobra para esses "artistas" estrangeiros? Resposta: a ilusão, o vazio e o nada.

Quanto aos nacionais, experimente botar os 4 "restarts" num palco sem aquelas roupas coloridas, aqueles óculos sem lentes e sem aquelas caretas que costumam fazer para fotos e me digam o que acontece. Alguém aí consegue lembrar de um único "sucesso" e cantarolar uma frase dos caras? Deixa pra lá, perda de tempo e raciocínio. E a Gadú? Coloquem ela sem aquele visual "muderno" num palco pra ver o que acontece. Só mesmo o Caetano, batendo nos 70, pra cantar a tal da "Shimbalaêi" (É assim que se escreve?) e dizer que é "linda".

Mas dei toda essa volta porque, quando tive a idéia de escrever essse post, milhares de "críticos musicais" pularam na frente a citaram a tal da "maldição dos 27" que é, segundo os "especialistas", a idade fatal para os verdadeiros e grandes artistas. Até agora já citaram Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e agora Amy Winehouse.

Pois aproveito pra acrescentar Brian Jones (gênio da guitarra e fundador dos Rolling Stones) e Jean-Michel Basquiat que, apesar do nome francês, era norte-americano e um dos grandes artistas plásticos dos últimos 50 anos. Basquiat não era músico, mas as telas que pintou "cantam" e, só de olhar, dá pra "ouvir" os riffs que cada um dos quadros transmite. Pois bem, a tríade sexo, drogas e rock´n´roll levou também esses dois aos 27 anos e o mito sobre os dois algarismos ganhou mais dois nomes de peso.

Se há alguma relação, ou "maldição", como queiram, entre as mortes dos ídolos e a idade em que se foram, isso já é mais um produto criado pelo fanatismo. Mas que bate aquela curiosidade em saber como a turma que passa dos 27 e chega aos 67, como é o caso de Mick Jagger (que já tem 68) e Keitih Richards, ou aos 87, como chegou Anita O`Day, ah, isso bate. Nesses três casos, a bola bateu na trave milhares de vezes e só não estufou as redes porque não quis. As da Amy, para o bem ou para o mal, já foram estufadas e bem mais cedo.

Câmbio, desligo.

Sérgio Augusto

Editor da Academia da Palavra

Foto: divulgação

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Exposição sobre Miles Davis, o "filósofo do jazz", chega ao Brasil em outubro

"Um ano depois que eu nasci, um furacão passou por St. Louis. Talvez ele tenha deixado um pouco de sua criatividade indomável em mim, um pouco da força de seu vento", escreveu Miles Dewey Davis III em sua autobiografia de1989.

O raciocínio supersticioso é o modo mais simples de descrever a força criativa de um trompetista que, durante 40 anos, passou diversas vezes como um Katrina pelo status quo do jazz, redefinindo conceitos de ritmo, harmonia, sonoridade e interação na música, além de deixar em seu rastro uma aura indecifrável, tão misteriosa quanto elegante.

Todas as fases do homem, do bebop ao fusion, formam a exposição Queremos Miles, concebida pelo instituto musical Cité de la Musique, em Paris, com data de estreia marcada para o início de agosto no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, e outubro em São Paulo. Dividida em oito partes, que seguem a trajetória do trompetista desde sua infância, no Missouri, ao estrelato, Queremos Miles busca apresentar o trompetista para os leigos e ilustrá-lo para os fãs.

"Desde os anos 50, Miles tem uma base de fãs muito grande na França", explica o curador da exposição Vincent Bessières, que teve ajuda da família do músico para montar a mostra. "Mas o Cité de la Musique é um lugar didático, aberto para todos, não somente os fãs. Então me esforcei para que a pessoa que não conhecesse sua obra pudesse, em uma ou duas horas de exposição, ser iniciada", completa.

Seis das oito partes da mostra são feitas por casulos construídos na forma de uma surdina de trompete, que contém arquivos e música de todas as fases de Miles - entre elas, a fase inicial, quando, aos 18 anos, ele chegou em Nova York e se apresentou a Charlie Parker como seu novo colaborador, tendo a oportunidade de desenvolver sua música, no palco, ao lado de Bird e Dizzie Gillespie; o início do cool jazz, sua luta contra o vício em heroína e seu quinteto com o fabuloso Red Garland, nos anos 50; o icônico disco Kind of Blue; suas colaborações orquestrais com o arranjador Gil Evans; seu quinteto com Wayne Shorter; o parto do fusion, na fase Bitches Brew e o desenvolvimento do gênero nos anos 80.

"A música de Miles mudou bastante durante sua vida. Sua obra é um pouco como a de Picasso: ele não toca no final como tocava no início. Portanto, a exposição é estruturada de um modo em que o visitante possa ter a experiência audiovisual de todos esses períodos no local", conta Bessières.

A exposição tem o foco tanto na música quanto na memorabilia de Miles. Estarão presentes sete de seus trompetes, diversos documentos de sessões em gravadoras, e instrumentos como o sax que John Coltrane tocou em Kind of Blue, o baixo em que Marcus Miller gravou Tutu, as baterias de Tony Williams e Al Foster. Um acervo de fotos com todos os belíssimos registros da gravação de Kind of Blue também faz parte da exposição. Para agradar os fãs assíduos, Bessières conseguiu partituras, diversos arranjos de Gil Evans, o flugelhorn em que Miles tocou Sketches of Spain.

A fase inicial traz pinturas de Jean Michel Basquiat, de quem Miles foi amigo nos anos 80. As obras retratam o fascínio do pintor americano pelo época em que a rua 52 de Manhattan fervia com os solos de Charlie Parker, Dizzie Gillespie e Thelonious Monk, entre outros. A mostra também traz quadros de Miles, que se aventurou pela pintura no período, entre os anos 70 e 80, em que ficou sem tocar e gravar, assim com algumas das próprias capas ilustradas pelo músico. Mas, de acordo com Bessières, a exposição também vasculha outras facetas do músico.

Um dos filmes que deve ser um deleite para os aficionados mostra Miles fazendo um treinamento de boxe. Embora não lutasse por causa de seus lábios (um corte na boca pode significar aposentadoria para um trompetista), ele treinava sozinho. Um de seus discos dos anos 70, A Tribute to Jack Johnson, é uma trilha sonora para o filme sobre o grande boxeador negro.

A moda de Miles estará presente com algumas de suas jaquetas mais memoráveis. O filme Ascensor para o Cadafalso, de Louis Malle, cuja trilha foi feita por Miles enquanto viveu em Paris será mostrado, e uma seção com as mulheres de Miles retrata as beldades negras que figuraram em suas capas.


Fonte: Roberto Nascimento/Estadão

Foto: Divulgação

terça-feira, 12 de julho de 2011

The Beatles juntos nas Olimpíadas de 2012?

O músico Paul McCartney deu a entender que ele e Ringo Starr podem montar uma versão reformada dos Beatles para uma apresentação na abertura das Olimpíadas, em 2012, que acontecerão em Londres.

"Eu ouvi rumores de que eu posso estar envolvido. Acredito que eles estejam planejando esse tipo de música", disse, quando questionado se a abertura dos jogos teria algo a ver com os Beatles.

"[McCartney] estava escondendo detalhes. Ele tem conversado com os organizadores e disse que adoraria estar envolvido de alguma maneira. Eles também querem Ringo no palco para tornar o evento muito especial", disse uma fonte ao tabloide britânico "The Sun". O tabloide vai ainda mais longe dizendo que os beatles mortos, George Harrison e John Lennon, poderiam ser representados por seus filhos.


Fonte: Folha Online


Foto: Divulgação

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Noel Rosa maior que Heitor Villa Lobos?

No traço elegante de Carlinhos Müller, Noel Rosa dialoga, no idioma do samba, com outro gênio da MPB, Lamartine Babo
Embora um tanto timidamente, o centenário de Noel Rosa (1910-1937) vem sendo lembrado em shows, CDs, seminários e livros --como "Noel Rosa - O Poeta do Samba e da Cidade" (Casa da Palavra), de André Diniz. Mas uma das homenagens mais interessantes ficou para 2011.Trata-se de um livro organizado por Júlio Diniz, coordenador do programa de pós-graduação em letras da PUC-Rio, com artigos de diversos pesquisadores sobre o impacto de Noel na formação da música popular brasileira.

Segundo Diniz, a ideia é mostrar que a influência do compositor teve reflexo em toda a produção musical subsequente, incluindo a bossa nova e as canções de Chico Buarque, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. "Ele influenciou a música brasileira mais do que Villa-Lobos", diz. De acordo com o pesquisador, Noel é o protagonista de um movimento modernista carioca que divergiu do modernismo paulista, celebrado na Semana de Arte de 1922, e que, ao menos no âmbito musical, foi o que herança maior deixou ao país.

Diniz afirma que, enquanto os paulistas tinham um projeto para a música brasileira, que passava pelo resgate do cancioneiro popular e folclórico --e pela elevação deste através do conhecimento erudito--, os cariocas não tinham projeto, mas promoveram uma mistura muito mais horizontal do samba com a cultura burguesa.

MISTURA

"Noel foi o primeiro compositor branco e letrado a subir o morro para fazer músicas com parceiros negros. Mesmo sem estar a serviço de uma ideologia, ele inaugurou uma mistura que marcou a música brasileira daí em diante", diz. Carlos Didier, biógrafo de Noel ao lado de João Máximo, diz que ele teve 18 parceiros negros e mestiços, incluindo Ismael Silva, Cartola e Canuto.

Morto de tuberculose aos 26 anos, compôs 252 canções em oito anos de carreira e conseguiu transportar para as letras um amplo leque de temas que escapavam do tema único da malandragem. "Ele abordou assuntos como o telefone e o cinema falado, e sua produção é tão atual como a de Machado de Assis", afirma Diniz.

O pesquisador e compositor paulista Luiz Tatit concorda com a preponderância de Noel Rosa na construção da música popular brasileira. Segundo ele, Noel inaugurou a confiança no samba como uma linguagem autônoma, divergente da linha folclórica e da erudita, o que serviu de fundamento para a MPB. "Ele tinha orgulho de ser sambista, diferentemente de Ary Barroso, que, embora tenha feito sambas maravilhosos, tinha uma espécie de nostalgia de uma produção mais elevada", diz.


Fonte: Marcelo Bortoloti/ Folha de S.Paulo

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CD joga luz sobre inéditas de Johnny Alf


Em seus últimos 15 anos, o cantor, compositor e pianista Johnny Alf (1929 -2010) viveu de dinheiro obtido em shows intimistas, feitos sobretudo em pequenos clubes de jazz e no circuito paulista do Sesc. Para público quase sempre restrito, Johnny fazia o diabo. Recriava as próprias canções, desconstruía repertório alheio, mostrava material inédito, promovia jam sessions com convidados, de Cauby Peixoto a Ed Motta.

Ao menos 20 dessas apresentações foram gravadas em áudio, então sem maiores pretensões, pelo empresário do artista, Nelson Valencia. O material está em fase de tratamento e, ainda neste ano, chega ao público dentro de uma caixa, a ser lançada pela gravadora Lua Music. Sob os cuidados do produtor Thiago Marques Luiz (que dirigiu álbuns recentes de Wanderléa e do próprio Cauby), o projeto inclui mais dois discos. Um é dedicado aos sucessos de Johnny. Outro, às canções obscuras.

Estão recrutados para o álbum de hits --se é que a palavra "hit" cabe a compositor tão sofisticado-- artistas que compartilham do mesmo universo artístico. "Não tem nenhum gaiato no disco", diz Thiago. "Só convidamos gente que gostava dele, e de quem sabíamos que ele também gostava." Estão na lista Joyce (cantando "Fim de Semana em Eldorado"), Toquinho ("Rapaz de Bem"), Leny Andrade ("O que É Amar"), Claudette Soares ("Gesto Final"), Emílio Santiago ("Nós"), Zé Renato ("Céu e Mar") e Wanderléa ("Ilusão à Toa"). O álbum com os temas desconhecidos de Johnny é projeto pessoal de Alaíde Costa --a intérprete predileta do compositor, segundo o próprio chegou a declarar.

Já totalmente gravado, o disco dela inclui canções como "Escuta", "Como Dois Corações e meu Sonho" e "Tema da Cidade Longe". Também está programado para este ano o lançamento de uma biografia de Johnny Alf dentro da Série Aplauso, da Imprensa Oficial. O livro foi escrito pelo jornalista e pesquisador João Carlos Rodrigues e se apoia em entrevistas com músicos, produtores e amigos do artista desde a adolescência, além de um depoimento de uma hora e meia colhido do próprio Johnny.

Para Rodrigues, o mais importante a ressaltar é que, apesar do final um tanto solitário, o artista não se encaixa no hall dos "injustiçados". "Tudo o que ele fez foi porque quis. Até 60 e poucos anos, ele bebia muito, era agressivo, faltava aos compromissos. Foi quase um Tim Maia da bossa nova", compara Rodrigues. "Quando parou de beber, se tornou uma pessoa muito fechada".

Fonte: Marcus Preto/Folha Online

Foto: Divulgação

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

21 anos sem Raulzito

Os biógrafos costumam dizer que Raul Seixas levou o rock às últimas consequências. Nos últimos anos de sua vida, mesmo sofrendo de pancreatite, ele não se afastou do consumo exagerado de drogas e álcool. A doença levou à morte o Maluco Beleza aos 44 anos, no dia 21 de agosto de 1989. Para eles, a decadência perante o público, os problemas com empresários e gravadoras são menores diante da sua relevância artística. Passados 21 anos, seus principais hits são conhecidos do grande público.

O interesse pela obra de Raulzito reacende em novas gerações de fãs, que fazem questão de soltar a voz com o grito “Toca Raul”. Ainda hoje é possível ouvir o jargão em bares, pistas de dança e shows de rock.
Um dos legados do roqueiro é parecido com o fenômeno que acontece com o "Rei do Rock" Elvis Presley: inúmeros sósias fazem questão de se vestir de forma idêntica a Raul e atuar fazendo covers do cantor. A sua confirmação, como mito do rock nacional, é frequente em homenagens no teatro, na TV, nas biografias e relançamentos de álbuns.

A admiração pelo “Maluco Beleza” ultrapassa o rock. Chitãzinho e Xororó, Maria Bethânia, Milionário e Zé Rico e Elba Ramalho já regravaram composições do baiano.

Documentário é aguardado para 2010

O longa-metragem dirigido por Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel promete estrear nas telas ainda em 2010, trazendo depoimentos de parentes, amigos e antigos parceiros, como o escritor e letrista Paulo Coelho, que trabalhou com Raul na composição de músicas que fizeram parte da fase mais conhecida da carreira do roqueiro.

Em 2009, um trecho do filme foi exibido durante o Festival do Rio. O teaser mostrava o cantor se dizendo apaixonado por cinema. "Espero acabar em Hollywood”, brincava, irônico, afirmando ser um ator que fingia ser cantor.

Sua interpretação é lembrada graças a videoclipes para o Fantástico, nos quais Raul extravasava sua criação. As perfomances são destacadas pelos cenários em chroma key e pela produção, como as dançarinas presentes em "Sociedade Alternativa" - um dos primeiros clipes musicais feito a cores no Brasil, exibido em 1974.

Fonte: Maria Chrisá/ G1

Foto: Divulgação

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Biografia "descasca" mitos sobre Jim Morrison

Jim Morrison não era nada. Artisticamente, não passava de um jovem jeitoso em quem uma guitarra poderia ficar bem. E só. Mas era tudo de que a banda Rick and the Ravens precisava para animar uma festinha de formatura na Marina de Los Angeles naqueles anos 60. Só havia dois problemas: 1.) Jim Morrison não sabia tocar guitarra. 2.) Jim Morrison não sabia cantar.

Ali baixinho, ao pé do ouvido, Ray Manzarek, amigo de universidade e tecladista, deu as coordenadas: "Jim, faz o seguinte: coloca a guitarra no volume zero." O show acabou, Jim recebeu seus 20 dólares de cachê e agradeceu. "Ray, este foi o dinheiro mais fácil que já ganhei."

A história andou e Jim Morrison, mesmo ícone à frente dos Doors, se tornaria tudo, menos um bom vocalista. The Doors por the Doors, trabalho rico colhido em entrevistas e pesquisas pelo jornalista americano Ben Fong-Torres, ex-repórter da Rolling Stone e último homem a entrevistar Morrison, mexe no vespeiro. Sua qualidade maior é não se ajoelhar diante do túmulo para tratar o roqueiro como um deus.

As fontes são pessoas que estiveram no olho do tornado, como o pai, George Morrison, além de irmãos, amigos, produtores e os integrantes da banda que chegou a ser chamada de ‘Beatles americanos’.

Fong-Torres assume muitas vezes uma escrita em primeira pessoa, o que lhe garante diferenciais sobre outras biografias feitas por quem não esteve ao lado do cantor. Mas se estava tudo em suas mãos, por que não fez o livro antes? Torres diz que muitos nós tiveram de ser desatados entre os músicos, que não chegavam a consensos sobre direitos comerciais. "Mesmo com isso e os direitos cedidos para um novo documentário, When You're Strange, eu me adiantei aos cineastas", diz, em referência ao filme de Tom DiCillo, sem data para chegar aqui.

O que manteve os Doors na estrada? Eis a pergunta que Torres se fez ao constatar o nível de desleixo com que Morrison levava sua carreira. Coube ao tecladista Ray Manzarek, ao guitarrista Robbie Krieger e ao baterista John Densmore respirar fundo e contar até três. Muitas vezes. "Morrison sempre agiu de forma pouco profissional e descontrolada. Colocou em risco a carreira da banda." Ele passa aqui por um episódio de 1967, quando o vocalista foi preso em Miami, após um show onde mostrou seus órgãos genitais no palco. "Depois disso foram cancelados inúmeros concertos e várias estações de rádio pararam de tocar suas músicas. Mas eles estavam com ele." Por pouco, cita Torres, o baterista Densmore não largou tudo. "Ele ficou muito cansado e tentou sair uma ou duas vezes, mas sempre voltou. Não importava a forma como Jim vivia. O que importava era a lealdade, a perseverança, a tolerância. Foi incrível para mim perceber isso."

O autor diz que praticamente todas as biografias de Morrison relatam que ele foi para a universidade sem o conhecimento e a aprovação dos pais. Na apuração de Torres, a família discorda desta versão. O pai, George Morrison, diz ter ficado satisfeito com a decisão do filho de estudar cinema. "Fiquei maravilhado. Achava que seus talentos se adequavam àquela linha de trabalho."

A estratégia para fazer voar alto o primeiro compacto, Break On Throught (To The Other Side), funcionou até certo ponto. Do próprio estúdio onde gravaram o disco, os músicos dispararam a ligar para as emissoras de rádio pedindo a música como se fossem simples fãs. Até que a garota que atendia ao telefone percebeu a fraude. "Ok, parem de ligar. Nós sabemos que vocês ou fazem parte da banda ou estão recebendo para fazer isto."

As fragilidades vocais de Morrison não são camufladas no livro. John Densmore, o baterista, conheceu o amigo na garagem de Ray Manzarek durante os primeiros ensaios da banda. Com cuidado, ele esbarra na sensação que teve ao ver Jim cantar pela primeira vez. "Ele nunca tinha cantado antes, estava apenas começando. Sua voz não era encorpada, mas ele tinha total confiança em si mesmo, algo do tipo ‘vou me tornar vocalista.’ Nada de cantar a partir do diafragma ou de técnicas especiais, apenas cantava, gritava ou o que quer que fosse aquilo que estava fazendo", comenta no livro.

O próprio Morrison tinha consciência de suas limitações. Ao falar com Manzarek na praia de Venice sobre a ideia de formar os Doors, abriu-lhe o coração. "Não sei… Sou meio tímido e a minha voz não é lá tão boa." Ao que Manzarek devolve: "Sua voz não é tão boa? Bob Dylan é famoso internacionalmente com aquele guincho que é a voz dele." Morrison então enfiou as mãos na areia e começou a cantar Moonlight Drive. "Assim nasceram os Doors: as letras de Jim somadas à minha música climática", diz Manzarek.

Aos brasileiros, um belo tira-gosto. A influência da bossa nova nos Doors é um fato, maior do que a própria música pode transparecer. Em entrevista ao Estado (leia abaixo), Ray fala de como sons joãogilbertianos passaram a ser perseguidos pela banda.

The Doors por The Doors - Autor: Ben Fong-Torres. Editora: Ediouro. 432 págs. Preço: R$ 59,90



Filme traz cenas inéditas da banda, por Flávia Guerra

Se as portas da percepção entrassem em colapso, tudo pareceria como é: infinito. Este detalhe do poema de William Blake, que inspirou o nome de uma das bandas mais controversas da história, também inspira o diretor Tom DiCillo em When You’re Strange, primeiro documentário feito sobre a banda que nasceu em 1965 nos câmpus da Ucla (Universidade de Los Angeles), onde Jim Morrison e o tecladista Ray Manzarek estudavam cinema.

Quem pensa que tudo já foi dito, e filmado, sobre o Doors em The Doors, de Oliver Stone, não perde por esperar. When You’re Strange, ainda sem data para estrear no Brasil, não faz revelações bombásticas, mas tem o mérito de trazer imagens inéditas.

Fonte: Fernando Moura/ Estadão
Foto: Araldo Di Crollalanza/Rex Features

Nota: Discordo exatamente da parte em que a matéria diz que Jim Morrison não sabia cantar. Tocar guitarra ou qualquer outro instrumento, Jim realmente não sabia, mas cantar sabia sim. Basta ouvir as gravações ao vivo de "Unknown soldier", "The end", "Riders on the storm", "When the music is over" ou "Back door man". Se isso é não saber cantar o que dizer do Fiuck, filho do cantor Fábio Jr. e produto de um enlatado televisivo? Fica o questionamento.

Sérgio Augusto

Editor da Academia da Palavra

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Geração 2000 celebra Guilherme Arantes, tido como "brega" nos anos 80

É o fim do exílio. O novo show de Guilherme Arantes sinaliza que os tempos estão mudados. Só agora, quase duas décadas depois do que poderíamos chamar de "início da decadência" do cantor, sua música volta a ser reconhecida por suas qualidades reais. E começa a se desvincular de rótulos preconceituosos que lhe vinham sendo pregados desde então.

"O pessoal dos anos 80 me chamava de brega --coisa que eu de fato era naquelas circunstâncias", diz o cantor. "No reinado do pop-rock, era vetado ao homem ter sentimentos. E eu, como o Erasmo Carlos, não tinha pudor nenhum de rasgar as emoções. Agora, estou me vingando da isolada que esse pessoal me deu. A mesma coisa que me fez maldito ali, hoje me dá a chance de perdurar".

E essas chances vêm aumentando. De um par de anos para cá, as velhas canções de Guilherme têm se tornado cada vez mais constantes no repertório de artistas --principalmente das vozes femininas. Vanessa da Mata fez versão para "Um Dia, um Adeus", que acaba de entrar na trilha da novela global "Cama de Gato". Zélia Duncan releu "Cuide-se Bem" em CD e DVD ao vivo --mesma música escolhida por Bruna Caram para fechar seu CD "Feriado Pessoal". Adriana Calcanhotto incluiu "Meu Mundo e Nada Mais" no show mais recente, e também deve lançá-la em DVD.

Guilherme reconhece que foi resgatado pelas cantoras, "para quem o sentimento está liberado". Mas aponta no seu instrumento de apoio outra razão que pode ter colaborado nesse processo de revalorização. "O piano entrou em desuso depois da fase áurea do pop, de tão usado que foi pelo Duran Duran, pelo RPM e por mim mesmo", diz. "Mas, passado esse tempo de descanso, voltou com tudo agora, tanto lá fora, em bandas como o Coldplay, como por aqui, no trabalho de caras novos como o [Daniel] Ganjaman e [Marcelo] Jeneci."

E é só esse instrumento --um piano de cauda-- que Guilherme usa para fazer o show de hoje. Estão na lista todas as canções que agora também são de Vanessa, de Zélia, de Bruna, de Adriana. Mas também duas dezenas de outras que ainda estão à espera do redescobrimento. Já se vão 34 anos desde a estreia fonográfica de Guilherme Arantes, e, vá lá, uns 25 do estrondoso apogeu comercial. O momento atual, dá para apostar, é de igual importância no desenrolar dessa história.

Fonte: Marcus Preto/Folha de S.Paulo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

U2, a banda mais lucrativa de 2009

Se o dinheiro faz o mundo girar, a turnê do U2, batizada de “360 graus”, prova que a frase está certa. O grupo irlandês lidera a lista da Billboard dos artistas mais lucrativos de 2009. No ano passado, Bono e companhia ganharam mais de US$ 108 milhões. O roqueiro Bruce Springsteen ficou em segundo lugar, com US$ 57 milhões, seguido da cantora Madonna, em terceiro, com US$ 47 milhões.

AC/DC e Britney Spears lucraram US$ 43 milhões e US$ 38 milhões, respectivamente. A lista da Billboard leva em conta o lucro obtido com turnês, vendas de CDs e faixas digitais, além de royalties de publicidade. No ano passado, Madonna ficou no topo da lista, enquanto Springsteen ficou em terceiro.

Fonte: AP

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Paul McCartney espera salvar Abbey Road após EMI anunciar venda do estúdio


Paul McCartney comentou a venda do mítico estúdio Abbey Road, em Londres, após a gravadora EMI anunciar o plano de vendê-lo. O estúdio onde os Beatles gravaram muito de seus discos, imortalizado pelo álbum "Abbey Road", de 1969, está à venda para angariar dinheiro para a gravadora saldar dívidas. "Sei que há algumas pessoas que tiveram conexão com o estúdio por um longo período que estão conversando sobre uma união para salvá-lo", explicou McCartney, em declaração dada a BBC. A foto da capa do disco "Abbey Road", dos Beatles; Paul disse que espera "salvação" do estúdio

"Obviamente, tenho muitas memórias com os Beatles de lá e continua sendo um ótimo estúdio. Portanto, seria maravilhoso que alguém fizesse algo para ajudá-lo". A EMI espera conseguir 30 milhões de libras (R$ 86 milhões) com a venda.

Fonte: Folha Online


Foto: Divulgação

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Rock in Rio Lisboa terá brasileiros dividindo o palco com portugueses

Maria Rita, Toni Garrido, Zeca Baleiro, Tiê, Martinho da Vila e Andreas Kisser são os brasileiros que dividirão com artistas de outros países de língua portuguesa o palco Sunset do Rock in Rio Lisboa, que será realizado entre os dias 21 e 29 de maio, anunciou a organização do evento. No dia 22, Maria Rita e Toni Garrido sobem ao palco junto com Rui Veloso, considerado o pai do rock português dos anos 80 e que completa 30 anos de carreira. Antes, no mesmo dia, a paulista Tiê se junta aos portugueses do Tiago Bettencourt & Mantha.

No dia 27, é a vez de Zeca Baleiro pisar no Sunset junto com o português Jorge Palma, de quem já gravou a música "Frágil". Maria Rita, Toni Garrido e Tiê são alguns dos artistas brasileiros que se apresentam no Rock in Rio Lisboa 2010. No dia 28, Martinho da Vila divide o palco com o português Luís Represas.

Por fim, no dia 29, o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, se apresentará no palco Sunset como parte da banda Hail, também formada por David Ellefson (co-fundador e baixista do Megadeth), Tim "Ripper" Owens (ex-vocalista do Judas Priest) e Jimmy DeGrasso (baterista de Alice Cooper). Eles dividirão o show com o grupo português de heavy metal Ramp.

A organização do Rock in Rio Lisboa já confirmou os shows de Ivete Sangalo, da colombiana Shakira, do trio de rock britânico Muse e da estrela adolescente Miley Cyrus, entre outros.

Fonte: EFE

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

FCG elabora Projeto Político Pedagógico para Música e Cidadania

O projeto social Música e Cidadania, desenvolvido pela Fundação Carlos Gomes(FCG) em sete pólos de atuação da grande Belém, terá até o final de fevereiro seu Projeto Político Pedagógico. Representantes dos sete pólos que integram o projeto, reúnem-se desde segunda-feira (01), na sala de musicalização do Instituto Carlos Gomes com a finalidade de montá-lo, antes do início das aulas, previsto para o mês de março.

Segundo a psicológa Lena Cristina, do núcleo psicossocial da Fundação Carlos Gomes a primeira preocupação da equipe foi de fazer um diagnóstico dos pólos, já que cada um funciona em uma instituição que tem suas especificidades. "Nesse primeiro momento estamos fazendo um diagnóstico e rascunhando o perfil de cada pólo, para posteriormente montar o Projeto Político Pedagógico. Para isso, nós chamamos os coordenadores e monitores de música dos pólos, assim como os nossos técnicos da equipe central que supervisionam o trabalho na ponta", descreve.

Lena Cristina explicou ainda que na segunda-feira(01), quando iniciou o processo de elaboração do projeto Político Pedagógico, os participantes puderam conhecer detalhadamente a estrutura organizacional da Fundação Carlos Gomes. "Eles puderam conhecer melhor a nossa estrutura e se sentirem como parte integrante desse corpo para trabalhar de forma articulada com os demais", explicou a psicóloga da FCG. Os encontros vão prosseguir até o final do mês de fevereiro, e se realizarão três vezes por semana, coordenadas pelo núcleo psicossocial, e coordenação do projeto, que tem como titular a socióloga Júlia Câmara.

"A fundação tem por missão difundir a educação musical como instrumento de socialização e inclusão social, e é com essa proposta que o projeto Música e Cidadania leva esse ensino para as crianças e adolescentes aos sete pólos de atuação”, relata Daniel Araújo, superintendente da Fundação Carlos Gomes, comentando o trabalho que é realizado nas instituições conveniadas para realização das ações do projeto.

Hoje o Projeto Música e Cidadania atende cerca de três mil pessoas, entre crianças, adolescentes e jovens adultos. O trabalho é desenvolvido em sete pólos de atuação (veja relação), e oferece o ensino musical usando-o como atrativo para a recuperação da autoestima e cidadania de grupos sociais excluídos.O projeto realiza diversas apresentações, fruto do trabalho desenvolvido nos pólos de atuação.

Serviço: Os pólos do Projeto Música e Cidadania estão realizando inscrições até o final do mês de fevereiro. A maioria dos pólos oferece aulas de violão, teclado, canto coral e flauta doce. Alguns têm ainda aulas de percussão. Outras informações podem ser obtidas nos próprios pólos(ver relação):

POLO I – Republica do Pequeno Vendedor
Endereço: Tv. Apinajes, 743 – Condor
FONE: 3272 – 2449 / 8144-0865 / 8144-0805
POLO II – Lions Club de Benevides
Endereço: Pass. Das Adália, S/N – Bairro das Flores
Coordenador(a): Tio Eli Tel.: 9977-2084 / 3226-3400
POLO III – Cidade de Emaús
Endereço: Rua da Yamada, 17 – Bengui
FONE: 3238-8333 / 3238-9294 / 9162-0019
POLO IV – Sociedade Beneficente Cristo Redentor
Endereço: Rua dos Comerciários, 108 - entre Mario Covas e Benjamim Uma - Coqueiro
FONE: 3237-0277 / 9983-8727 / 3234-5691
POLO V – Paróquia Nossa Senhora de Fátima
Endereço: Rua 08 de Maio, S/N – Icoaraci
FONE: 3227-0566 / 8147-6542
POLO VI – Associação Paraense das Pessoas com Deficiência – APPD
End: Av. Magalhães Barata, Vila Teta, 213 – São Brás - FONE: 3249-4849
POLO VII – Lar de Maria
End: Praça Floriano Peixoto, 33, CEP.: 66090290 – São Brás
FONE: 3236-1874 / 3246-2581

Fonte: Rosa Borges/Assessoria de Imprensa da FCG

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

The Beatles, em versões de amigos, ganham lançamento especial


Em janeiro de 1962, quando os Beatles fizeram um teste para a Decca Records, em Londres, apresentaram 15 canções --três delas eram composições de Lennon e McCartney. Levaram um "não" do produtor Tony Meehan --que dificilmente teve um sono tranquilo a partir do ano seguinte, com o boom da beatlemania.

Integrantes dos Beatles posam ao lado do produtor musical George Martin em 1963
"Like Dreamers Do", "Hello Little Girl" e "Love of the Loved", as três composições próprias da audição, ganharam as paradas britânicas, respectivamente, com o The Applejacks e com dois colegas de Cavern Club: o The Fourmost e a cantora Cilla Black, chapeleira da casa de shows antes da fama.

Essas e outras 30 composições dos Beatles em versões de bandas e artistas nos anos 60 estão reunidas na série "4Ever - Os Beatles por Seus Amigos", lançada pelo selo Discobertas. "As gravações são verdadeiros complementos à discografia dos Beatles. É material genuíno e historicamente paralelo, gravado em sua maior parte no mesmo estúdio e com o mesmo produtor dos Beatles", explica Marcelo Fróes, do selo.

São três álbuns com gravações feitas de 1963 a 1969 por grupos e cantoras que emergiram da cena de Liverpool e acabaram nas mãos do empresário Brian Epstein (também dos Beatles) ou que eram amigos da banda. Foi por via pessoal, por exemplo, que Peter & Gordon gravaram canções de Lennon e McCartney. Peter era irmão da atriz Jane Asher, namorada de Paul nos anos 60.

"4Ever" traz três versões para "Yesterday": com Alma Cogan, com Cilla Black e com Mariana Faithfull, namorada de Mick Jagger, que entoa o clássico com piano, harpa e coral. Traz também uma "You've Got to Hide Your Love Away" hippie-folk do The Silkie, produzida por Lennon e McCartney. A série ainda resgata canções nunca gravadas pelo quarteto, como "Bad to Me", com Billy J. Kramer & The Dakotas.

Fonte: Fernanda Mena/Folha de S.Paulo

Foto: Divulgação

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Songbook dos Beatles já pode ser adquirido via iTunes

Os fãs canadenses e norte-americanos dos Beatles já podem adquirir o primeiro produto licenciado da banda na loja virtual de música iTunes, informou o site da revista “Spinner”. “The little black songbook of The Beatles” é um novo aplicativo para o celular iPhone, que inclui letras e cifras para mais de 160 canções do grupo.

Cada música conta com amostras sonoras e detalhes de cada acorde utilizado. O aplicativo também contém 30 faixas gravadas para que o usuário possa tocar junto, e até mesmo algumas vídeo-aulas de instrução para auxiliar no aprendizado.

Batalha judicial

A Apple Corps, empresa fundada pelos Beatles em 1968, e a Apple Inc, gigante da computação e criadora do iTunes, têm um passado de disputas judiciais em torno da marca (uma maçã) desde 1978. Em 1991, um acordo concedeu à Apple Corps. o uso exclusivo do símbolo no âmbito artístico. As companhias, entretanto, voltaram a entrar em conflito em 2003, quando a Apple Inc lançou no mercado o serviço de downloads e o player iPod, percebidos pela empresa dos Beatles como uma invasão de seu território.

Um novo acordo então foi firmado: a empresa de informática passou a ter controle total sobre a marca Apple, mas desde então concede licenças à empresa dos Beatles para seu uso contínuo. Apesar do cessar-fogo, a longa espera pelo lançamento dos 12 álbuns oficiais dos Beatles em formato digital parece longe de terminar.

Fonte: G1

Brasil, uma das maiores vítimas da pirataria musical online

O Brasil, a Espanha e a França são os países mais afetados pela troca ilegal de arquivos de música pela internet, de acordo com a IFPI, associação que representa as maiores gravadoras do mundo. O problema desses três países, afirma o instituto, é que, "apesar dos esforços da indústria", não conseguiu se estabelecer fortemente um serviço legal de venda de música pela internet. A consequência, diz, é que a venda de CDs desabou e o comércio pela web não conseguiu compensar nem de perto.

No Brasil, as vendas de músicas caíram mais de 40% entre 2005 e 2009, calcula a IFPI, e um dos efeitos dessa queda é que as cinco maiores gravadoras que atuam no país lançaram 67 álbuns de artistas locais em 2008 --ante 625 novos CDs uma década antes. "Isso tem sido particularmente danoso para um mercado em que 70% da música consumida é de repertório doméstico", diz a associação.

Ela afirma ainda que as quedas nas vendas de CDs no Brasil, na Espanha e na França também mostram que é um "mito" a tese de que a arrecadação com shows compensa a queda na venda de álbuns. "Os ganhos com as performances ao vivo beneficiam mais, geralmente os veteranos, que já estão estabelecidos, enquanto os mais jovens, sem uma carreira lucrativa com shows, é que não têm a chance de desenvolver a sua carreira por meio da venda de CDs."

O IFPI estima que a venda global de música por meio físico (especialmente CDs) tenha caído 16% em 2009, para US$ 11,6 bilhões, enquanto o comércio digital somou US$ 4,2 bilhões, alta de 12% em relação a 2008. Desde 2004, as vendas digitais cresceram 940%, mas o mercado total de música encolheu 30%.

Fonte: Folha de S.Paulo

domingo, 24 de janeiro de 2010

Roqueiros do Scorpions anunciam fim da banda

A banda de rock alemã The Scorpions, anunciou neste domingo (24) a intenção de encerrar seus 40 anos de carreira após um último álbum e uma derradeira turnê. A banda é famosa pela balada "Wind of change", lançada em 1990 como um símbolo da queda do Muro de Berlim. A música se tornou rapidamente um grande sucesso internacional, e chegou ao topo das paradas do mundo inteiro em 1991.

"Sim, vamos parar", confirmou o fundador da banda, o guitarrista Rudolf Schenker, 61 anos, em declarações ao tablóide "Bild am Sontag". "Estamos neste momento trabalhando em nosso último álbum, e preparando nossa última turnê", que deverá durar dois ou três anos, acrescentou, explicando que a decisão se deve à idade avançada dos integrantes da banda.

"Queremos sair de forma digna", declarou. "A ideia é encerrar nossa carreira com um álbum de forte impacto e uma turnê espetacular", destacou o vocalista Klaus Meine, 61 anos. O 22º e último álbum da banda fundada em 1965 deve se chamar "Sting in the tail" e ser lançado no dia 19 de março, segundo o "Bild".

Fonte: AFP

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Roberto Medina sobre o Rock in Rio 25 anos depois: "Foi uma maluquice"

Intuição, ilusão e desafio são algumas das palavras utilizadas pelo publicitário e empresário Roberto Medina para, 25 anos depois, descrever o que ficou conhecido como o maior festival de música do Brasil e um dos maiores do mundo: o Rock in Rio. “Pensando bem, foi uma maluquice mesmo”, reconhece o idealizador do evento, que entre 11 e 20 de janeiro de 1985 reuniu 1,38 milhão de pessoas na Cidade do Rock, construída em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, especialmente para abrigar o festival.

“Era uma época de transição entre o governo militar e a democracia, um momento em que a juventude queria ir para a rua. Eu, como empresário de comunicação, achava que seria bom tentar ajudar nesse sentido, mostrar a cara do Brasil. O festival nasceu a partir disso”, relembra Medina. De lá para cá, o Rock in Rio foi realizado mais duas vezes no Brasil (em 1991 e 2001) e ganhou cinco edições internacionais - três em Lisboa (2004, 2006 e 2008) e duas em Madri (2006 e 2008). As capitais portuguesa e espanhola, aliás, vão receber o festival mais uma vez em maio e junho deste ano.

Mas quando o Rock in Rio voltará para a terra natal? “Acho que pode acontecer no final de 2011. Tomei essa decisão há um mês. Estamos debatendo a ideia. Mas um sentimento me diz que vai acontecer”, reconhece o publicitário, que cita AC/DC, Shakira, Ivete Sangalo e Radiohead como alguns dos artistas que gostaria de escalar para o evento.

Morando há dois anos em Madri, Roberto Medina está de passagem pelo Brasil e recebeu a reportagem do G1 no escritório da Artplan, no Rio, onde relembrou histórias, dificuldades e curiosidades sobre o Rock in Rio.

G1 – Como surgiu a ideia de fazer um festival desse porte no Brasil?
Roberto Medina — Foi uma maluquice. Não existia nada parecido, nem aqui nem lá fora, que pudesse servir de referência para o que gostaria de fazer. Foi pura intuição. Claro que não planejei nada sozinho. Tive uma equipe de outros malucos que me acompanharam. E, no momento em que topamos o desafio, fui aprendendo. Foram oito meses de trabalho lidando com dificuldades. Era uma época de transição entre o governo militar e a democracia, um momento em que a juventude queria ir para rua. Eu, como empresário de comunicação, achava que seria bom tentar ajudar nesse sentido, mostrar a cara do Brasil. O festival nasceu a partir disso. Eu estava iludido, apaixonado pela ideia.

O Rock in Rio foi todo concebido em uma noite. Lembro de estar jantando em casa, inquieto. E, na manhã seguinte, a coisa toda já existia. E já se chamava Rock in Rio. Na manhã seguinte em que tive a idéia, cheguei à Artplan excitadíssimo com o projeto. Só que as pessoas não gostaram do nome. Diziam: “Vai colocar uma palavra americana no meio? Melhor que seja Rock no Rio”. E eu respondi: “Não estou perguntando a opinião de vocês. Estou apenas comunicando que vai se chamar assim” (risos). Só não fui demitido porque era o presidente da empresa (risos). Nem eu mesmo sei por que cismei com esse nome. Deviam ter pensando na época: “Pô, que cara excêntrico. Vai ficar um mês pensando nisso e depois vai esquecer”. Mas não esqueci. E outras pessoas foram se unindo a isso.

Não sabia exatamente onde seria realizado, mas o lugar que queria estava claro na minha cabeça. Quando comecei a ver os terrenos, escolhi o local mais desaconselhável para erguer a Cidade do Rock. Era um terreno muito fundo, teríamos que aplaná-lo. E foi o que aconteceu: 55 mil caminhões de terra foram utilizados para colocar o local em condições. Nunca imaginei que o festival fosse receber 1,38 milhão de pessoas, que iria se transformar em um movimento nacional. Só tinha certeza que ia ser muito importante para a cidade do Rio de Janeiro.

G1 — Como foram os dias que antecederam a abertura do festival em 1985?
Medina — Foram de tensão e adrenalina. Vivi coisas muito interessantes. Mais ou menos um mês antes do início do festival, um rapazinho que vendia balas num sinal de trânsito da Lagoa Rodrigo de Freitas desejava “Feliz Rock in Rio!” para as pessoas que passavam por ali. Era época de Natal. Fiquei muito impressionado com aquilo. No primeiro dia de shows, fui acompanhado da minha ex-mulher à área VIP do festival, que era um lugar mais alto, destacado. Quando me dei conta, vi o pessoal do heavy metal fazendo aquele chifrinho característico com as mãos na minha direção. E como conheço muito pouco de rock pesado, perguntei para a minha assessora: “Eles estão me chamando de corno?” Aí ela me explicou aquela simbologia. E fiz o sinal de volta para eles (risos).

Também no primeiro dia, as pessoas contratadas para vender ingressos abandonaram as bilheterias e correram para ver os shows. Quem acabou tendo que desempenhar essa função foram alguns dos meus amigos, meu motorista... Com os funcionários de uma rede de fast food, contratada para o evento, aconteceu a mesma coisa. Foi o caos completo. Mas conseguimos administrar aquilo, e foi muito emocionante.

G1 — Quais os principais acertos e deslizes na realização das três edições do festival?
Medina — Imaginar que você possa acertar com tantos artistas é loucura. Certamente a gente deve ter cometido erros de escalação. E um desses erros mais evidentes foi colocar o Erasmo Carlos no dia do heavy metal, em 1985. Ele ainda teve a infelicidade de começar o show com músicas pouco conhecidas. Foi realmente complicado. Outra coisa que me incomodou no primeiro Rock in Rio foi o som. O técnico que trabalhava no controle dava mais potência ao áudio das bandas internacionais do que das nacionais. Brigamos muito por causa disso. Porque as bandas brasileiras não tinham infraestrutura técnica para mexer naquele tipo de equipamento. Então, tinha que ser os estrangeiros mesmo. Essa era uma luta permanente.

Em 1991, uma coisa que pessoalmente não gostei foi de ter realizado o evento no Maracanã. Tínhamos um elenco de primeiríssima, mas o estádio não é o lugar ideal para proporcionar este tipo experiência para o público. Tem que ser um lugar harmônico, com natureza, onde você possa se espalhar e visitar outros ambientes. Por mais que você tente arrumar aquele estádio, não vai funcionar.

Já o Rock in Rio de 2001 superou minhas expectativas. A ideia das tendas e das outras atividades para entreter o público foi realizada de acordo com o conceito de diversidade que desenvolvemos, mas ficou melhor do que imaginei.

G1 — De que forma o tipo de organização do Rock in Rio influenciou outros festivais, no Brasil e no mundo?
Medina — Hoje, a equipe de som que faz o festival na Espanha e em Portugal é toda brasileira. Enquanto que foi uma dificuldade lidar com os técnicos americanos no primeiro Rock in Rio, hoje temos uma indústria nacional de som e iluminação formada. Aliás, já faz algum tempo que o Brasil é maioridade absoluta em estrutura técnica.

O Rock in Rio é, acima de tudo, um grande projeto de comunicação. A gente se preocupa com os detalhes. Eu, por exemplo, proíbo as empresas terceirizadas de praticar um preço acima da realidade do mercado. Me preocupo com o trânsito. Isso não é normal nos festivais internacionais, que simplesmente montam um palco, colocam uma banda para tocar e vendem ingressos. Lá fora, o respeito ao consumidor é zero. O que eles vendem direito é a banda. É isso o que existe no mundo.

Acho que isso acontece porque a cabeça das pessoas do ramo é de contratante de artistas, vendedores de ingressos. Não são publicitários. Eu faço isso também, mas sou de comunicação. Sei dos gastos, retornos, benefícios e alternativas. É uma visão que os caras que estão nesse meio não têm.

G1 — Ivete Sangalo em Madri. O que houve com o “rock” e com o “Rio”?
Medina — Tivemos a sorte de desenvolver uma marca que ultrapassou um festival realizado há 25 anos e que virou produto de exportação. Estamos acostumados a ser importadores. Acho que essa é a primeira vez que o Brasil exporta uma marca. E isso é ótimo. Ainda acho que a marca vai chegar aos Estados Unidos, à China... Pode até não ser através de mim, mas seria uma grande burrice esta trajetória não ganhar o mundo.

Quanto à escalação dos artistas, há uma visão distorcida do Rock in Rio. Já na primeira edição tivemos uma grande variedade de gêneros: Elba Ramalho, George Benson, Al Jarreau, Ivan Lins, Ney Matogrosso, Gilberto Gil. Além do mais, em 1985, não tínhamos tantas bandas de rock assim. Então, precisávamos preencher a programação com música brasileira. E ai entrou a música popular brasileira. O rock era apenas uma bandeira de comportamento. Um evento deste tamanho tem que ter a participação de uma enorme quantidade de pessoas. Para que isso aconteça, precisamos ser ecléticos. Senão, a conta não fecha. O Rock in Rio nunca foi um evento só de rock. E acho que as pessoas já entenderam isso.

Vejo o futuro do Rock in Rio também com uma tenda de jazz. Algo pequeno, com capacidade para mil pessoas. Os espanhóis não curtem muito. Em Portugal, menos ainda. Mas, aqui no Brasil, existe esse universo. Dentro desse contexto, digo mais: se pudesse fazer um dia só para crianças, eu faria. Minha principal atração seria Hannah Montana. E ela não iria para as tendas não, e sim para o palco principal.

G1 — O que você acha da política de preços de ingressos praticada hoje no Brasil?
Medina — Confesso que não sei como está se praticando o preço de ingressos aqui no Brasil. Tenho algumas informações, mas a sensação que eu tenho é que o valor está um pouco alto. O preço era baixo demais em 2001. Não existia competitividade com o mercado externo. Agora, ficou alto demais. Por causa da meia-entrada, dobra-se o preço do ingresso para que o valor com desconto seja equivalente ao preço cheio. Isso é um absurdo. Acho a legislação errada. Claro que deve existir um privilégio, uma vantagem para os estudantes. Mas no Brasil isso acontece de forma estranha. Muita gente tem a carteira. E os preços acabam dobrados.

G1 — Quando teremos um novo Rock in Rio no Brasil?
Medina — Tinha pensado em voltar com o festival em 2014, ano em que a Copa do Mundo será realizada no Brasil, mas agora acho que pode acontecer no final de 2011. Tomei essa decisão há um mês. Agora que visitei a cidade, fiquei com mais vontade ainda. Porque eu amo o Rio de Janeiro. Tenho um sentimento, uma intuição de que vamos voltar a realizar o festival aqui.

Dentro disso, uma das coisas que conversei com as autoridades daqui, nesta minha vinda ao Brasil, é que elas pensem na possibilidade de criar uma infraestrutura, não exclusivamente para atender o Rock in Rio, mas onde seja permitido reunir 100, 120 mil pessoas com segurança e conforto. Passei essa bola para as autoridades públicas competentes. Afirmaram que isso será estudado. Se encontrarem uma fórmula viável, o Rock in Rio vai voltar.

G1 — O que estaria faltando para que a realização desse novo festival se concretizasse no próximo ano?
Medina — Exatamente isso: um espaço público. É preciso que o governo encontre um espaço, não só para o Rock in Rio, mas para outros eventos desse porte. Basicamente é isso. Porque essa não é tarefa para os empresários. Uma cidade com o equipamento urbano que tem o Rio de Janeiro deve ter obrigatoriamente um espaço para isso. Acho que não haveria grandes dificuldades de o município se mobilizar nessa direção. Já conversei com o prefeito Eduardo Paes e ele está pensando no assunto. Porque acho que ele também tem consciência disso. E no dia em que tivermos um local aberto, bonito e cheio de verde, vamos fazer frente a qualquer lugar do mundo. É difícil, mas acho que com a chegada das Olimpíadas, em 2016, isso certamente vai acontecer. Não sei exatamente quando e onde. Hoje é um problema para o Brasil abrigar grandes eventos. Tem que existir uma solução adequada para isso.

G1 — Que atrações você sonha em trazer para esse próximo Rock in Rio?
Medina — Não pensei nisso ainda, pois essa ideia ainda é muito nova. O primeiro passo é discutir um pouco com as autoridades, o que eu já fiz. Se isso criar corpo, uma coisa que eu gostaria de ter no conteúdo do festival é a diversidade. Ter uma tenda eletrônica, uma roda gigante, uma área dedicada a atividades mais radicais, uma tenda de jazz... Se puder, quero ser mais abrangente ainda. Mas, se tivesse que montar um elenco hoje, faria de novo em cima dessa ideia de dias temáticos. Para o dia infantil, Hannah Montana e Tokio Hotel. Para o dia de heavy metal, AC/DC. Para o dia pop, Shakira, Rihanna, Ivete Sangalo. Quem sabe Lady Gaga e Beyoncé. Talvez fizesse um dia com o Red Hot Chili Peppers e o Radiohead. E outro mais clássico, não sei se com o Neil Young outra vez. Bem, quatro dias já estariam praticamente resolvidos (risos). Entre as bandas brasileiras acho que o Capital Inicial não poderia faltar.

Gostaria também de fazer uma grande festa eletrônica, uma espécie de rave com todos os DJs mais importantes do mundo, sem exceção. E isso é facílimo de conseguir. Seria um dia não convencional. Outra coisa muito legal seria juntar um artista de cada banda numa grande jam session. Um músico dos Paralamas, outro do Barão Vermelho, e assim por diante.



G1 — Fazendo uma retrospectiva das edições brasileiras, quais momentos você considera mais marcantes?
Medina — Quando abrimos os portões no primeiro dia do festival, em 1985. Lembro que as primeiras pessoas que entravam na Cidade do Rock, se atiravam no chão e beijavam a grama. Era uma cena inacreditável. Foi o primeiro grande momento. Depois, o show do James Taylor, na mesma edição. Tinha uma lua linda no céu, ele estava emocionadíssimo. Aquilo me tocou muito. E o primeiro dia do Rock in Rio de 2001, em que tivemos três minutos de silêncio simbolizando o desejo de paz. Diversas emissoras de rádio e TV em todo o país suspenderam a programação durante o período de silêncio. Tínhamos uma orquestra sinfônica, Gilberto Gil e Milton Nascimento juntos no palco, além de aviões cruzando os céu. Inesquecível.

Fonte: Henrique Porto/G1

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Elvis ("Não Morreu") Presley chega aos 75 na crista da onda


Ele foi embora há 33 anos, mas vários eventos e livros lançados nesta semana mostram que, 75 anos depois do seu nascimento, Elvis não morreu - nem seus rendimentos. Elvis Presley, que na verdade faleceu em 1977, aos 42 anos, é uma das mais lucrativas celebridades já mortas, tendo arrecadado 55 milhões de dólares em 2009, segundo o site Forbes.com. O negócio é administrado pela Elvis Presley Enterprises, revitalizada em 2005 pelo magnata do entretenimento Robert Sillerman.

O aniversário do Rei do Rock, em 8 de janeiro, será celebrado com um bolo na sua residência, chamada Graceland, com uma nova exposição de trajes, maratonas cinematográficas, um aplicativo do Facebook, um cruzeiro marítimo dentro de alguns meses e uma boneca Barbie alusiva à canção Jailhouse Rock. No mundo todo, vários eventos marcarão o aniversário, o que incluiu a cidade australiana de Parkes, onde anualmente ocorre uma reunião de imitadores de Elvis, que adotam as roupas e os penteados do ídolo apesar do calor de 40 graus Celsius.

Três novos livros sobre o cantor - cuja vida já foi esmiuçada em cerca de 50 outras obras - também vão jogar lenha na fogueira do marketing, à luz da qual Elvis permanece jovem e magro, ao contrário do que ocorreu em seus últimos anos de vida. A escritora Allanna Nash examinou o papel das mulheres na vida de Elvis no seu quarto livro sobre ele, ''Baby, Let's Play House'' (''Garota, vamos brincar de casinha''), concluindo que havia um vínculo doentio com sua mãe, Gladys, e que o fato de ele ter tido um gêmeo natimorto condicionou negativamente seus relacionamentos.

''Acho que o que ele queria das mulheres era ser tratado como filho, mas ele só saía com mulheres mais jovens, então isso nunca acontecia'', disse Nash à Reuters após entrevistar várias namoradas, amigos, colegas e parentes para o livro. ''Mas o que realmente me surpreendeu foi que descobri que ele continuou emocionalmente com uma idade de 15 a 17 anos. Acho que por isso ele continuou gostando de meninas de 14 anos e encontrou muita felicidade em ser mentor delas. Ele próprio estava preso como adolescente'.

Fonte: Belinda Goldsmith/Reuters Life
Foto: Divulgação

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Bienal de Munique 2010 promove estréia de ópera brasileira

A Bienal de Munique, que acontece de 27 de abril a 12 de maio, contará na edição deste ano com presença brasileira. O projeto Amazonas - Teatro Música em Três Partes, com estreia mundial prevista para o dia 8 de maio, tem, além de Klaus Schedl e do ZKM Center for Art and Media Karlsruhe, participação do compositor curitibano Tato Taborda. Com grande trabalho de pesquisa, que também abordará o problema do aquecimento global na região, os compositores contaram com a colaboração dos yanomamis para estreitar o diálogo entre indígenas e europeus. A ópera tem apresentações marcadas em São Paulo, Lisboa e Roterdã.

Fonte: Estadão

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Artistas pernambucanos radicalizam 15 anos após movimento mangue beat

A imagem-símbolo de uma antena parabólica enfiada na lama tinha contornos de utopia quando lançada no manifesto "Caranguejos com Cérebro", documento fundador do mangue beat, em 1992. Num tempo em que internet era privilégio de poucos, a conexão do mangue com o mundo criou uma identidade contemporânea cultural para Recife no ritmo da linha discada.

Era a combinação das tradições pernambucanas, na música, com cultura pop e hip hop, e, no cinema, com os rituais legitimadores do eixo Rio-São Paulo. Ainda assim, era uma novidade radical o suficiente para reverberar até fora do país e transformar a capital pernambucana em polo cultural. O músico Zé Cafofinho, o cineasta Gabriel Mascaro, a cantora Catarina Dee Jah e o também diretor Tião

Duas gerações e incontáveis gigabytes de informação depois, aquela alegoria se mostra profética. Descompromissada da afirmação da "pernambucanidade", uma nova geração de músicos e cineastas --em geral, com menos de 30 anos- faz um elogio ao pluralismo. Bebem tanto no crescimento caótico da metrópole quanto em filmes coreanos que talvez nunca estreiem no Brasil. E promovem uma nova antropofagia global quase instantânea, na velocidade da banda larga.

Os saltos tecnológicos da última década são a força motriz da evolução na produção dos artistas de agora, na opinião de Renato L., 46, um dos mentores do mangue beat e hoje secretário de Cultura do Recife. "Não acho que exista contraponto mas desdobramento. Cineastas como Lírio Ferreira e Cláudio Assis eram muito bem informados. Chico Science fazia sampler do The Fall", lembra. "Só que isso hoje acontece num grau mais exacerbado, pela capacidade dos artistas tanto de digerir informações como de disseminar seus trabalhos."

A sintonia da nova geração é com um "modus operandi" típico do mundo globalizado: produção simplificada e divulgação em redes, pulverizada. Trata-se de uma escolha em termos. O discurso que contesta os meios de produção tradicionais ecoa no limite de recursos do fomento público. Desde 2007, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) ampliou em 200% os recursos para produções independentes. Hoje, conta com orçamento de R$ 6 milhões apenas para a produção audiovisual.

"Antes, o fomento era individual. Quem tinha acesso ao poder é que tinha fomento", diz Luciana Azevedo, 53, presidente da Fundarpe. "Hoje, os recursos estão alocados majoritariamente em editais, democratizando o acesso a eles", discursa. A parabólica na lama ligava, ponto a ponto, Recife a só um outro lugar. No mundo da internet sem fio, todas as conexões podem levar a Recife; e levar Recife a todo lugar.

Fonte: Fernanda Mena/Folha de S.Paulo