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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Documentário de Susanna Lira retrata soropositivas brasileiras

As histórias emocionam não apenas porque revelam a rotina de quem vive há anos com o HIV, vírus causador da aids, mas também porque lembram que a contaminação poderia ter acontecido com qualquer mulher. Silvia, Cida, Heli, Michele, Ana, Maria e Rosário não tinham vida sexualmente promíscua. Pelo contrário.

Silvia e Heli nunca tiveram outros homens além dos maridos. E, por excesso de confiança nos parceiros, nunca pediram que usassem camisinha. O documentário "Posithivas", de Susanna Lira, revela rostos de vítimas de uma estatística que preocupa: 64% das brasileiras com HIV o contraíram dos maridos ou parceiros estáveis.

Especial Aids

O documentário vai ajudar o Ministério da Saúde a sensibilizar brasileiras para que exijam o uso da camisinha de todos os parceiros, seja um namorado efêmero ou um marido de anos. Houve uma exibição na semana passada, no Museu Nacional de Brasília, e outras serão marcadas ao longo das próximas semanas, antes do lançamento oficial. O mérito do filme está na força dos depoimentos das sete mulheres e no modo como elas enfrentam o estigma de serem portadoras do HIV.

Elas repetem, uma depois da outra, porque nunca pediram que o namorado ou o marido usasse camisinha. “A gente acha que o amor imuniza”, resume Heli. Dona de casa, moradora do subúrbio carioca de Piedade, Heli descobriu da pior forma possível que o amor não é tão poderoso assim. Depois de 31 anos de casada, só soube que o marido tinha aids quando ele já estava à beira da morte. Nem bem se refez do susto, descobriu que estava contaminada com o HIV. Convive com o vírus há 14 anos.

Não há médicos ou psicólogos no filme. “A voz da ciência já foi ouvida. O filme é a chance de o público ouvir experiências de verdade”, define Susanna. Para fazer "Posithivas", ela passou um ano frequentando grupos de apoio a mulheres com HIV. Viajou por várias capitais, conversou com mais de 30 mulheres até definir suas “atrizes”.

“São mulheres que se entregam com confiança aos seus maridos e namorados. Casamento é onde nós, mulheres, nos sentimos seguras”, define. Muitas aceitaram dar depoimento, mas sem mostrar o rosto. “Percebi como é grande o preconceito contra quem tem o vírus. Mas preferi só incluir mulheres que topassem mostrar o rosto. Se fizesse diferente, eu estaria ratificando o preconceito. Elas não são criminosas.”

Apesar dos dramas individuais, "Posithivas" mostra mulheres que encaram o futuro com otimismo. “Eu vi um mundo que não tem arco-íris. Mas não fiz um filme para amedrontar as pessoas. São mulheres que lutam para que a vida seja melhor para todo mundo”, diz Susanna.

Fonte: AE e Abril.com.br

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ONU cria fundo de remédios contra HIV

Um "pool de patentes" para a produção de medicamentos a baixo custo contra a Aids começará a funcionar em meados de 2010, informou nesta segunda-feira o Fundo das Nações Unidas para a Compra de Medicamentos (Unitaid). O chamado "Patent pool" permitirá produzir medicamentos antirretrovirais de última geração para os países em desenvolvimento, explicou à AFP o presidente da Unitaid, Philippe Douste Blazy, que qualificou o projeto de "um passo enorme para a humanidade".

A criação deste pool de patentes é resultado de negociações com laboratórios farmacêuticos como Gilead, Tibotec (Johnson & Johnson), Merck e Sequoia, destacou Douste Blazy. As companhias farmacêuticas se comprometeram, de modo voluntário, a abrir suas patentes no "Patent pool", que fará a ligação entre os laboratórios e os fabricantes de genéricos para produzir medicamentos a preços baixos e em quantidades combinadas", incluindo as drogas que integram a triterapia contra a Aids, explicou Dousty Blazy.

Este pool de patentes permitirá ainda produzir medicamentos em doses e embalagens especiais para as crianças, que respondem por 10% das necessidades atuais em matéria de tratamento contra a Aids. Os medicamentos produzidos pelo "pool" serão reservados, exclusivamente, aos países em desenvolvimento, destacou Douste Blazy.

O Fundo das Nações Unidas para a Compra de Medicamentos (Unitaid) é uma estrutura criada para distribuir os recursos gerados com o imposto sobre as passagens aéreas, aplicado a partir de 2006 para financiar programas de combate à Aids. O "Patent pool" deve reunir um total de 19 produtos, de nove empresas farmacêuticas.

Fonte: Veja.Com e AFP

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Brasil é exemplo de políticas públicas anti-HIV, diz OMS

O relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Programa Conjunto da ONU para HIV/Aids (Unaids) tece um elogio à América Latina --com enfoque especial no Brasil-- sobre as políticas de prevenção do HIV, sobre as quais "análises sugerem que ajudou a mitigar a epidemia no país". Na região como um todo, entretanto, o controle epidêmico é "altamente variável".

O número de pessoas vivendo com HIV na América Latina é 2 milhões, de acordo com o relatório --um crescimento de 25% em relação a 2001, quando o número de contaminados era 1,6 milhão. Outros números que aumentaram foram a taxa de crianças infectadas (de 6.200 para 6.900, no intervalo de oito anos apontado pela OMS) e de mortes em decorrência da doença (de 66 mil para 77 mil, no mesmo período de tempo).

Ainda que haja aumento, os dados epidemiológicos, segundo informa o documento, indicam uma estabilização da infecção por HIV na região.

No mundo

No panorama mundial, os dados apontam que o número de novos infectados pela doença reduziu 17% desde 2001. No entanto, o número total de pessoas vivendo com HIV era 20% mais alto em 2008, tendo como base o ano 2000. Prevalece, então, o triplo de contaminados em relação a 1990. Segundo o relatório, o crescimento do número ocorre pela combinação entre novos infectados e o sucesso das terapias antiretrovirais. Em dezembro de 2008, 4 milhões de pessoas receberam remédios antiretrovirais.

Todas as regiões do mundo progrediram quanto à estabilidade (ou queda) do índice de contaminação. A África Subsaariana, que concentra 60% dos infectados no mundo, registra uma queda de 15% em novas transmissões --o que significa, aproximadamente, 400 mil pessoas a menos. Na Ásia Oriental --região na qual se esperava uma explosão da doença-- houve queda de 25% nas contaminações, enquanto o Sudoeste Asiático registrou declínio de 10%. A região com os piores índices é a Europa Oriental, onde a epidemia se "estabilizou" devido ao uso de drogas injetáveis e ao compartilhamento de seringas.

"A boa notícia é que temos evidencias de que as quedas que estamos vendo se devem, ao menos por parte, à prevenção". disse o diretor do Unaids, Michel Sidibé. "Entretanto, as descobertas mostram que, às vezes, os programas de prevenção não resultam em nada, e que se melhorarmos a obtenção de recursos para que os programas atuem onde há mais impacto, haverá um progresso maior e se salvarão mais vidas."

No mundo, cerca de 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com o vírus da Aids. Embora este número signifique um crescimento se comparado às 33 milhões de pessoas infectadas em 2007, um maior número de pessoas está vivendo mais tempo com a doença, por conta da disponibilidade de medicamentos para o tratamento do HIV.

Entre 2007 e 2008, a proporção de pessoas com acesso a tratamento passou de 7% a 42%. Calcula-se que o número de infectados neste período tenha sido 2,7 milhões, e de mortos, menos de 2 milhões. "O número de mortes relacionadas à Aids caiu em mais de 10% nos últimos cinco anos ao passo que mais pessoas ganham acesso a medicamentos que salvam a vida", informa o relatório, cuja elaboração ocorreu a partir de dados compilados em 2008.

Fonte: Folha Online

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

País apura acordo contra acesso a remédio para hepatite

A Secretaria de Direito Econômico (SDE) investiga as empresas farmacêuticas Gilead e GSK por indícios de divisão do mercado brasileiro no fornecimento de remédios de hepatite B. A suspeita de um acordo ilegal surgiu quando o Ministério da Saúde, interessado no uso do medicamento Tenofovir para hepatite B, sugeriu à Gilead que registrasse no País a droga também para tratamento dessa doença. O Tenofovir já era usado para aids. A Gilead alegou que um contrato com a concorrente GSK impedia o registro.

Por e-mail, a norte-americana Gilead reconheceu haver um acordo com a britânica GSK restringindo a venda do Tenofovir para hepatite. Ele teria sido fechado em 2002, quando a farmacêutica concedeu o direito de comercializar o Adefovir - também produzido por ela e indicado para hepatite - à GSK. É uma prática comum empresas concederem o licenciamento de seus remédios a outras farmacêuticas. O contrato traz cláusulas específicas sobre a venda do Tenofovir nos locais onde a GSK comercializa o Adefovir.

A GSK Brasil informou que o contrato entre as duas empresas é global. "Em momento algum a GSK Brasil conversou com a Gilead e jamais houve pedido nosso em relação ao Tenofovir", informou, por e-mail, o gerente de comunicação cooperativa da GSK Brasil, João Domenech. Segundo ele, os acordos firmados pela empresa respeitam a legislação nacional.

Para o procurador-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) - autarquia especializada em fiscalizar e apurar abusos de poder econômico -, se for comprovado o prejuízo à concorrência, as empresas podem ser penalizadas, mesmo em um acordo internacional. "O que importa é a ameaça à livre concorrência", completou. Procurada, a SDE não se manifestou sobre as investigações.

Fonte: Estadão

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

50% dos soropositivos europeus não sabem que têm a doença

Um em cada dois cidadãos europeus contaminados com o vírus HIV desconhece que se encontra infectado pela Aids, disse o médico alemão Jürgen Rockstroh durante a Conferência Europeia sobre Aids na cidade de Colônia, no oeste alemão. "Acreditamos que essa cifra pode ser um pouco maior ainda", afirma Rockstroh.

Diante de uma plateia com cerca de 4 mil especialistas da área de todo o continente, Rockstroh comentou que cerca de 30% dos infectados na Europa Ocidental não sabem que são portadores do HIV, e que a cifra aumenta para quase 70% no leste europeu, com todos eles continuando a transmissão da gravíssima doença. Como o diagnóstico normalmente se dá apenas quando o portador apresenta sintomas mais agudos da doença, a dificuldade de um tratamento eficiente aumenta consideravelmente, como o risco de vida, disse Rockstroh.

Durante a conferência, especialistas europeus discutem sobre medidas para reduzir o índice de mortalidade da Aids, como novas campanhas publicitárias, exames periódicos e maior acesso aos tratamentos. Também foi tratada durante a reunião o tema da vacina para combater o HIV, que ainda pode levar anos para seu processo ser concluído, segundo explicou a médica francesa Francoise Barré-Sonoussi, prêmio Nobel de Medicina. Avanços observados em pesquisas realizadas nos Estados Unidos e na Tailândia pode ser vistos como bons sinais, avaliou a especialista.

Fonte: EFE