segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Canto do Cisne do Futebol Arte

O Canto de Cisne do Futebol Arte

Como todos os fãs do futebol arte, é claro que tenho a maior saudade da seleção de 82. Os caras não ganharam a Copa, mas e daí? Pior pra Copa do Mundo. O que importa é que foi um dos últimos times a fazer arte com a bola nos pés. Arrisco até a dizer que os Meninos da Vila do Santos Futebol Clube de hoje, Ganso, Robinho, Neymar, André, Madson, fazem uns 30% do que aquele timaço de 1982 fazia.

Estamos às portas da Copa da África e vai aqui nesse post minha pequena homenagem ao que chamo de futebol de verdade: sem marra, sem marketing, só na ginga e na genialidade. É isso aí.

Sérgio Augusto


Editor da Academia da Palavra

terça-feira, 1 de junho de 2010

Futebol: "caixinha de surpresas" ou ciência exata?

Não são apenas os torcedores fanáticos que passam horas em frente à TV assistindo a jogos de futebol. Cientistas do mundo inteiro também têm feito isso. Eles tentam extrair números valiosos dos campeonatos, identificando, por exemplo, qual a melhor área do gol para bater um pênalti, ou o que faz bandeirinhas errarem na hora de marcar impedimentos.

O G1 selecionou dez pesquisas que tentam encontrar padrões de comportamento dentro do jogo. A cobrança de pênalti, por ser um momento crucial e mais "controlado", é um dos momentos mais estudados pelos cientistas. Confira os estudos:

1 - Leve deslocamento do goleiro influencia lado que jogador bate o pênalti

Pesquisadores da Universidade de Hong Kong analisaram 200 batimentos de pênalti dos campeonatos mais importantes do mundo e perceberam que o goleiro pode influenciar o lado em que o jogador mira a bola.

Segundo os cientistas, se o goleiro se deslocar entre seis e dez centímetros para o lado, o jogador não percebe conscientemente o movimento, mas aumentam em 10% as chances dele bater do lado oposto à direção em que foi o goleiro. Isso ocorre porque, inconscientemente, o jogador percebe que ali há mais espaço.

2 - Maior parte dos gols é marcada no segundo tempo

Uma análise das três últimas Copas feita pela Universidade de Salônica, na Grécia, mostrou que, em média, os gols ocorrem mais no segundo tempo.

Dividindo a partida em seis partes de 15 minutos, os pesquisadores também descobriram que o último período, entre os 30 e 45 minutos de segundo tempo, é o mais perigoso para os goleiros, pois nas três copas mais de 20% das finalizações de sucesso ocorreram nesse intervalo.

Segundo os autores, a probabilidade de gols aumenta no final da partida por causa da deterioração física, das táticas adotadas e das falhas de concentração.

3 - Bandeirinha que corre muito erra na hora de marcar impedimento

É muito difícil o bandeirinha estar exatamente na linha do impedimento na hora de marcá-lo, mas ainda assim eles conseguem acertar em 94% das vezes, revela um estudo publicado no "Jornal Internacional de Psicologia do Esporte".

Em uma análise feita em quatro jogos, pesquisadores concluíram que, na maioria das vezes em que os bandeirinhas erram, eles estão correndo. Os erros são mais raros quando eles estão parados, ou andando.

4 - Escolher um lado para pular na hora do pênalti não é boa ideia

Há goleiros que escolhem um lado para saltar antes mesmo de observar o batedor. Segundo o estudo da Universidade de Negev, em Israel, essa não é uma boa iniciativa, pois o melhor lugar para ficar durante um pênalti é no centro do gol.

De acordo com os pesquisadores, que analisaram 286 batidas de pênalti, os goleiros não fazem isso porque entendem que pular demonstra esforço, enquanto ficar no meio das traves dá a impressão de que eles não estão agindo.


Um dos temas que sempre causa polêmica entre os cientistas que estudam futebol é saber se as cabeceadas machucam as estruturas internas do crânio.

Um estudo levado a cabo pelo Instituto de Tecnologia da Flórida, por exemplo, mostra que jogadores que cabeceiam com mais frequência podem apresentar problemas de aprendizado, falta de atenção e menos velocidade na hora de processar informações.

Já uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, diz que praticamente não há alterações cerebrais mesmo após sessões intensas de cabeceadas.



6 - Além da mira, pênalti perfeito depende da velocidade

Não basta ter boa pontaria para chutar o pênalti perfeito. Uma pesquisa realizada pelo professor Ronald Ranvaud, da USP, mostra que, além de chutar nos cantos superiores, é necessário fazer com que a bola atinja uma velocidade de pelo menos 80 km/h. Se o chute for mais fraco, as chances de o goleiro defender aumentam.

Segundo Ranvaud, para bater o pênalti perfeito o jogador tem que mirar em uma área que corresponde a um retângulo de 1,8 metro de largura por 1,60 de altura, que fica em cada ângulo do gol.

7 - Comemorar com exagero é perigoso

Um estudo feito por médicos da Turquia com 152 jogadores que se machucaram durante os jogos mostrou que nove deles se feriram durante comemorações exageradas. Grande parte dos problemas eram distensões – ocorridas por causa de "peixinhos" na grama – ou costelas e clavículas quebradas porque um jogador subiu em cima do outro.

8 - Crianças com poucos irmãos têm mais chance de se tornarem goleiros

Um inglês especialista em saúde infantil analisou famílias de 14 times de futebol e descobriu que os goleiros tendem a ter famílias menores. A média de irmãos de um goleiro foi de 1,1, enquanto os que jogam no meio-de-campo têm em média 2,4 irmãos.

Segundo o pesquisador, isso ocorre porque em famílias pequenas os jogos são feitos com poucas pessoas e as crianças são obrigadas a jogar mais no gol, enquanto em famílias maiores é possível revezar as posições.

9 - Na hora do pênalti, melhor não prestar atenção no goleiro

Um estudo da universidade de Amsterdã, na Holanda, mostra que, na hora de bater o pênalti, é melhor o jogador escolher o lado antes de começar a correr. Segundo o estudo, que usou dez jogadores para analisar as cobranças, se o jogador ficar prestando atenção no goleiro e decidir trocar a direção da bola enquanto corre para chutá-la, aumentam as chances de ele mandar a bola para fora ou chutar de forma imprecisa.

10 - Juízes tendem a favorecer time que joga em casa

Pelo menos na Inglaterra, o time que joga em casa tende a ser favorecido pelo juiz. Uma análise de 2.660 partidas mostrou que cartões amarelos e vermelhos são mais aplicados no time visitante.

A pesquisa, realizada por cientistas do Reino Unido e da Nova Zelândia, mostrou também que times que não são favoritos tendem a ser fazer mais faltas. Além disso, times que jogam em casa na presença de muitos torcedores em geral apresentam um jogo mais agressivo, mas sem cometer mais infrações do que a média.

Fonte: G1 

Foto: Dylan Martinez/Reuters

domingo, 30 de maio de 2010

Drummond e os fãs: as cartas que falam


Num papel de carta decorado com adesivos de bichinhos, uma zootécnica de Rio das Ostras (RJ) escreveu, em 16 de fevereiro de 1987: "Querido Drummond, tenho certeza que você sabe o quanto me senti feliz em receber seu livro. Eu esperava que você me respondesse, mas não acreditava. Entende, né? Quase morri. Foi muito bom".

Ela então relata como a correspondência lhe deu sorte, fala do novo emprego na prefeitura, da mudança de casa, do namorado, das leituras. Abre o coração. "Eu poderia te escrever melhor, mas é que que[neste ponto a escrita é interrompida pelo adesivo de um ursinho]ro te escrever como falo, senão não faz sentido. Aí, me perco." Ela se despede com "muitos beijos carinhosos" e deseja "tudo de bom".

A zootécnica de Rio das Ostras, que não foi localizada pela reportagem (assinava Soraia Leraik), é um dos 1.812 correspondentes de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) registrados no arquivo do poeta na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio. É conhecida a sua correspondência com outros grandes escritores, como Bandeira, João Cabral e, especialmente, Mário de Andrade, já editadas em livro.

Menos notória é a relação que criou do nada, por carta, com dezenas, talvez centenas, de desconhecidos --leitores, aspirantes a poeta, professores, mineiros desterrados como ele, curiosos. A Folha revirou os arquivos e, a partir da correspondência passiva, encontrou alguns desses interlocutores nem tão célebres. Descobriu também um Drummond solícito e educado com qualquer remetente (costumava se penitenciar com esparro zombeteiro pela demora na resposta), quase sempre afetuoso. Conforme a demanda, assumia o papel de conselheiro sentimental, tutor literário, comentador das miudezas cotidianas.

Os que conheciam a fertilidade de Drummond no quesito têm certeza que há incontáveis cartas dele espalhadas por aí, prontas a semear acervos e estudos. Na visão do neto Pedro Graña Drummond, responsável pelo espólio do avô, "para ter uma ideia mais ampla dessa correspondência, haveria que fazer um levantamento minucioso, e também anunciando a iniciativa em jornais, para tentar encontrar os destinatários das cartas que ele mandou

Fonte: Fábio Victor/Folha de S.Paulo

Foto: Marisa Cauduro/Folha Imagem

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Ilha de Bergman

Ingmar Bergman é sempre Ingmar Bergman e mesmo em seus momentos menos inspirados ainda é infinitamente melhor que os Burtons e Tarantinos da vida. É o que tenho a dizer após assistir um documentário sobre o cara. Sem nenhuma divulgação ou estardalhaço, eis que lá pelas tantas encontro na locadora "A Ilha de Bergman" e mais por curiosidade o levo pra casa.

Cara, o documentário tem só 83 minutos e nenhuma produção especial, mas é mais rico e profundo que a maioria dos "Homens de Ferro" e "Alices" que andam enchendo as telas e a paciência de quem gosta de cinema. Direto da Ilha de Farö, ali há um Bergman meio receoso de comentar sua obra, meio reticente por admitir que a idade chegou e não pôde fazer a metade do que gostaria.

Fazer o quê, né? Ingmar poderia ter concebido apenas "O Sétimo Selo", ou "A Fonte da Donzela" ou ainda "Gritos e Sussurros" que já seria um mestre. Mas ele abusou da capacidade de criar e ainda soltou "O Ovo da Serpente", "Sonata de Outono", "Persona", "Através do Espelho" e "Fanny e Alexander". Chega né? Já basta e não precisa dizer mais nada.

Quando perguntado sobre seus demônios, o cineasta é mais uma vez provocativo. Diz que tem medo de gatos, cães, pássaros mas não teme a morte. Teme o rancor e o medo, mas talvez não se apiade ou acanhe diante da hora fatal. Chego à conclusão de que Bergman, se tivesse mais uns dez anos de vida pela frente, ainda teria inventado uma forma de neutralizar o tempo, ainda que em gotas.

Isso me faz lembrar a cena de "O Sétimo Selo", quando o cruzado se defronta com a morte e a convida para uma partida de xadrez. Já viu metáfora maior que esta? O cara luta por um ideal, fica cara a cara com a morte, a desafia para um duelo e, diante de uma mar calmo, que por incrível que pareça não conspira couraças, ainda filosofa sobre a infinitude do tempo, isso sem se esquivar de abstrações de tempo e espaço. Só Bergman mesmo!

Dica de um quase cinéfilo: assista "A Ilha de Bergman". No mínimo, o sueco vai te provocar questionamentos e isso já vale o dia. Esse veio mesmo pra questionar e provocar, mas da maneira como só ele sabia fazer: com altas doses de ironia e simplicidade.

Sérgio Augusto
Editor da Academia da Palavra

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Salve the rider on the stom

Sábado passado assisti pela primeira vez em DVD um dos filmes que mais marcou a minha geração e que continua, como disse o diretor Oliver Stone, um "assalto a todos os sentidos": The Doors. Acho que essa foi a vez de número 50, mas oito anos após a última audição.

Muita loucura, poesia, rock, diversão e entretenimento nesse clássico cult. Um show nas telas a atuação de Val Kilmer no papel título e lindas canções e imagens de gabarito para contar um pouco do "Rei Lagarto". Nos extras é que percebi que Stone poderia ter ido muito além do que propunha.

Uma das cenas cortadas da edição mostra o que seria um final alternativo e mis justo para o filme. É linda a penúltima cena, quando a câmera percorre o cemitério Pére Lachaise, em Paris, e mostra os túmulos de Oscar Wilde, Bizet, Moliére, Rossini e, por fim, Jim Morrison.

Enquanto o fundo musical tem a melodia de "Adágio" tocada pelos Doors e Morrison declamando "The severed garden", a tomada se aproxima, aproxima, aproxima e mostra o que seria a última morada do bardo, velas, flores e seu busto em pedra.

Stone deveria ter usado a cena que aperece no DVD extra, que mostra o cemitério e depois Jim abrindo uma porta e sendo conduzido pela luz até uma platéia que parece estar em outro plano de existência. A cena é isso mesmo: Jim saiu da vida para entrar na eternidade e o diretor não sacou que seria esse o final mais adequado ao mito.

Mas deixa pra lá. The Doors foi continua sendo um filmaço, o relato sensível e comovente da trajetória meio Orfeu, meio Dionísio, um pouco Nietzche, um tanto Baudelaire e quem sabe Rimbaud, em seu hedonismo adolescente, de Jim Morrison. Salve Morrison, The Rider on the storm.

Sérgio Augusto

Editor da Academia da Palavra

terça-feira, 13 de abril de 2010

A extinção inglória dos dinossauros de plantão

Fala-se muito hoje em gestão de pessoas, potencialização de resultados, superação de metas, liderança e outros termos que tais. E diante de tantas novidades e palavreados bonitos, percebo algo interessante e, acima de tudo, importante: os chefes intimidadores, chantageadores e que se acham acima do bem e, especialmente, do mal, estão com os dias contados e sua extinção tem tudo pra ser tão inglória quanto a dos dinossauros.

É verdade! Tem muito incompetente por aí que, por ter um cargo de chefia, acredita que vai viver na impunidade a vida inteira. As escolas e universidades, por outro lado, já preparam os alunos para não aceitar constrangimentos vindos do "andar de cima" e a geração que chega ao mercado, por sua vez, já bate de frente e desafia esses dinossauros. O clima fica pesado, é verdade, mas isso já demonstra que o cara que não tratar de se reciclar tende a sumir como a inútil poeira que depois de se misturar a outras substâncias se torna a chuva ácida.

Tive um chefe que certa vez me disse uma frase até hoje inesquecível, uma verdadeira lição de vida: "Sérgio, eu sei que o salário que lhe pago não é o melhor do mundo. Mas você é pago para isso, para pensar". É claro que o repórter aqui ficou lisonjeado; imagina o meu "drama": posso me dar ao luxo de pensar (o que é privilégio de poucos) e ainda ser pago pra isso! Talvez tenha dito isso para menosprezar, mas o efeito foi contrário. E hoje a empresa dele está parada no tempo e no espaço; todas as outras concorrentes que vieram depois cresceram, enquanto aquela, há muito, teima em acreditar que ainda existe. É a vida, irmão. É a vida.

Portanto, os intimidadores de plantão que abram os olhos, pois além de ultrapassados, não deixam boas lembranças ou impressões naqueles que comandam. Bola pra frente rapaziada, e vamos tratar de abreviar, de uma vez, a vida útil desses animais caquéticos.

Saudações

Sérgio Augusto

Editor da Academia da Palavra

domingo, 4 de abril de 2010

Os semi-deuses da bola quadrada

Os clubes de futebol se esforçam, pagos salários inacreditáveis aos jogadores, investem milhões de dólares ou euros em marketing pessoal e os atletas parecem fazer o contrário: cada vez mais se mantém longe dos torcedores, como se tivessem alguma doença contagiosa. Não vou me alongar e para isso vou citar dois exemplos aqui mesmo da minha cidade, Belém do Pará.

Palmeiras e Santos vieram aqui jogar contra Paysandu e Remo, respectivamente, pela Copa do Brasil. Os torcedores dos times paulistas, que são muitos por estas bandas daqui, fizeram fila, organizaram charangas, um grande carnaval no aeroporto, à espera das duas equipes. O Palmeiras veio primeiro e, assim que o avião pousou na pista, a festa aumentou.

Pra decepção de todo mundo um ônibus entrou na pista e pegou os jogadores ali mesmo, saindo, literalmente, pela porta dos fundos. O máximo que alguns poucos "privilegiados" conseguiram foi pegar autógrafos no saguão do hotel onde a delegação alviverde ficou hospedada.

Dias depois foi a vez dos Meninos da Vila baixarem por aqui, com seu futebol alegre, contagiante, e as coreografias para comemorar gols que já viraram marca registrada. Parecia replay da "bola nas costas": ônibus na pista, saída pelos fundos, nada de autógrafos e uma verdadeira odisséia pros caras poderem falar à imprensa local.

E, há três dias, aquela situação mais que constrangedora da delegação santista quase inteira ficar no ônibus e se recusar a entrar num lar espírita, em São Paulo, onde crianças portadoras de necessidades especiais, que nos jogadores enxergam verdeiros super-heróis, os esperavam ansiosamente. Desculpas: a maioria dos jogadores é evangélico e receou entrar em um lugar cujos ritos religiosos são diferentes do que eles praticam. E tem mais: testemunhas dizem que dentro do ônibus do time um pagodão rolava solto, enquanto as crianças se lamentavam na casa beneficiente.

Aí pergunto: qualé a desses jogadores? Que eu saiba Pelé, Zico, Raí, Dirceu, Éder Alexo, Romário, Roberto Dinamite e outros craques de verdade nunca se recusaram a atender os fãs, muito menos saíam pela porta dos fundos de hotéis e aeroportos para evitar contato com os torcedores. Vou mais além: nem no Santos, nem no Palmeiras há jogadores do quilate desses que mencionei acima.

Eu mesmo, quando garoto, ia pra porta do hotel pra ver de perto Zico, Romário, Raí e nunca vi os caras ignorando os fãs. O Santos de hoje tem lá seus bons valores, mas no caso de um Zico, um Romário ou um Pelé, seriam honrosamente reservas dos mitos. Será que pensam que já são maiores que craques de verdade, no caso dentro e fora dos gramados? Pois pra mim esse tipo de atitude arrogante é coisa de semi-deus da bola quadrada

Fica o questionamento desse cronista esportivo que vos escreve.

Saudações



Sérgio Augusto



Editor da Academia da Palavra

sábado, 27 de março de 2010

Um viva aos competentes

Nada mais desagradável que a pretensão para tentar encobrir a pura e simples incompetência. Não precisa ir muito longe para identificar os tipos que acreditam ser algo além que um palmo diante de seus próprios narizes. E o pior é que a gente encontra esse tipo de gente toda hora e em todos os lugares. Já notou como, geralmente, o comodismo vem de mãos dadas com a pretensão? Quantas e quantas vezes já não vimos gente madura, idosa mesmo, cantando aos quatro ventos, e em voz alta, que tem tantos e tantos anos de profissão para justificar algum vacilo?

Dia desses testemunhei uma discussão entre dois motoristas. O taxista além de mudar de faixa sem sinalizar, ainda bloqueou o trânsito, parando bem no cruzamento, para um passageiro entrar no táxi. Uma senhora que vinha logo trás, com os filhos ainda fardados do colégio, gritou que estava atrasada e o cara se enfureceu. Lá pelo meio da baixaria ele soltou a pérola: "Minha querida, sabe há quantos anos eu tô na praça? Trinta anos". Pensei então: e daí? Desde quando tempo de profissão significa competência e dá imunidade pro cara fazer a idiotice que quiser?

Somando a tantas outras idiotices que já ouvi, tipo "Faço isso há 20 anos" e "Tenho 40 anos de profissão", chego à conlusão que, no Brasil, a senha para encobrir a mediocridade se chama "Tempo de Profissão". Com todo o respeito aos profissionais de verdade, mas quem usa os cabelos brancos como imunidade para suas barbeiragens é, no mínimo, um amador.

E VIVA A VERDADEIRA COMPETÊNCIA!!!

Abraços a todos

Sérgio Augusto



Editor da Academia da Palavra

sábado, 20 de março de 2010

20 anos sem Zacarias

Aos 20 pensamos que seremos jovens e indestrutíveis para sempre. Aos 30, já não dá mais para passar o dia na rua, a pé, sem uma quase estafa na hora de dormir. E quando olhamos pra trás? Já percebeu que ficamos com a impressão de que tudo passou rápido demais?

Mais uma vez tive essa sensação dia desses, quando assistia TV e, lá uma hora, aparece aquela carinha risonha do Zacarias, personagem do ator Mauro Gonçalves e que faz parte da mitologia dos anos 80. Quase caio da cadeira quando o locutor disse que já se foram 20 anos desde que o Zaca partiu. Pode? O pior é que pode.

Eu tinha 14 pra 15 anos quando assisti no Fantástico a comoção que foi aquele domingo, quando o humorista faleceu. Já tô batendo nos 3 ponto cinco e ainda é estranho dizer que ele morreu, quando ele parece tão presente.

Me respondam qual era o menino ou menina dos anos 80 que não largava tudo o que estava fazendo e corria para a frente da TV, por volta de 19h, quando tocava a musiquinha de abertura dos Trapalhões? Lá na minha rua a molecada parava a bola sagrada das tardes (que entrava pelas noites) de domingo, subia os andares do prédio de escada mesmo e não voltava mais. Era um magia, um humor inocente, lúdico, como não mais se fez.

Não venham me chamar de saudosista, que isso é quem só gosta de passado e não valoriza o presente. Mas que dá uma vontade enorme de voltar a ser criança, quando se assiste aquela caixa de DVD dos Trapalhões, ah, isso não tem como evitar.

Mas o melhor disso tudo é saber que nossa infância foi feliz e que, cada vez que revemos os "Trapas", volta toda aquele sentimento, aqueles sonhos, aquela vontade e conquistar que só a criança tem. Esses pequenos momentos são a felicidade e relembrá-los faz muito bem ao coração.

Valeu Zaca

Abraços a todos

Sérgio Augusto


Editor da Academia da Palavra

terça-feira, 16 de março de 2010

Pesquisadores descobrem peça "perdida" de Sheakespeare

Uma peça que foi descoberta pela primeira vez há 300 anos agora foi considerada de autoria de William Shakespeare, entre seus autores. A obra, cujo título é "Double Falsehood" (traição dupla, em tradução livre), foi escrita por Shakespeare em parceria com outro dramaturgo, John Fletcher. O empresário teatral britânico do século 18, Lewis Theobald, apresentou a peça como uma adaptação de outra obra de Shakespeare, mas ela foi considerada uma falsificação.

Agora, os acadêmicos da editora britânica da obra do bardo, a Arden, acreditam que Shakespeare escreveu grande parte da obra. Os pesquisadores acreditam que a peça é baseada em um trabalho perdido há muito tempo chamado "Cardenio", que já era baseado na obra "Don Quixote", de Cervantes. "Acho que o toque de Shakespeare pode ser notado no Primeiro Ato, Segundo Ato e, provavelmente, nas duas primeiras cenas do Terceiro Ato da peça", disse à BBC o professor Brean Hammond, da Universidade de Nottingham.

Hammond acredita que "Double Falsehood" tenha sido escrita pouco depois da publicação da tradução de "Don Quixote", em 1612. A peça foi apresentada pelo menos duas vezes em 1613. Hammond é o editor da última coleção de obras de Shakespeare para a Arden, que já inclui a obra. "Pelo menos metade das peças [de Shakespeare] escritas no período foram escritas em colaboração", disse Hammond.

Já é aceito que Shakespeare escreveu outras duas peças com Fletcher no final de sua carreira, "Henrique 8º" e "Dois Nobres Parentes".

Fonte: BBC