domingo, 28 de fevereiro de 2010

ISTO É BRASIL: tarifa de energia no País é uma das mais caras do mundo

Em meio a uma sucessão de apagões, o brasileiro paga uma das tarifas de energia mais caras do mundo. Segundo levantamento da consultoria Advisia, por encomenda da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), as tarifas no País só perdem para as cobradas na Alemanha, numa comparação com 7 países industrializados.

O levantamento aponta que a tarifa paga pelo consumidor brasileiro - seja residencial ou industrial - é mais alta do que as do Canadá, Estados Unidos, Noruega, França e México. O estudo usa dados de 2007, por causa da defasagem nos sistemas internacionais de consulta, como a Agência Internacional de Energia (AIE). Mas, segundo especialistas, a relação não mudou substancialmente.

Na época, a tarifa residencial média no Brasil era de US$ 184 por megawatt-hora (MWh) e a industrial, de US$ 138 por MWh. O valor mais baixo para residências era encontrado na Noruega, de US$ 48 por MWh. No segmento industrial, o Canadá tinha a melhor tarifa: US$ 68 por MWh. Na Alemanha, que tinha as maiores tarifas, os consumidores residenciais pagavam US$ 212 por MWh e os industriais, US$ 84 por MWh.

"Deveria haver alguma relação entre custo de energia e qualidade, até porque boa parte da tarifa brasileira é referente a encargos, incluindo o sistema de transmissão, que está falhando", comenta o presidente da Abrace, Ricardo Lima. Ele cita ainda os Encargos sobre Serviços do Sistema, outra taxa paga para manter a confiabilidade no fornecimento. Ao todo, os encargos e impostos representaram metade do custo da energia comprada pelas indústrias brasileiras em 2007.

A área energética do governo cita justamente a carga tributária como fator preponderante no alto preço da eletricidade, pois o custo da produção de energia está entre os mais baixos do mundo. A sucessão de falhas, seja em linhas de transmissão ou redes de distribuição, indica que a relação entre custo e qualidade, indicada por Lima, está desproporcional.

Os dados de 2009 ainda não foram fechados, mas especialistas avaliam que os últimos meses foram muito ruins. Esta semana, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou uma multa de R$ 9,5 milhões à distribuidora Light por interrupções no fornecimento nos meses de novembro e dezembro. Nesta semana, o governo de São Paulo voltou a cobrar explicações da Eletropaulo pelo mesmo motivo.

O levantamento da Advisia indica ainda que, entre os países pesquisados, o Brasil teve o maior aumento de tarifas industriais no período, de 21,6% ao ano, ante 12,7% no México e 1,2% na Alemanha.

Fonte: AE

Geração 2000 celebra Guilherme Arantes, tido como "brega" nos anos 80

É o fim do exílio. O novo show de Guilherme Arantes sinaliza que os tempos estão mudados. Só agora, quase duas décadas depois do que poderíamos chamar de "início da decadência" do cantor, sua música volta a ser reconhecida por suas qualidades reais. E começa a se desvincular de rótulos preconceituosos que lhe vinham sendo pregados desde então.

"O pessoal dos anos 80 me chamava de brega --coisa que eu de fato era naquelas circunstâncias", diz o cantor. "No reinado do pop-rock, era vetado ao homem ter sentimentos. E eu, como o Erasmo Carlos, não tinha pudor nenhum de rasgar as emoções. Agora, estou me vingando da isolada que esse pessoal me deu. A mesma coisa que me fez maldito ali, hoje me dá a chance de perdurar".

E essas chances vêm aumentando. De um par de anos para cá, as velhas canções de Guilherme têm se tornado cada vez mais constantes no repertório de artistas --principalmente das vozes femininas. Vanessa da Mata fez versão para "Um Dia, um Adeus", que acaba de entrar na trilha da novela global "Cama de Gato". Zélia Duncan releu "Cuide-se Bem" em CD e DVD ao vivo --mesma música escolhida por Bruna Caram para fechar seu CD "Feriado Pessoal". Adriana Calcanhotto incluiu "Meu Mundo e Nada Mais" no show mais recente, e também deve lançá-la em DVD.

Guilherme reconhece que foi resgatado pelas cantoras, "para quem o sentimento está liberado". Mas aponta no seu instrumento de apoio outra razão que pode ter colaborado nesse processo de revalorização. "O piano entrou em desuso depois da fase áurea do pop, de tão usado que foi pelo Duran Duran, pelo RPM e por mim mesmo", diz. "Mas, passado esse tempo de descanso, voltou com tudo agora, tanto lá fora, em bandas como o Coldplay, como por aqui, no trabalho de caras novos como o [Daniel] Ganjaman e [Marcelo] Jeneci."

E é só esse instrumento --um piano de cauda-- que Guilherme usa para fazer o show de hoje. Estão na lista todas as canções que agora também são de Vanessa, de Zélia, de Bruna, de Adriana. Mas também duas dezenas de outras que ainda estão à espera do redescobrimento. Já se vão 34 anos desde a estreia fonográfica de Guilherme Arantes, e, vá lá, uns 25 do estrondoso apogeu comercial. O momento atual, dá para apostar, é de igual importância no desenrolar dessa história.

Fonte: Marcus Preto/Folha de S.Paulo

Novos rumos no mercado: iniciantes podem ensinar seniores, diz especialista

Em vez de travarem uma batalha para decidir quem está certo sobre o que deve ser feito na empresa, o profissional recém-chegado ao mercado e o sênior que ajudou a construir a corporação devem unir competências e aspectos geracionais, opinam especialistas. Para o consultor Peter Cheese, ex-diretor da divisão global de desempenho da Accenture, os gestores devem ouvir as reivindicações da geração Y. "Eles estão certos quando pedem, por exemplo, 'feedbacks' e planos de carreira mais transparentes", defende. "Precisamos fazer um bom trabalho para todos os empregados."

Ele concorda que gestores evitam candidatos com características excessivas da geração, pois muitos precisam "acordar para realidade". "É possível que a crise estimule isso aqui no Reino Unido", especula Cheese. Por isso ele recomenda cooperação entre gerações e sugere que os mais velhos também recebam treinamento dos mais novos. "É o 'reverse mentoring' [aconselhamento reverso, em tradução livre]. Tem algumas coisas que os mais velhos não entendem muito bem. A ideia é que os mais novos expliquem."

Dificuldades setoriais

Entretanto, nem todos os setores possuem capacidade de sempre ouvir esses jovens demandantes, que cresceram em meio a relações de pouca hierarquia e de muita atenção de pais e de professores. Bancos, agências de publicidade e empresas da área de tecnologia da informação têm mais facilidade para isso do que setores industrial e de infraestrutura, afirmam especialistas. Isso porque os projetos dos últimos têm prazos mais longos, enquanto os dos demais requerem muita inovação.

No banco Santander, por exemplo, a diretora de recursos humanos Paula Giannetti afirma que ser Y em excesso não é fator de corte para os processos de seleção que coordena. "Achamos o Y muito atrativo. Ele gosta de tomar riscos e se preocupa com sustentabilidade", afirma. Segundo ela, os jovens dessa geração mostraram que não pensam necessariamente em sair da empresa, mas sim em receber desafios constantes. "Eles fazem o feijão com arroz e pedem mais, então temos que pensar em outros projetos para mantê-los motivados".

Tempo relativo

Eline Kullock, presidente do Grupo Foco, atenta para uma diferença crucial ao conciliar gerações: a administração do tempo. "Os jovens querem reuniões de até uma hora, enquanto seus chefes preferem que elas durem quatro. É preciso achar um meio-termo".

Ela usa a metáfora do navio para pedir mais calma: "Os Ys devem mostrar que conseguem conviver em um ambiente que não é o dos amigos ou o de dentro de casa. A rapidez das empresas é outra. Cada uma é um navio. Mesmo que tenha poucas regras ou burocracia, demora um tempo para que mudem de direção".

Fonte: Folha de S.Paulo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

U2, a banda mais lucrativa de 2009

Se o dinheiro faz o mundo girar, a turnê do U2, batizada de “360 graus”, prova que a frase está certa. O grupo irlandês lidera a lista da Billboard dos artistas mais lucrativos de 2009. No ano passado, Bono e companhia ganharam mais de US$ 108 milhões. O roqueiro Bruce Springsteen ficou em segundo lugar, com US$ 57 milhões, seguido da cantora Madonna, em terceiro, com US$ 47 milhões.

AC/DC e Britney Spears lucraram US$ 43 milhões e US$ 38 milhões, respectivamente. A lista da Billboard leva em conta o lucro obtido com turnês, vendas de CDs e faixas digitais, além de royalties de publicidade. No ano passado, Madonna ficou no topo da lista, enquanto Springsteen ficou em terceiro.

Fonte: AP

Começou a briga, em Hollywood, pelo papel principal no filme Capitão América

A Marvel está fazendo testes para encontrar o ator que fará o papel de Steve Rogers, o alter ego do personagem-título em seu filme "Capitão América". O filme mais recente de super-heróis da empresa será dirigido por Joe Johnston ("O Lobisomem") e conta a história do rapaz jovem, de saúde frágil, que é rejeitado quando quer prestar serviço militar e acaba virando símbolo de liberdade da América na segunda Guerra Mundial e, mais tarde, membro da equipe de super-heróis Vingadores da Marvel.

Cerca de sete atores já passaram para a linha de frente dos testes dos soldados especiais, já tendo feito testes ou estando prestes a fazê-los nesta semana e na próxima na sede da Marvel, em Manhattan Beach, Califórnia. Entre os nomes que se sabe estarem na lista, estão John Krasinski (de "The Office"), Michael Cassidy (que apareceu em "Smallville" e fez um teste para o filme de Superman), Patrick Flueger (um dos astros de "The 4400", visto mais recentemente no filme "Entre Irmãos", com Tobey Maguire), Scott Porter (do seriado "Friday Night Lights"), Wilson Bethel ("Generation Kill") e Mike Vogel ("Cloverfield - O Monstro").

Garret Hedlund, que já está em "Tron", da Disney, também constava da lista dos atores a serem testados, mas saiu dela, pelo menos por enquanto, em função de problemas em seu cronograma de trabalho. Mas pessoas bem informadas dizem que é possível que ele ainda faça o teste. Jensen Ackles é outro ator que teve problemas com seu cronograma.

O estúdio está mantendo os atores parados, sem poderem assumir outros compromissos, por 30 dias durante o processo de testes. Fontes avisam que é possível que nenhum ator apropriado seja identificado nos testes, como aconteceu durante a busca realizada pela Marvel pelo homem que encarnaria "Thor". Para esse filme, que está sendo rodado agora em Manhattan Beach, o estúdio fez várias rodadas de testes, mas acabou encontrando seu astro, Chris Hemsworth, apenas em fase posterior dos trabalhos, tendo inicialmente não dado atenção a seu vídeo de teste.

A Marvel procura alguém mais ou menos jovem e que seja capaz de parecer muito másculo, mas, segundo fontes bem informadas, um dos requisitos chaves também é que o ator seja norte-americano. Até agora nenhum ator britânico ou australiano foi considerado seriamente, embora isso seja possível se o estúdio não encontrar candidatos ideais nascidos na América.

Fonte: Reuters

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Caixa com 34 filmes conta a trajetória de Clint Eastwood

Clint Eastwood começou e terminou dois filmes no ano passado, assim como lançou outros dois em 2008 e dois em 2006. O ritmo de trabalho do diretor de 79 anos é intenso, mas ele nunca gastará mais de alguns meses numa produção. "Quatro semanas está ótimo", brinca Eastwood, num evento para convidados em Los Angeles, na semana passada. "Acho ótimo que alguém queira fazer filmes como "Avatar", "Distrito 9", adoro efeitos especiais, são muito divertidos. Mas eu ainda gosto de fazer filmes que contam histórias [...] E adoro ter uma vida, uma família."

Eastwood rodou o inédito "Hereafter" em 2009, um thriller sobrenatural sobre três pessoas que tiveram experiências de quase morte, além do recém-lançado "Invictus". "Às vezes, eu penso em parar [de trabalhar] por um tempo, mas daí aparece aquele roteiro ótimo...", disse, num auditório lotado, num museu da cidade. A prolífica carreira do diretor americano, vencedor de quatro Oscars, está sendo celebrada com uma caixa com 19 DVDs e 34 filmes, para comemorar as quase quatro décadas de parceria com os estúdios Warner Bros, iniciada para valer em 1971, com "Perseguidor Implacável" ("Dirty Harry").

No Brasil, deve ser lançada em julho uma caixa com cinco DVDs, ainda sem títulos definidos, com um livro de luxo e um documentário de 20 minutos. A coleção completa está à venda na Amazon.com por US$ 129 (cerca de R$ 260); ficaram de fora os "spaghetti westerns" com Sergio Leone e sua estreia na direção ("Perversa Paixão", 1971), já que não são da Warner. O livro e o curta-metragem são assinados por Richard Schickel, 77, amigo de longa data e crítico veterano da revista Time, que já escreveu uma extensa biografia de Eastwood.

"Os críticos não gostavam de seu trabalho no início", disse Schickel a um grupo de jornalistas estrangeiros. "Também não gostei quando vi pela primeira vez [os faroestes com Leone], acho que eu era muito tradicionalista [...] Eu já pedi desculpas até, só fui entender uma década depois [...] O mesmo aconteceu com "Dirty Harry", eu achava que era um bom filme, mas não tudo isso. Acho que tive medo de dizer, porque todo mundo estava tão maravilhado. Mas hoje adoro."

O curta é uma colagem de filmes de Eastwood, intercalados por cenas do diretor visitando os estúdios Warner, entre cenários antigos, o guarda-roupa com figurinos históricos e a sala de música instrumental que ganhou seu nome. É uma obra chapa-branca, ou seja, sem detalhes dessa relação diretor-estúdio, que costuma ser sempre bastante conflituosa.

"Clint fica muito confortável quando estou circulando com a câmera. O filme é bem leve, não é um estudo pesado, sério sobre seu trabalho", explica Schickel.

Fonte: Fernanda Ezabela/Folha de S.Paulo

Foto: Divulgação

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Mosquito transgênico é criado por cientistas para conter a dengue

Pesquisadores americanos e britânicos estão criando um tipo de mosquito transgênico em um esforço para conter a propagação da dengue. O vírus que provoca a dengue se propaga através da picada da fêmea do mosquito Aedes Aegypti e não há vacina para a doença. Segundo especialistas, a dengue afeta até 100 milhões de pessoas por ano e ameaça mais de um terço da população mundial.

Cientistas esperam que os machos transgênicos que estão criando cruzem com fêmeas para produzir outras fêmeas que herdem um gene que limita o crescimento das asas. Essas fêmeas têm sua capacidade de voar limitada, o que resultaria na supressão da população do mosquito. O estudo foi publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences.

Malária

Os pesquisadores dizem que seu trabalho oferece uma alternativa segura e eficiente a inseticidas e pode ser usado para impedir a propagação de outras doenças através de mosquitos, como a malária. Anthony James, da Universidade de Califórnia - Irvine, disse: "Os atuais métodos de controle não são eficazes o suficiente, e são urgentemente necessários novos (métodos)".

"O controle do mosquito que transmite o vírus pode reduzir significativamente a (...) mortalidade humana". O chefe da pesquisa, Luke Alphey, da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, e proprietário de uma companhia de ciência aplicada, Oxitech Ltd, disse que a abordagem científica tem um foco bem específico. "A tecnologia é totalmente específica para uma espécie, já que os machos liberados vão cruzar só com fêmeas da mesma espécie".

"Uma outra característica atraente deste método é que (...) todas as pessoas em áreas tratadas estarão igualmente protegidas, independente de suas posses, poder ou grau de instrução". Hilary Ranson, da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Liverpool, na Grã-Bretanha, disse que este trabalho científico é um grande avanço.

"Será um desafio logístico produzir e liberar um número suficiente de mosquitos machos e não vai ser barato. Mas pode ser realizado com os recursos adequados". Ranson disse que a dengue é uma doença ideal para ser combatida dessa maneira porque é propagada por apenas algumas poucas espécies de mosquito. Segundo a acadêmica, seria mais difícil usar técnica semelhante no combate à malária por causa da variedade de mosquitos portadores.

Fonte: BBC Brasil

Três em cada quatro empresas sofreram ataques cibernéticos em 2009, diz relatório

Uma pesquisa realizada por uma empresa especialista em segurança na internet indica que 75% das empresas no mundo todo sofreram algum tipo de ciberataque em 2009, o que gerou gastos em média de US$ 2 milhões por empresa. O relatório anual da Symantec, chamado 2010 State of the Enterprise Security (Estado da Segurança das Empresas, 2010, em tradução livre), pesquisou 2,1 mil empresas em 27 países durante o mês de janeiro, entre elas, 73 empresas no Brasil.

A pesquisa indicou que 42% das organizações consideram que estes ataques virtuais são a principal ameaça que enfrentam, acima até das atividades criminosas tradicionais (17%) ou desastres naturais (14%). Estas empresas afirmam que está difícil garantir a segurança contra ataques cibernéticos devido à falta de funcionários, já que muitos cargos foram cortados durante a crise econômica mundial.

"Proteção da informação, atualmente, é mais desafiante do que nunca", afirmou Francis deSouza, vice-presidente do setor de segurança de empresas da Symantec. "Ao estabelecer um plano para proteger sua infraestrutura e informações, aplicar políticas de tecnologia e gerenciar sistemas de forma mais eficiente, as companhias poderão aumentar a competitividade", acrescentou deSouza.

Aumento

Outro problema apontado pelas empresas pesquisadas é o aumento no uso da conectividade, com funcionários baixando dados corporativos para dispositivos privados. Entre as empresas pesquisadas pela Symantec, 29% também relataram um aumento nos ciberataques nos últimos 12 meses. Todas as empresas que sofreram ataques registraram perdas devido ao problema em 2009. As perdas mais frequentes foram por roubo de propriedade intelectual, roubo de informações de cartões de créditos de clientes ou outras informações financeiras, e roubo de informações pessoais de clientes que podem ser identificadas pessoalmente.

Entre as recomendações feitas pela Symantec para o aumento da segurança virtual das empresas é a proteção da infraestrutura (ambiente de rede, mensagens), proteção da informação da empresa e o desenvolvimento e aplicação de novas políticas de tecnologia nas empresas.

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ainda em 2010 deverão começar testes com células-tronco em humanos

Os primeiros testes com células-tronco em seres humanos estão próximos de acontecer, relata o cientista Stevens Rehen, um dos maiores especialistas do Brasil nesse assunto. Segundo o pesquisador, que trabalha na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quem está mais próximo de testar uma terapia usando células-tronco é a empresa Geron, dos EUA, que estuda técnicas para regenerar lesões na medula espinhal.

Na semana passada, um estudo da Universidade Stanford provou que é possível converter células da pele diretamente em neurônios, sem que seja necessário transformá-las antes em células-tronco. Em entrevista ao G1, o cientista comemorou os resultados da pesquisa, mas ressaltou que ainda são necessários testes para saber se o procedimento não gera teratomas – tumores que podem aparecer em tecidos humanos gerados com células-tronco.

O pesquisador também alertou para novos dilemas éticos que podem surgir com o avanço das descobertas na sua área. Confira, abaixo, a conversa com Stevens Rehen. Para entender melhor o assunto, veja no infográfico quais são os três métodos conhecidos para mudar a função das células e torná-las úteis no tratamento de doenças.

G1 - A empresa norte-americana Geron está tentando há algum tempo fazer testes com células-tronco em humanos para tratar lesões da medula, mas não consegue autorização. Em que área você acha que vai surgir o primeiro teste para um tratamento?

Stevens Rehen - Ainda acho que será o pessoal da Geron, mesmo. Fui lá em 2008, conversei com eles, e o trabalho é interessante. Eles estão tentando se cercar para evitar algum efeito colateral. O que fez o FDA [agência responsável pelo controle de drogas e alimentos nos EUA] segurar essas pesquisas é que alguns animais que receberam essas células apresentaram um cisto no local da injeção. Segundo eles, não tinha característica de um teratoma, mas era um cisto, e isso assusta todo mundo. O primeiro teste provavelmente será feito com paraplégicos.

G1 - É possível prever quando serão feitos os primeiros testes?

Stevens Rehen - O FDA pediu para a Geron rever os resultados e tentar explicar o motivo dos cistos. Eles estão trabalhando como loucos para isso. Eu não me surpreenderia se os testes começassem ainda neste ano. Mas como é uma área que tem muita atenção da sociedade, que tem uma visibilidade muito grande, qualquer procedimento que seja mal feito pode jogar por água abaixo um investimento de muitos anos.

G1 - Uma pesquisa recém-divulgada pela Universidade Stanford reforça a ideia de que as células embrionárias podem não ser necessárias para reprogramar a função das células. Isso traz alívio para a discussão sobre o uso de embriões?

Stevens Rehen - Talvez tenha aliviado o dilema ético na utilização de embriões, mas vão surgir outros até mais complicados. Imagine, por exemplo, se você conseguir retirar pele de uma pessoa e gerar um óvulo. Em seguida esse óvulo será fecundado, e você terá a geração de uma pessoa a partir da pele de alguém que talvez nem saiba que tenha doado aquela pele.

Imagine que alguém tenha tirado um pedaço de pele do Michael Jackson, e que daqui a alguns anos essa pele seja reprogramada em espermatozóides e dê origem a um filho legítimo dele. "Um exemplo um pouco mais bizarro: imagine que alguém tenha tirado um pedaço de pele do Michael Jackson antes de ele ser sepultado, e que daqui a alguns anos essa pele seja reprogramada, se transforme em espermatozóides e dê origem a um filho legítimo dele.

Mas vale a pena ratificar que as células-tronco embrionárias ainda não perderam importância. Os possíveis transplantes que estão sendo estudados ainda vão ser realizados com as células-tronco embrionárias.

G1 - Quais as vantagens que o método recentemente descoberto, de transformar células da pele diretamente em neurônios, traz para o estudo com células-tronco?

Stevens Rehen - O grande desafio para quem trabalha com célula-tronco embrionária ou célula pluripotente [que pode se transformar em outras] é que você não tem como garantir que cem por cento do que você diferenciou [transformou em outra célula] vai virar neurônio. Se sobrar um por cento daquelas células que tenha característica pluripotente, isso pode ser um perigo, porque essa célula pode se transformar em um teratoma, virar um câncer.

No caso da pesquisa de Stanford, eles sugerem que isso está mais seguro, pois é intuitivo você pensar que aquelas células não têm capacidade de virar um teratoma, pois elas estão indo direto da forma de pele para neurônio. Mas eu senti falta de um ensaio de teratoma, um teste em que você injeta essas células em um camundongo para ver se elas podem gerar tumores.

G1 - Como está o Brasil no estudo das células-tronco em relação aos outros países ?

Células da pele são transformadas diretamente em neurônios, diz estudo Holandeses desenvolvem carne de porco com célula-tronco suína EUA autorizam pela 1ª vez pesquisa com células embrionárias humanas UFRJ inaugura laboratório para criar linhagens de células-tronco Califórnia destina US$ 200 milhões para pesquisa aplicada com célula-tronco

Stevens Rehen - Temos a Rede Nacional de Terapia Celular, associada ao Ministério da Saúde, que é formada por oito grandes laboratórios nacionais e mais 52 laboratórios que estão recebendo verba do governo para trabalhar com terapia celular.

Há gente fazendo desde terapia experimental para diabetes – com seres humanos, usando células da medula óssea – até gente fazendo reprogramação celular. Também um grupo que está usando células da medula óssea para tentar tratar acidente vascular cerebral, cardiopatia, doença de Chagas. São tratamentos que serão muito mais baratos do que o disponível hoje para esses pacientes, e que poderiam ser usados no SUS. Nessas pesquisas estamos muito bem posicionados.

E há um grupo, ainda pequeno no pais, interessado em trabalhar com células-tronco embrionárias e com células de pluripotência induzida [veja infográfico]. Para isso, ainda falta massa crítica. É uma área muito nova, e a comunidade científica brasileira ainda é muito pequena em relação ao tamanho país. Nessa área, não podemos competir com os EUA, Inglaterra, Austrália, Japão e nem mesmo com a China, mas estamos bem posicionados na América Latina.

Fonte: Iberê Thenório/G1

Migração: Cuba e EUA iniciam conversações

Autoridades de Cuba e dos Estados Unidos iniciaram na sexta-feira uma nova rodada de conversações sobre assuntos de migração, buscando manter aberto um canal de comunicação após os recentes tropeços diplomáticos que afetaram as tentativas de os dois inimigos melhorarem seus laços. A reunião começou pela manhã em um lugar não revelado de Havana, disse uma fonte diplomática norte-americana.

Essa é a segunda reunião desde que as negociações sobre migração foram retomadas em julho de 2009, após um parêntese de seis anos, o que foi interpretado então como um sinal de aproximação do governo do presidente Barack Obama. Os contatos em Havana, no entanto, ocorrem em um clima pouco otimista e sob a sombra da detenção, em dezembro passado em Cuba, de um contratista norte-americano acusado de distribuir equipamentos de satélites ilegais a dissidentes.

"As discussões ocorrerão na melhor forma a promover uma emigração segura, legal e ordenada entre Cuba e os Estados Unidos", disse o Departamento de Estado em um comunicado. A delegação norte-americana é chefiada pelo subsecretário do Escritório de Assuntos Hemisféricos do Departamento de Estado, Craig Kelly, que poderá abordar a situação do contratista durante as conversações.

Cuba sugeriu que o contratista trabalhava para os serviços de inteligência dos EUA. Washington nega. O presidente cubano, Raúl Castro, disse que a detenção dele demonstra que Obama busca acabar com o sistema socialista de Cuba, assim como seus antecessores. Cuba e EUA têm previsto emitir comunicados ao final das negociações sobre migração na tarde de sexta-feira.

Ambos os governos declararam-se satisfeitos após a primeira rodada realizada em julho passado em Nova York. A imigração é um tema delicado em Cuba, que acusa os EUA de fomentar a emigração ilegal para tentar desestabilizar o sistema socialista do país. Os dois países firmaram um acordo migratório em 1995 para frear o êxodo de balseiros cubanos em meio à severa crise econômica após o fim da União Soviética.

Cuba comprometeu-se a deter as saídas ilegais e os EUA a devolver os emigrantes interceptados em alto mar e entregar 20 mil vistos anuais a cubanos.

Fonte: Esteban Israel/Reuters