quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Médicos brasileiros refutam diretriz americana para mamografia

Em nota oficial, a Sociedade Brasileira de Mastologia refutou a nova recomendação norte-americana para rastreamento de câncer de mama, que indica a mamografia de rotina a partir dos 50 anos, em intervalos de dois anos, para mulheres que não pertencem aos grupos de risco. "A Sociedade Brasileira de Mastologia mantém a posição de que a mamografia é necessária a partir dos 40 anos e deve ser feita anualmente", diz o comunicado assinado pelo presidente da entidade, Ricardo Chagas. Segundo ele, no Brasil há uma alta incidência de tumores em estágio avançado por causa do diagnóstico tardio.

A posição do Inca (Instituto Nacional do Câncer) é outra. "Desde 2006 temos evidências de que não há grande benefício em rastrear mulheres jovens", afirma Ana Ramalho Ortigão, gerente da Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica do Inca. O órgão continuará não recomendando o rastreamento antes dos 50 anos, segundo Ortigão.

Mário Mourão Netto, diretor do departamento de mastologia do Hospital do Câncer A.C. Camargo, afirma que continuará realizando o exame anual a partir dos 40 anos para o grupo de baixo risco. "A mamografia em si não aumenta a sobrevida, mas possibilita iniciar o tratamento mais cedo e melhorar a resposta [da paciente] a ele", diz o oncologista.

Alfredo Barros, coordenador do núcleo de mastologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, é da mesma opinião. "Se há trabalhos mostrando desvantagens [da mamografia precoce], outros mostram a sua importância."

Fonte: Iara Biderman/colaboração para a Folha Online

"Ben Hur", clássico de William Wyler, completa 50 anos

"Ben-Hur", de William Wyler, protagonizado por Charlton Heston no papel de um aristocrata judeu que é traído por seu amigo romano, completa hoje meio século de estreia nos Estados Unidos. Há filmes que ficam para a história e o épico "Ben-Hur" é um deles. Foi o filme que ganhou pela primeira vez 11 Oscars, a mesma quantidade conquistada por "Titanic" (1997) e "O Retorno do Rei" (2003), parte da saga "O Senhor dos Anéis".

O filme, máximo expoente de um cinema artesanal já extinto, rendeu um Oscar de melhor ator a Heston e de ator coadjuvante a Hugh Griffith, além de ter recebido o prêmio pelas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor direção artística a cores, melhor fotografia, melhor figurino a cores, melhores efeitos especiais, melhor montagem, melhor trilha sonora e melhor som.

Também foi o primeiro remake --existem dois outros "Ben-Hur", ambos mudos: um curta de 15 minutos de duração filmado em 1907 e outra versão de 1925, dirigida por Fred Niblo-- a ganhar a estatueta dourada de melhor filme. Os três trabalhos são baseados no livro homônimo de Lewis Wallace, publicado em 1880. Os 212 minutos do filme foram gravados em sua maioria, durante nove meses, nos estúdios Cinecittà, em Roma, e uma das cenas mais famosas da história do cinema --a corrida de bigas que provoca a derrota de Messala, amigo de infância de Judah Ben-Hu-- foi filmada em três meses.

O filme contou com uma equipe de 8 mil figurantes, mais de 300 peças de cenário e 100 mil de figurino, e não fez sentido utilizar efeitos especiais de computador em sua espetacular recriação do livro. Tudo foi criado à base da imaginação. E essa inspiração salvou da quebra os estúdios da Metro-Goldwyn-Mayer, que arriscaram a investir na produção um valor recorde na época --de US$ 15 milhões--, que terminou por faturar cinco vezes esse total.

A trilha sonora do húngaro Miklos Rozsa e a fotografia de Robert Surtees fizeram o resto, dentro de uma história situada no Império Romano de Tibério, que narra a passagem do amor ao ódio entre Judah Ben-Hur e Messala, amigos de infância. Poucos acreditavam que Wyler seria o nome mais indicado para levantar e controlar um projeto tão faraônico. Sua carreira confirmava seu talento em obras íntimas e diferentes, nas quais dirigiu com mão professora talentos como Bette Davis, Olivia de Havilland e Montgomery Clift ou Laurence Olivier.

"Me pediram para que me encarregasse do filme. Não era o estilo cinematográfico que vinha fazendo, mas senti curiosidade para ver se era capaz de fazer algo ao estilo de Cecil B. DeMille", disse o cineasta, em alusão a filmes como "Os Dez Mandamentos" (1956). "Além disso, pensei que este filme faria muito dinheiro e que eu poderia ficar com algo", acrescentou Wyler, que cobrou US$ 1 milhão para dirigir o filme.

Hoje em dia, parece impossível imaginar outro ator com o rosto de Ben-Hur, mas a MGM ofereceu o papel a Paul Newman, Burt Lancaster e Rock Hudson. Todos rejeitaram a oferta. Newman porque não conseguia se imaginar em uma túnica, Lancaster porque era ateu e não queria ajudar a promover a Cristandade, e Hudson quase aceitou, até que seu agente chamou sua atenção ao subtexto homossexual na relação entre Ben-Hur e Messala, o que poderia pôr sua carreira em risco.

No final, "Ben-Hur" se tornou uma obra para a eternidade, que décadas após sua estreia segue atual, como demonstra a espetacular produção teatral homônima que dá a volta ao mundo desde setembro.

Fonte: Antonio Martí Guirado/EFE

Obama em queda: menos de 50% de aprovação nos EUA

A popularidade do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, caiu a menos de 50%, de acordo com pesquisa divulgada nesta quarta-feira, que também revela que 49% dos americanos desaprovam suas gestões sobre o Afeganistão.

A sondagem, publicada pela Universidade Quinnipiac, em Connecticut, indica que 48% dos indagados apoiam a gestão de Obama, o que representa a primeira vez que sua popularidade cai para menos de 50% em nível nacional. Na mesma linha, apenas 43% apoiam a maneira como o presidente americano administra a economia do país.

Pesquisa aponta que a popularidade de Obama entre americanos ficou em 48% pela 1ª vez

Em política externa, Obama obtém melhor avaliação, pois 49% dos cidadãos veem sua estratégia diplomática com bons olhos. Nessa categoria figura também a guerra no Afeganistão e a política aplicada pelo presidente americano para resolvê-la. Apenas 38% dos sondados aprovam como é conduzida a situação nesse país, contra 42% dos que disseram o mesmo na pesquisa de 7 de outubro.

Entre os americanos, 54% consideram que o objetivo dos EUA de fomentar um Governo democrático no Afeganistão não merece que os soldados americanos lutem e possivelmente morram. Da mesma maneira, 63% opinam que os EUA não terão sucesso na hora de conseguir esse objetivo.

Por outro lado, 65% acreditam que o objetivo de eliminar a ameaça terrorista nesse país merece a luta das tropas americanas e o risco de mais mortes entre suas fileiras. Também nesse aspecto, os indagados questionam a capacidade dos EUA de conseguir erradicar a ameaça terrorista, dado que 53% acreditam que não o alcançará e somente 36% estão convencidos de que sua estratégia terá sucesso.

Em todo caso, a pesquisa aponta que 53% dos americanos confiam que Obama tomará a decisão adequada sobre o aumento do número de soldados no Afeganistão. A pesquisa foi feita sobre uma amostra de 2.518 eleitores registrados em todo o país entre 9 e 16 de novembro e tem uma margem de erro de 2 pontos percentuais.

Fonte: EFE

domingo, 15 de novembro de 2009

Belo Monte: leilão causa tensão no Pará

A proximidade do leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, marcado para 21 de dezembro, tem mexido com os ânimos da população do Oeste do Pará. Nas últimas semanas, movimentos contrários e a favor da usina - maior empreendimento do setor elétrico do Brasil, equivalente à construção do Canal do Panamá, em termos de escavações - reforçaram os protestos pelas ruas da tumultuada Altamira, no interior do Pará. Por lá, os moradores - sejam crianças, jovens ou idosos - "respiram" Belo Monte 24 horas por dia, numa polêmica nem sempre amistosa.

A partir de amanhã, o clima deve esquentar ainda mais, com a expectativa de liberação da licença prévia para o início da obra. Ambientalistas e povos indígenas prometem não se curvar à decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "Não vamos desistir agora dos nossos direitos", afirma o cacique da tribo Arara, José Carlos Arara, que teme os impactos da construção da usina em sua aldeia.

Do outro lado, empresários se unem para reforçar o coro a favor do governo para, enfim, tirar do papel o projeto que desde a década de 70 promete desenvolvimento à região. As manifestações começaram na sexta-feira passada, numa caminhada pela cidade. Nos próximos 37 dias, até a licitação da hidrelétrica, os dois grupos vão fazer barulho, com atos que ultrapassam as divisas do Pará.

Além de possíveis protestos na Conferência do Clima, em Copenhague, a oposição cogita um ato público durante o show do cantor Sting, esta semana, em São Paulo. No passado, o inglês fez parte do movimento que ajudou a engavetar a antiga versão do projeto de Belo Monte, cujos estudos tiveram início em 1975. Ele participou do 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em 1989, em Altamira.

Desde aquela época, a usina já era o empreendimento mais emblemático dentro da nova fronteira hidrelétrica do País na Região Amazônica, que opõe meio ambiente e desenvolvimento econômico e social. A energia de Belo Monte é vista como essencial para sustentar uma taxa de crescimento do País na casa de 5% ao ano na próxima década. De acordo com o Plano Decenal de Energia 2008-2017, nesse período, o Brasil terá de acrescentar 27 mil megawatts médios (MW) de energia ao sistema.

O governo conta com Belo Monte para fechar a conta e evitar o estrangulamento do sistema. A expectativa é de que a usina, de 11.233 MW de potência (ou 4.600 MW médios), comece a entrar em operação por volta de 2015, a tempo de suprir as necessidades da Olimpíada de 2016, no Rio. O volume total de investimentos será de R$ 16 bilhões (US$ 9,2 bilhões) , bem distante dos US$ 3 bilhões previstos no fim da década de 90.

Fonte: AE

Operadora virtual de celular chega ao Brasil em 2010

No próximo ano, o mercado brasileiro passará a contar com um novo tipo de prestador de telefonia celular, conhecido como operador virtual. Pequenas empresas que atuam em nichos de mercado e grandes redes de lojas que queiram fidelizar seus clientes são os mais cotados para esse novo segmento da telefonia. Na prática, o operador virtual vai contratar, no atacado, das grandes empresas de telefonia, a capacidade de tráfego das ligações telefônicas e vender os serviços de celular no varejo.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está elaborando a proposta de regras para o operador virtual que deverá ser colocada em consulta pública até o fim do ano. O relator da matéria, conselheiro Antônio Bedran, disse que pretende, no início de dezembro, incluir seu relatório sobre o tema na pauta de votações do conselho diretor da Anatel.

"Nossa ideia é estimular a competição e baixar preços. Essa é uma modalidade que já faz sucesso fora do Brasil", afirmou Bedran, lembrando que os serviços já existem nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo. Hoje, há no País 166,1 milhões de celulares, o que significa que, em um grupo de 100 pessoas, 86 têm telefone celular. Nesse setor, as maiores companhias são Vivo, Claro, TIM e Oi.

A área técnica da agência trabalha com dois modelos de operador virtual, explica o gerente de Regulamentação de Serviços Móveis da Anatel, Bruno Ramos. Pelo primeiro modelo, o operador virtual seria mais vinculado à empresa de telefonia, podendo usar, além das redes, outras estruturas, como faturamento e call center. Nesse caso, o celular acrescenta valor, mas não é o negócio principal da empresa. Esse segmento, fora do Brasil, é explorado por companhias que têm marcas fortes, como o Carrefour e a megaloja de discos Virgin.

Já no segundo modelo, o operador virtual recebe uma autorização da Anatel e tem funções semelhantes às de uma operadora convencional, tendo de cumprir até mesmo com obrigações definidas pela agência. Esse modelo deverá interessar mais a pequenos investidores, que alugarão as frequências das grandes operadoras para atender a nichos de mercado, como uma empresa ou locais no interior do País

Fonte: Estadão

ALERTA: número de casos de câncer raro aumenta no Brasil

Famílias do Sul e do Sudeste do Brasil sofrem há gerações com uma forma tão agressiva de câncer que alguns dos afetados chegam a se referir à doença como uma maldição hereditária. Um grupo de pesquisadores acaba de mostrar que o problema remonta, de fato, a um ancestral comum --segundo eles, provavelmente um tropeiro que deixou descendentes país afora no século 18.

Por enquanto, contudo, a principal implicação dos estudos é bem mais prática do que entender a história populacional do Brasil Colônia. "Certa parcela dos tumores do Sul e do Sudeste, que nós ainda não sabemos qual é, mas que certamente não é desprezível, está ligada a essa mutação", afirma a médica Maria Isabel Waddington Achatz, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. Achatz é coautora de um artigo na revista científica "Human Mutation" que detalha esse trabalho de detetive.

Caso especial

A alteração no DNA, típica de algumas das famílias do Sul e Sudeste, se encaixa num conjunto mais amplo de mutações ligadas a formas severas de câncer. Esse grupo maior, conhecido como síndrome de Li-Fraumeni, se caracteriza por vários tumores na mesma pessoa --de mama, do cérebro e da glândula suprarrenal, por exemplo-- antes dos 45 anos de idade.

Os cânceres da síndrome de Li-Fraumeni têm a mesma causa: mutações no trecho de DNA que carrega a receita para a produção da proteína p53. Essa proteína, apelidada de "guardiã do genoma", tem como principal função justamente impedir os erros de cópia do DNA que levam ao surgimento do câncer. Ela pode até forçar o "suicídio" de uma célula que passou por mutações perigosas. Assim, sem ela, o organismo perde uma de suas principais defesas.

As alterações do gene da p53 que produzem a síndrome de Li-Fraumeni são raras, atingindo uma a cada 5.000 pessoas. Mas, quando começou a se interessar pelo tema, em 2001, Achatz percebeu que o número de pacientes era bem maior do que o esperado. "Logo pensei que estava acontecendo alguma coisa estranha aqui", diz.

Os últimos anos confirmaram essa suspeita. Ficou claro que um tipo específico de mutação no gene da p53 era muito comum em pessoas do Sul e do Sudeste com Li-Fraumeni. O último trabalho de Achatz e seus colegas foi mais fundo: analisou 12 famílias com essa mutação, em princípio sem relação de parentesco entre si.

O resultado: todas carregavam o mesmo conjunto de 29 trocas de "letras" químicas no gene da p53. "A chance de todas essas trocas acontecerem juntas em famílias diferentes é baixíssima", diz Achatz. O melhor jeito de explicar isso é imaginar que todas herdaram o conjunto típico de alterações de um ancestral comum distante.

Dados obtidos em Porto Alegre e Curitiba, com milhares de pacientes, sugerem que a frequência verdadeira da mutação nesses lugares é de uma em cada 300 pessoas. O mesmo pode valer em São Paulo, afirma a médica. "Quando colocamos essas famílias no mapa, o padrão casa muito bem com as rotas seguidas pelos tropeiros que carregavam mercadorias entre o Sul e o Sudeste no século 18", argumenta ela.

A ideia é que o primeiro portador da mutação teria tido filhos com muitas mulheres ao longo da rota das tropas. Esse sucesso em deixar filhos, junto com outros fatores, teria feito com que seus descendentes estivessem presentes em número desproporcional na população de hoje.

Achatz diz que o próximo passo para fortalecer a tese é tentar estimar a data de origem da mutação, com a ajuda da equipe do geneticista Andrés Ruiz-Linares, do University College de Londres. Ela defende que valeria a pena testar a mutação de maneira mais ampla na população, para enfrentar esse tipo de câncer com a maior precocidade possível.

Fonte: Reinaldo José Lopes/Folha de S.Paulo

Derrota do Japão para a Itália elimina Brasil da Copa dos Campeões de Vôlei

A seleção de vôlei da Itália derrotou o Japão neste domingo, pela última rodada da Copa dos Campeões, e sagrou-se campeã da competição, disputada em território japonês. O Brasil, que perdeu sua única partida no torneio para as italianas, contava com uma derrota das rivais para ficar com o título --como não aconteceu, ficou com o vice-campeonato.

As italianas venceram a partida por 3 sets a 1, com parciais de 32/30, 25/22, 24/26 e 25/18, e chegou a dez pontos de dez possíveis, com cinco vitórias em cinco jogos. A seleção brasileira, comandada por Zé Roberto, venceu quatro de seus compromissos, mas perdeu para a Itália, somou nove e terminou na vice-colocação.

Também neste domingo, mais cedo, o Brasil derrotou a Tailândia por 3 sets a 0 (parciais de 25/22, 25/20 e 25/18), seu último compromisso na Copa dos Campeões, e torceu por um tropeço da Itália, o que colocaria as duas equipes empatadas em pontos --a divisão de pontos marcados por pontos sofridos seria o primeiro critério de desempate.

No sábado, a Itália bateu o Brasil também por 3 sets a 0, em Fukuoka, no Japão. As parciais foram de 25/21, 25/23 e 25/21. A República Dominicana ficou com a terceira colocação.

Fonte: Folha Online

Blecautes aumentaram quase 30% em 2009 no Brasil

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), responsável por controlar a operação e a transmissão de energia elétrica do SIN (Sistema Interligado Nacional), registrou neste ano um aumento de 29% no número de apagões de grandes proporções em relação a 2008.

Foram registrados 62 grandes desligamentos de energia no país, com cortes superiores a 100 MW (que equivalem ao consumo médio de uma cidade com 400 mil habitantes). O valor é a referência máxima adotada pelo órgão. Os apagões ainda não foram esclarecidos.

Os especialistas atribuem o aumento a condições climáticas, queimadas, desmatamento e falhas em equipamentos de transmissão, causadas por erros de planejamento ou falta de manutenção. Um levantamento do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) afirma que 70% dos desligamentos são causados por descargas elétricas, com prejuízos anuais de R$ 600 milhões.

Com tráfego de quase um terço de toda a energia produzida no país, São Paulo foi o Estado com o maior número de desligamentos neste ano (14), seguido de Mato Grosso (11) e Pará (9).

Apagão

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nunca vistoriou a subestação de Itaberá (SP), apontada pelo governo como origem do blecaute que deixou 18 Estados sem luz na terça-feira (10). As outras duas subestações envolvidas, Ivaiporã (PR) e Tijuco Preto (SP), foram fiscalizadas há mais de dois anos.

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) reafirmou no início da noite de quarta (11), em Brasília, que o apagão que atingiu 18 Estados ocorreu devido a fenômenos climáticos. Segundo ele, descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá (SP) foram a causa do desligamento de três linhas de transmissão e o consequente desligamento da usina hidrelétrica de Itaipu.

Lobão afirmou que o próprio Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espacias) confirmou a concentração muito grande desses fenômenos na região. Mais cedo, no entanto, técnicos do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe, informaram que as chances de um raio ter sido a causa do apagão são mínimas.

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) admitiu na quinta-feira (12) que o Brasil não está livre de sofrer novos blecautes, como o que deixou 18 Estados às escuras. "Nós não estamos livres de blecaute", afirmou. "O que nós prometemos é que não terá neste país mais racionamento", completou a ex-ministra de Minas e Energia.

"Nós trabalhamos com sistema de transmissão de milhares de quilômetros de rede, e interrupções desse sistema ninguém promete que não vai ter. Nós prometemos que não terá racionamento, porque racionamento é barbeiragem", afirmou Dilma, que ainda negou que o país tenha sofrido um apagão. "Não teve [apagão]. Uma coisa é blecaute [outra é apagão]".

De acordo com o governo, foram desligados 28,8 mil MW (megawatts) de carga no SIN (Sistema Interligado Nacional) nesses 18 Estados, o equivalente ao dobro da potência instalada de Itaipu. No Paraguai, houve interrupção de 980 MW de carga.

O problema começou às 22h13, quando ocorreu perturbação geral, envolvendo diretamente a região Sudeste e Centro-Oeste, desencadeando desligamentos automáticos.

Os dados do operador apontam que às 22h29 a carga da região Sul já estava restabelecida, da região Centro-Oeste às 22h50 e da região Nordeste às 22h55. Às 23h50 foi restabelecida a carga de Minas Gerais.

O restabelecimento gradativo de energia em São Paulo começou à 0h04 e no Rio de Janeiro e Espírito Santo à 0h40. À 1h44 foi restabelecido o SIN. Mas o problema todo foi sanado às 3h15 de quarta-feira (11).

Investigação

O MPF (Ministério Público Federal) abriu um procedimento administrativo para apurar as causas e os responsáveis pelo blecaute desta semana. O trabalho ocorrerá em duas fases: coleta das informações e apuração pelos procuradores nos Estados.

A Procuradoria estabeleceu 72 horas para que o Ministério de Minas e Energia, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a Itaipu Binacional apresentem explicações. Todos já foram notificados via fax, na quarta (10), segundo o procurador Marcelo Ribeiro de Oliveira, do Grupo de Trabalho Energia e Combustíveis. No entanto, poderão aguardar a chegada do documento original para cumprir o prazo.

À Folha Online Oliveira afirmou que espera concluir a primeira etapa da apuração em 15 dias --prazo que pode ser prorrogado. Ele espera receber uma documentação completa sobre as causas do apagão para que sejam cobrados os direitos dos consumidores e a garantia dos serviços.

Fonte: Matheus Maguenta e Rodrigo Vargas/Folha de S.Paulo

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ISTO É BRASIL: Com MP 468, Senado não vota projetos há duas semanas


Há duas semanas o plenário do Senado não vota projetos, já que a pauta está trancada pela Medida Provisória 468, que transfere para a Caixa Econômica os depósitos judiciais que estão em outros bancos. A MP não pode até hoje ser votada porque apenas na semana passada o senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) foi designado relator. No entanto, o relatório foi entregue por Cavalcanti para análise dos senadores ontem e o projeto deve ser analisado na próxima semana.

A aprovação da medida é essencial para o governo garantir reforço de caixa na proposta orçamentária de 2010. O relator setorial de receitas do Orçamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), estima que os depósitos devem reforçar o caixa do Tesouro em cerca R$ 6,4 bilhões e espera usar este dinheiro para compensar a queda da arrecadação do governo em decorrência da crise financeira mundial e da desoneração tributária concedida pelo governo para alguns setores.

A MP deve enfrentar resistência da oposição que critica o fato de o governo usar os depósitos judiciais, que representam receita condicionada ao trânsito e julgado das causas. "Esse dinheiro não pode entrar na receita do governo, como receita corrente. Ele é um dinheiro pendente. Considerar essa receita corrente é um absurdo.

Se ele for usado, ele passa a ser usado como dívida pública, como um empréstimo que depois o governo tem obrigação de pagar, se for o caso", afirma o vice-líder do DEM, senador ACM Júnior (BA). "Esta estratégia do governo é uma irresponsabilidade fiscal para compensar gastos públicos elevados", completa.

Fonte: Agência Estado

Foto: Satiro Sodré

Corte Arbitral do Esporte bane Rebeca Gusmão da natação


A Corte Arbitral do Esporte confirmou, nesta sexta-feira, que Rebeca Gusmão está banida do esporte. O tribunal ratifica, com isso, a decisão que a Federação Internacional de Desportos Aquáticos (Fina) já tinha tomado em maio de 2008. A nadadora brasileira, que conquistou a medalha de ouro nos 50m e 100m livre nos Jogos Pan-Americanos de 2007, testou positivo para testosterona em 2006. Desde o anúncio do resultado do exame de urina, em novembro de 2007, Rebeca não disputou mais nenhuma competição oficial.

Desde então, a nadadora vinha tentando provar na Justiça a sua inocência, sempre sem sucesso. Nesse ínterim, Rebeca Gusmão chegou a se aventurar no futebol, sob a alegação de que precisava manter a forma. O caso da nadadora foi considerado mais grave que o de outros atletas envolvidos em antidoping. Ao contrário dos casos de Daiane dos Santos, Maurren Maggi, Jaqueline do vôlei e até do escãndalo do atletismo, a situação de Rebeca Gusmão foi considerada intencional.

Em todas as outras situações os atletas alegaram boa fé em médicos ou no uso de medicamentos e, por isso, pegaram uma pena máxima de dois anos. Porém, tanto a Fina quanto o CAS entenderam que o doping de Rebeca Gusmão foi proposital, e por isso decidiram bani-la do esporte.

Nadadora diz lamentar profundamente a decisão da CAS

A nadadora Rebeca Gusmão afirmou, através de sua assessoria de imprensa, que "lamenta profundamente" a decisão, que considera injusta e desproporcional, tomada pela CAS (Corte Arbitral do Esporte), nesta sexta-feira, de afastar definitivamente a atleta do esporte. A assessoria diz ainda que a atleta "ficou extremamente abalada com a decisão" e se pronunciará neste momento apenas por meio da nota, e que Rebeca ainda tem projetos em outras áreas e não desistirá de continuar no meio esportivo.

Nesta sexta-feira, a CAS confirmou o banimento de Rebeca, que foi afastada no dia 5 de setembro de 2008, por reincidência no uso de doping. "A Corte Arbitral do Esporte chegou à sua decisão final nos casos relativos à nadadora brasileira Rebeca Braga Gusmão. A CAS confirmou as decisões tomadas pela Fina em 2008, a última delas em que a Sra. Gusmão foi declarada impedida de competir pelo resto da vida", afirmou a entidade, através de uma nota em seu site oficial.

No começo de agosto deste ano, Rebeca havia sido inocentada da acusação de ter fraudado o exame antidoping que fez no Pan-2007, do Rio. Amostras de dois testes dela, que deram negativo, revelaram urinas com DNAs diferentes. A nadadora testou positivo para testosterona exógena (hormônio masculino não produzido pelo organismo) no Troféu José Finkel 2006 e voltou a ser pega para testosterona exógena em exame da entidade realizado no dia 13 de julho de 2007, durante o Pan do Rio.

Rebeca apelou à CAS (Corte Arbitral do Esporte) para seus dois casos. Na ocasião, a corte declarou-se inapta para julgar o caso da brasileira, que não havia passado por julgamentos prévios no Brasil ou na Fina. Na época, além de ter sido suspensa preventivamente por dois anos, Rebeca perdeu as suas quatro medalhas conquistadas no Pan: ouro nos 50 e 100m livre, prata no revezamento 4 x 100m livre e bronze no revezamento 4 x 100m medley.

Fonte: Abril.Com e Folha Online

Foto: Satiro Sodré