terça-feira, 12 de julho de 2011

The Beatles juntos nas Olimpíadas de 2012?

O músico Paul McCartney deu a entender que ele e Ringo Starr podem montar uma versão reformada dos Beatles para uma apresentação na abertura das Olimpíadas, em 2012, que acontecerão em Londres.

"Eu ouvi rumores de que eu posso estar envolvido. Acredito que eles estejam planejando esse tipo de música", disse, quando questionado se a abertura dos jogos teria algo a ver com os Beatles.

"[McCartney] estava escondendo detalhes. Ele tem conversado com os organizadores e disse que adoraria estar envolvido de alguma maneira. Eles também querem Ringo no palco para tornar o evento muito especial", disse uma fonte ao tabloide britânico "The Sun". O tabloide vai ainda mais longe dizendo que os beatles mortos, George Harrison e John Lennon, poderiam ser representados por seus filhos.


Fonte: Folha Online


Foto: Divulgação

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mais de 50% dos vinhos têm mais teor alcoólico do que informam os rótulos

Um estudo da American Association of Wine Economists (Associação Americana de Economistas de Vinho) revelou que fabricantes da bebida anunciam em seus rótulos um teor alcoólico mais baixo de que o que a bebida tem. O estudo, finalizado em maio, foi realizado no Canadá e usou amostras de garrafas importadas das principais regiões produtoras de vinho do mundo.

Ao longo de 18 anos (entre 1992 e 2009), a pesquisa analisou o teor alcoólico de mais 129 mil amostras de vinhos de países como Argentina, Chile, França, Espanha e Estados Unidos, e revelou que os produtores "sistematicamente" minimizam o conteúdo alcoólico da bebida. O estudo não cita os vinhos produzidos no Brasil.

O teor alcoólico médio dos vinhos analisados foi de 13,3%, enquanto o teor médio anunciado pelos rótulos era de 13,1%. Este número inclui todas as amostras estudadas. No total, 57% dos vinhos traziam números de álcool maiores de que o anunciado nos rótulos. Apenas 10% da amostra avaliada trazia no rótulo a informação correta sobre o teor alcoólico da bebida.

Erro proposital
A pesquisa alega que medir o teor alcoólico exato da bebida é fácil e importante no processo de produção do vinho, e que pode haver má-fé de muitas vinícolas ao rotular a bebida. "Os erros que encontramos não foram feitos de forma inconsciente", dizem os pesquisadores no texto final.

Os pesquisadores alegam que as vinícolas americanas têm incentivos indiretos para "distorcer deliberadamente" a informação sobre teor alcoólico, a fim de pagar menos impostos e até ter maior apelo de vendas.

Segundo o estudo, os vinhos do Chile, da Argentina e dos Estados Unidos foram os que demonstraram a maior diferença entre a quantidade de álcool anunciada e a que realmente estava presente na bebida. Os vinhos de Portugal e da Nova Zelândia foram os que tiveram a média de álcool encontrada na bebida mais próxima da média anunciada nos rótulos.

Os pesquisadores alegam que a motivação para realizar a pesquisa veio da observação que a quantidade de açúcar nas uvas colhidas na Califórnia havia aumentado 11%, o que naturalmente elevaria a quantidade de álcool na bebida após a fermentação deste açúcar.

Fonte: G1

Foto: Divulgação

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Juninho é o melhor batedor de faltas da história, segundo físico inglês

Quando se fala em Juninho Pernambucano, logo vem à memória do torcedor vascaíno o gol de falta marcado contra o River Plate, no empate por 1 a 1 pela semifinal da Taça Libertadores de 1998, considerado por muitos o gol do título naquela competição. Mas basta dar uma breve pesquisada na carreira do jogador para constatar que os gols de falta são, na verdade, uma especialidade do Reizinho da Colina.

O físico inglês Dr. Ken Bray, da Universidade de Bath, na Inglaterra, gerou discussão ao afirmar que Juninho era o melhor cobrador de faltas da história em trecho do livro “How to Score: Science and Beautiful Game” ("Como Marcar: Ciência e Jogo Bonito”, em português), de 2009. O GLOBOESPORTE.COM entrou em contato com o cientista para saber detalhes de sua tese. Segundo ele, existem três tipos de cobrança de falta: com "topspin", assim como no tênis; com "sidespin", com efeito de lado; e a chamada "knuckleball", que, mesmo com pouco efeito, apresenta uma movimentação imprevisível e se assemelha a um arremesso de beisebol:

- Existem três diferentes técnicas utilizadas para cobranças de falta no futebol moderno. Eu digo que Juninho é o melhor cobrador de faltas de todos os tempos porque ele pode explorar todas elas. Pode haver jogadores, como Beckham e Cristiano Ronaldo, que se tornaram especialistas em um determinado método, mas nenhum atingiu a mesma capacidade técnica de Juninho em ser capaz de aplicar todos os três - afirmou, em entrevista por telefone e por e-mail.

De acordo com o físico, atualmente são poucos os jogadores que chutam a bola com pouco ou nenhum efeito. O mais comum nas cobranças de falta é o "sidespin":

- A maioria dos cobradores de falta desvia a bola, chutando-a rápido, com "spin" (giro ou efeito de rotação). O tipo mais fácil de giro para se aplicar é o "sidespin", em que a bola roda, como um pião, sobre um eixo vertical. Ela, então, move-se fortemente para um dos lados durante a trajetória, dependendo se é chutada por um jogador destro ou canhoto.
saiba mais

No entanto, a marca registrada de Juninho é, sem dúvida, a falta cobrada com "topspin". O meia se caracterizou por marcar gols, muitos deles de longa distância ou com pouco ângulo, batendo na bola de uma forma em que ela faz um rápido movimento de cima para baixo, pegando os goleiros de surpresa. Um bom exemplo é o gol marcado contra o River Plate.

- Existem alguns jogadores, como Didier Drogba, que podem chutar a bola com "topspin". Isso é muito difícil de se fazer com a bola no chão, mas, se esse tiro sai, ela vai mergulhar, tornando-se desconcertante para o goleiro. O "topspin" também atinge uma velocidade muito maior do que o "sidespin", porque ajuda a empurrar a bola para baixo, assim como é feito por jogadores de tênis.

O cientista ainda explicou a técnica inspirada em arremessos de beisebol: a "knuclkeball", que é bastante utilizada pelo português Cristiano Ronaldo, do Real Madrid:

- Finalmente, existem cobranças de falta em que, paradoxalmente, a bola é chutada quase sem "spin" e, mesmo assim, atinge muita velocidade. Nesse caso, as forças aerodinâmicas constantemente mudam de direção e tendem a mover a bola durante a trajetória. Isso acontece porque a bola moderna é constituída de poucos gomos. A da Copa do Mundo de 2010, por exemplo, tinha apenas oito painéis, enquanto a da Copa de 2006 tinha 14. Assim, a trajetória da bola se assemelha a um método especial utilizado por alguns "pitchers" (arremessadores de bola, no beisebol), que a lançam com muito pouco efeito. Esse arremesso com a bola de beisebol, que tem apenas dois gomos, é chamado de "knuckleball", cuja movimentação é imprevisível. Estamos vendo esse termo cada vez mais utilizado no futebol: Cristiano Ronaldo explora a técnica muito bem, e replays em slow-motion revelam que ele aprendeu a chutar a bola quase sem "spin".

Ken Bray, que considera o também inglês David Beckam o segundo maior cobrador de faltas de todos os tempos, logo abaixo de Juninho, lamentou o fato de o brasileiro ter deixado o futebol europeu - após oito temporadas no Lyon, ele saiu em 2009 rumo ao Al Gharafa, do Qatar, onde permaneceu até o fim de maio. A esperada reestreia pelo Vasco será nesta quarta-feira (07), a partir das 21h50m (de Brasília), contra o Corinthians, no Pacaembu. Se depender do físico, a torcida cruz-maltina pode esperar grandes momentos de seu camisa 8:

- É uma grande pena que os torcedores europeus não possam mais ver Juninho de perto, mas tenho a certeza de que os torcedores do Vasco vão saborear suas habilidades na produção de gols de falta espetaculares. Aos 36 anos, ele pode não atuar sempre durante os 90 minutos, mas é um grande jogador para se ter no time quando se está no meio de um jogo equilibrado, em que apenas uma cobrança de falta espetacular pode vazar o gol adversário. Nesse ponto, a idade em nada vai interferir. Por tudo isso, acredito que a próxima geração de jogadores de futebol pelo mundo faria bem se estudasse as cobranças de falta de Juninho.

Fonte: Ivan Raupp/ G1

Foto: Getty Images

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Recorde histórico: exame da OAB reprova 9 em cada 10 bacharéis

O resultado final do último exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado em dezembro de 2010, é o pior da história da entidade: apenas 9,74% dos bacharéis em Direito foram aprovados em um total de 116 mil inscritos, segundo dados do Conselho Federal da OAB obtidos pelo JT. Nesse universo também estão incluídos os treineiros, estudantes do último ano da graduação (9º e 10º períodos), que tiveram um desempenho muito superior ao dos diplomados.

Até então, o pior índice do País era de 14% de aprovados, entre os 95,7 mil inscritos no primeiro exame realizado pela OAB no ano passado, de acordo com o jurista e cientista criminal Luiz Flávio Gomes, fundador da rede de ensino LFG. O exame foi unificado em 2010, o que ajuda a explicar, de acordo com Gomes, o aumento no índice de reprovação: a porcentagem de aprovados, na média entre os três concursos anuais, passou de 28,8%, em 2008, para 13,25% em 2010. Antes disso, cada Estado do País aplicava sua própria seleção, o que possibilitava, segundo a OAB, que um candidato se submetesse a provas mais fáceis em algumas regiões do País.
 
Especialistas acreditam que o mau desempenho dos estudantes também está associado à má qualidade da educação básica, à má formação no ensino superior, à falta de dedicação dos estudantes e à abertura indiscriminada de faculdades de Direito. “Não há um culpado só, todos colaboram. Há deficiências nas faculdades, em geral, mas o aluno não se preocupa muito com o curso”, analisa Gomes. “E o exame está mais difícil”, complementa.
 
Para Marcelo Tadeu Cometti, coordenador de pós-graduação no Complexo Damásio de Jesus, o problema da reprovação começa na educação básica. “Os estudantes não têm formação suficiente para entender o que está sendo oferecido no ensino superior e a culpa é do Estado”, diz. “Se você pegar o corpo docente das melhores universidades de São Paulo, por exemplo, e colocá-lo para lecionar nessas faculdades de baixo índice de aprovação, os resultados não serão melhores”, aponta. Para ele, o aluno que “não tem boa formação no ensino fundamental e médio, não tem bons hábitos de leitura e não conseguirá passar no exame”.
 
Diretor-presidente da Escola Paulista de Direito, Ricardo Castilho lembra que, no Brasil, são constantes as mudanças na legislação e nos códigos. “É muito difícil manter-se atualizado”, aponta. “Com a carga horária disponível hoje, de 3.780 horas, é impossível o aluno aprender tudo o que precisa para passar na Ordem”. A existência do exame, porém, é defendida pelos profissionais. “O advogado lida com a liberdade e os bens patrimoniais dos cidadãos. Espera-se que saiba ao menos redigir uma petição ou dar início a um processo”, afirma o coordenador-geral do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coelho. 

“É isso que a prova avalia”, aponta. Vice-presidente da Comissão Nacional do Exame de Ordem, Edson Cosac Bortolai diz que a prova “impede que um advogado despreparado ofereça seus serviços à sociedade. “Seria um prejuízo social muito grande.”

Fonte: Isis Brum/JT

Foto: Divulgação

Tarifas podem variar até 62% entre bancos, diz Fundação Procon

A diferença de valor entre os pacotes padronizados de tarifas bancárias pode chegar a 61,9%, segundo pesquisa realizada pela Fundação Procon-SP e divulgada nesta segunda-feira. O menor valor encontrado foi de R$ 10,50 (banco Itaú) e o maior, de R$ 17,00 (Safra).

A pesquisa comparou as tabelas de serviços prioritários e de pacote padronizado vigentes em 03/05/10 com as praticadas em 16/05/11 em sete instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Safra e Santander.

O levantamento constatou que a Caixa Econômica Federal e o Itaú mantiveram o mesmo valor nesse período. Já o Banco do Brasil elevou o valor do pacote, enquanto as demais instituições reduziram.

COMPARE OS VALORES ENTRE MAIO DE 2010 E MAIO DE 2011

Banco do Brasil - de R$ 13,00 para R$ 13,50
Bradesco - de R$ 14,50 para R$ 12,50
Caixa - R$ 15,00
HSBC - de R$ 17,00 para R$ 13,50
Itaú - R$ 10,50
Safra - de R$ 20,00 para R$ 17,00
Santander - de R$ 18,00 para R$ 14,00

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O grande ator de si mesmo

Paulo Coelho não é um impostor, nem um aproveitador, nem um aventureiro. Na verdade ele é aquilo que o velho “inimigo íntimo” Raul Seixas não parava de repetir: um grande ator. É sério! Mas não um ator que veste, dá vida e morte a personagens alheios, mas um grande ator do personagem Paulo Coelho. Raulzito se dizia um grande ator porque se “fingia de cantor e compositor” e todo mundo acreditava. Pois o superstar Paulo Coelho ainda tentou dar suas cacetadas como ator de teatro e cinema, dramaturgo, compositor, mas chegou ao estrelato mesmo como escritor. E como conseguiu escrevendo aquela literatura mais precária que bula de remédio?

Lá pelas tantas o Fernando Morais, na biografia “O Mago”, conta que o escritor fez um tal de um pacto com o demo. Fez e desfez, é verdade! Ofereceu a alma em troca do sucesso mundial e depois voltou atrás, rabiscando numa folha em branco, com letras vermelhas, que o trato estava desfeito e que havia “vencido a tentação”. Fácil né? Tão fácil quanto os personagens e narrativas “Control C” + “Control V” de “Diário de Um Mago”, “Brida”, “O Alquimista”, “A Bruxa de Portobelo” e outros “clássicos” que o levaram a Academia Brasileira de Letras e as centenas de prêmios internacionais já acumulados pelos mais de 140 milhões de exemplares vendidos.

Por outro lado, temos que reconhecer que o cara tem, e usa como poucos, duas coisas que a maioria dos mortais também tem, mas como enfeite: alma de marqueteiro e persistência. É gratificante saber que o sujeito foi internado em hospícios, levou choques elétricos, usou tudo quando foi tipo de droga, participou de centenas de seleções em editoras, para tentar publicar ao menos seus contos e, só na casa dos 40 anos de idade, conseguiu o que queria desde os 13 anos: ser um escritor lido e famoso no mundo inteiro.

Assisti a uma palestra do Fernando Morais em que ele dizia que Paulo é malhado por críticos invejosos, coisa de “brasileiro que não suporta o sucesso do próximo”. Será isso mesmo? Não será o próprio Paulo Coelho o primeiro a criar esse clima de hostilidade com aquela história de que faz até chover quando lhe dá vontade?

Quando chega a uma capital européia como, por exemplo, Budapeste, e não encontra no aeroporto os flashs, holofotes, fãs atrás de autógrafos e demais elementos que alimentam os ávidos por reconhecimento, ele se torna um cara furioso, intratável, pior que criança birrenta. Mas, se dentro de 20 minutos as luzes se aproximarem, aí ele entra em seu habitat e esquece todas as mágoas do passado.

Aí se pergunta novamente: como ele consegue fazer tanto sucesso? A razão é simples: o ser humano não vive e não quer viver sem ídolos, seja para o bem ou para o mau. E com toda a “bagagem” de já ter transitado pelo bem e pelo mau (ou pelo menos as idéias que temos desses paradoxos), Paulo sintetiza o sonho de fama e fortuna apesar de todos os pesares.

Mas pelo que entendi até agora, o cara não se importaria se os 140 milhões de exemplares já vendidos não lhe dessem a fortuna que acumulou. Tanto é que a casa onde mora, no interior da França, é de uma simplicidade franciscana. Para ele, o que importa é a fama, o estrelato, as luzes, o reconhecimento e os aplausos de bilhões de pessoas mundo afora. Desde criança a meta era ser um escritor lido e famoso no planeta, não importando se produzisse literatura policial, fotonovela, bula de remédio, coluna de horóscopo, quadrinhos eróticos, tratados de metafísica ou receitas de bolo.

O problema é que só aparece um grande ator desse tipo há cada 100 anos e, no caso, o brasileiro ainda deve ocupar a vaga por pelo menos mais uns 20 ou 30 anos. E depois que o Paulo Coelho “bater as botas” ainda teremos que aguentar o legado que vai deixar e a saudade dos fãs e admiradores. É a vida irmão, é a vida. E vamo que vamo!

Câmbio, desligo

Sérgio Augusto

Editor da Academia da Palavra

Foto: G1 


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O humor nos tempos do chip

Os especiais de fim de ano de Chico Anysio e Renato Aragão me deram a sensação de nostalgia por um lado e reflexão por outro. Assistindo as duas produções, cheguei àquilo que o Marcelo Tás, do CQC, tão poeticamente chama de "caixa cheia de micróbios chamada televisão brasileira": enquanto Renato teve sua vida dramatizada, contada por ele mesmo em entrevista e foram mostradas imagens de arquivo da trajetória de 50 anos do seu Didi Mocó, Chico Anysio, que criou mais de 100 personagens, teve uma homenagem muito abaixo do que merecia, pra não falar decepcionante.

Quem foi criança nas décadas de 1970 ou 1980, como eu fui, sabe do que estou falando. O Chico sempre foi bem mais malicioso e seu público era mais adulto, mas o Renato, junto com Os Trapalhões, é que fazia a felicidade da turma da "poltrona", a partir dos 2, 3 anos de idade. Não tinha criança que não parasse o que estava fazendo, todo domingo, às 7 da noite, para assistir as peripécias dos quatro heróis que tão bem simbolizavam o povo brasileiro: Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Até hoje aquela musiquinha de abertura dos "Trapa" faz falta nas noites de domingo, quando o que se vê na telinha do "plim plim" é o Faustão e seu festival de bizarrices.

Os Trapalhões satirizavam tudo: das novelas globais a filmes estrangeiros, passando por dramatizações de músicas e "pegadinhas" incríveis. Quem poderá esquecer Renato empunhando aquele vestido vermelho, peruca, batom, pernas cabeludas e recebendo o "Muça" cheio do "mé", o Zacarias com o urso de pelúcia ao som de Terezinha, de Chico Buarque cantada por Maria Betânia? ("O primeiro me chegou/ como quem vem do florista/ trouxe um bicho de pelúcia/ e um broche de ametista..."). E, além de tudo, a cada 6 meses soltavam um filme, que na cabeça das crianças da época era o máximo! Que pena que os anos 80 acabaram...

A Globo acertou em cheio ao contar a história desse herói tão brasileiro chamado Didi Mocó, que apesar dos 50 aninhos continua criança. Mas por outro lado, a tal da "Vênus Platinada" prestrou um antifavor a todo mundo com o especial do Chico Anysio. Deu pena do cara. Como puderam colocar ele no ar na condição de saúde em que está? Personagens clássicos como o Popó, o Professor Raimundo e o Valfrido Canavieira saíram com a voz idêntica, as piadas sem graça, o intérprete lento, com olhar opaco e quase sem vida. 

Para alguém, como eu, que se acostumou a Justo Veríssimo dizendo em alto e bom som "Eu quero que o pobre se exploda" ou o Bento Carneiro mandando "Calunga, seu cafifento", a Globo desrespeitou um dos maiores humoristas de todos os tempos. Não seria mais digno contar a vida do Chico como em uma peça de teatro, colocando alguns dos seus melhores personagens em formato de marionetes ou coisa parecida? E por quê não mostraram arquivos do Chico em plena forma, já que o que o banco de imagens da emissora é vasto?

Os nossos ídolos envelhecem, o humor, guardadas as devidas proporções, também envelhece e o que se pode fazer é adaptar os formatos aos novos tempos. Na era digital em que se vive não seria moleza prestar um tributo de respeito ao Chico Anysio? Se ele vier a falecer este ano será muito triste ficar com a imagem dele já alquebrado, como mostrada no último especial. Chico Anysio merece respeito e não aqueles ex-BBBs falidos que colocaram pra "contracenar" com o mestre. Se queriam atrair audiência, o que conseguiram foi expor Chico ao ridículo total. Isso não tem perdão! 

Como já disse antes, o humor envelhece e não venham dizer que não. Basta assistir a "Escolinha do Professor Raimundo - Turma de 1991", que o canal Viva anda reprisando, para comprovar. Ali, Chico Anysio reuniu grandes nomes da história do humorismo nacional, como Walter D´ávila, Brandão Filho, Rogério Cardoso, Zezé Macedo e Berta Loran. Dando uma conferida nas piadas, sinto que a "Escolinha..." envelheceu. São piadas que, para os padrões a que nos acostumamos nessa primeira década do século 21, nem chegam a descontrair. O mesmo digo das "Aventuras do Didi", onde Renato Aragão, ainda hoje, insiste em continuar fazendo TV. No caso do ex-trapalhão, dá para identificar piadas, "apostas" e "pegadinhas" feitas há 30, 40 anos e agora requentadas e servidas na hora do almoço aos domingos.

O humorismo de hoje é bem mais malicioso. Aos domingos, o "Pânico na TV" ficou como uma espécie de substituto dos Trapalhões. Já o CQC, às segundas-feiras, cobre o buraco deixado por outro humorista de grande sucesso dos anos 80: Jô Soares. Até nisso o perfil é semelhante: enquanto a trupe de Emílio Surita é mais escrachada e popularesca, a turma de Marcelo Tás é um pouco mais refinada e irônica.


Agora quem tem acesso à TV paga assiste o "Cilada", por sinal estrelado por um dos filhos de Chico Anysio: Bruno Mazzeo. Caso a Globo colocasse o "Cilada" na programação convencional faria sucesso, com certeza. Mas a cabeça dos programadores e diretores comerciais da emissora veleja por outras paragen$, sem dúvida...

É isso aí "psit". E vamo que vamo que o show não pode parar.

Câmbio, desligo

Sérgio Augusto

Editor da Academia da Palavra

Fotos: Divulgação

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Distraídos são mais criativos que os compenetrados, diz estudo

Quem diria: se distrair pode ser a melhor maneira de resolver um problema difícil de forma criativa. "Distração" costumava ter uma conotação negativa em estudos médicos; por exemplo, pesquisas que mostram o maior risco de causar um acidente de carro ao se distrair falando ao celular. Mas trabalhos recentes têm demonstrado que a distração está vinculada à criatividade, especialmente na hora de resolver problemas complexos. Só que até certo ponto: em excesso, distração combina com esquizofrenia -um distúrbio psíquico que pode incluir alucinações, delírios e fuga da realidade.

Como a distração ajuda a ser criativo e produzir soluções? Para muita gente, a prática de "dar um tempo", "fazer uma pausa no trabalho", costuma fazer a resposta para um problema surgir de repente, como mágica. É só assistir ao seriado "House" (Universal) para entender como funciona. O médico Gregory House e sua equipe são escalados para diagnosticar e tratar apenas os casos mais cabeludos.

O enredo tem uma fórmula básica. Eles passam três quartos do programa raciocinando logicamente sobre sintomas, tratamentos e causas de doenças. Mas só no fim do episódio, quando House se distrai ou tem a atenção chamada para algo bizarro, que uma resposta "clica" no seu cérebro.

EVOLUÇÃO

Ignorar estímulos irrelevantes ao nosso redor é uma conquista da evolução biológica. Um animal que presta atenção a tudo e caminha pelos prados distraído acaba não percebendo o predador até que seja tarde demais. Essa capacidade de abstrair o ruído inútil é chamada de inibição latente. Esquizofrênicos têm inibição latente muito reduzida; prestam atenção a tudo, e por isso, paradoxalmente, fogem da realidade. Mas esse traço também caracteriza pessoas saudáveis e altamente criativas.

Um estudo feito pela equipe de Fredrik Ullén, do Instituto Karolinska, da Suécia, publicado na revista científica "PLoS One", apontou que os cérebros dos esquizofrênicos e o dos
criativos têm um sistema semelhante do neurotransmissor dopamina. Produzida em várias partes do cérebro, a dopamina tem funções na transmissão do impulso elétrico entre as células nervosas, notadamente na cognição, motivação e nos mecanismos de punição e recompensa.

"A teoria da dopamina e esquizofrenia vê o distúrbio como uma forma extrema de criatividade", diz Adam Galinsky, da Escola Kellogg de Administração da Universidade Northwestern, EUA. O pesquisador explica que a dopamina tende a alterar processos cognitivos, de modo que as associações são mais soltas e as categorias conceituais são ampliadas. "Isso pode facilitar a criatividade, mas também levar a padrões de pensamento desorganizados e anomalias de percepção."

Galinsky e colegas fizeram testes de associação com 94 voluntários que tinham que identificar uma quarta palavra vinculada a três outras. Alguns passavam por distrações, outros não. Os distraídos identificaram sequências de letras como palavras válidas mais rápido. O estudo foi publicado na revista "Psychological Science" e afirma que o processo de solução de problemas inclui tanto a distração quanto um período de pensamento consciente, sem o qual o problema não tem como ser racionalmente resolvido.

RADAR

Estudos feitos com universitários nos EUA e no Canadá pela equipe de Shelley H. Carson, do Departamento de Psicologia de Harvard, mostraram que aqueles que se distraem facilmente, com o "radar ligado" para tudo em torno, são mais criativos: os mais criativos tinham sete vezes menos inibição latente. O estudo original, publicado em 2003, foi replicado depois. "Dois outros laboratórios testaram a baixa inibição latente e descobriam que está associada com criatividade. Nós também estamos continuando os testes", afirma Carson.

"Há um corpo substancial de pesquisa que indica que a esquizofrenia está associada com inibição latente baixa e também com deficits na memória de trabalho", continua o pesquisador. Para Carson, comentando o estudo de Galinsky, a pessoa criativa é capaz de permitir, temporariamente, que o excesso de distrações seja canalizado em percepção consciente, para fazer conexões entre os estímulos. "Mas a pessoa tem a capacidade de alternar entre estados do cérebro para exercitar maior controle cognitivo e realmente formular e acessar essas conexões", afirma o pesquisador.

Fonte: Ricardo Bonalume Neto/ Folha de S.Paulo

Foto: Wallis Dress to Kill/ Divulgação

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Noel Rosa maior que Heitor Villa Lobos?

No traço elegante de Carlinhos Müller, Noel Rosa dialoga, no idioma do samba, com outro gênio da MPB, Lamartine Babo
Embora um tanto timidamente, o centenário de Noel Rosa (1910-1937) vem sendo lembrado em shows, CDs, seminários e livros --como "Noel Rosa - O Poeta do Samba e da Cidade" (Casa da Palavra), de André Diniz. Mas uma das homenagens mais interessantes ficou para 2011.Trata-se de um livro organizado por Júlio Diniz, coordenador do programa de pós-graduação em letras da PUC-Rio, com artigos de diversos pesquisadores sobre o impacto de Noel na formação da música popular brasileira.

Segundo Diniz, a ideia é mostrar que a influência do compositor teve reflexo em toda a produção musical subsequente, incluindo a bossa nova e as canções de Chico Buarque, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. "Ele influenciou a música brasileira mais do que Villa-Lobos", diz. De acordo com o pesquisador, Noel é o protagonista de um movimento modernista carioca que divergiu do modernismo paulista, celebrado na Semana de Arte de 1922, e que, ao menos no âmbito musical, foi o que herança maior deixou ao país.

Diniz afirma que, enquanto os paulistas tinham um projeto para a música brasileira, que passava pelo resgate do cancioneiro popular e folclórico --e pela elevação deste através do conhecimento erudito--, os cariocas não tinham projeto, mas promoveram uma mistura muito mais horizontal do samba com a cultura burguesa.

MISTURA

"Noel foi o primeiro compositor branco e letrado a subir o morro para fazer músicas com parceiros negros. Mesmo sem estar a serviço de uma ideologia, ele inaugurou uma mistura que marcou a música brasileira daí em diante", diz. Carlos Didier, biógrafo de Noel ao lado de João Máximo, diz que ele teve 18 parceiros negros e mestiços, incluindo Ismael Silva, Cartola e Canuto.

Morto de tuberculose aos 26 anos, compôs 252 canções em oito anos de carreira e conseguiu transportar para as letras um amplo leque de temas que escapavam do tema único da malandragem. "Ele abordou assuntos como o telefone e o cinema falado, e sua produção é tão atual como a de Machado de Assis", afirma Diniz.

O pesquisador e compositor paulista Luiz Tatit concorda com a preponderância de Noel Rosa na construção da música popular brasileira. Segundo ele, Noel inaugurou a confiança no samba como uma linguagem autônoma, divergente da linha folclórica e da erudita, o que serviu de fundamento para a MPB. "Ele tinha orgulho de ser sambista, diferentemente de Ary Barroso, que, embora tenha feito sambas maravilhosos, tinha uma espécie de nostalgia de uma produção mais elevada", diz.


Fonte: Marcelo Bortoloti/ Folha de S.Paulo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Saudações tricolores


E não é que o Fluminense conseguiu? Bicampeão brasileiro, comeu a bola, distribuiu belos lances de bola parada e em movimento e levou pras Laranjeiras o Brazuca 2010. Minha raiz é rubro-negra, mas não posso me esquivar de manifestar minhas saudações tricolores aos amigos e conhecidos "tantas vezes campeões".

Não é pelo simples fato de ser campeão; o que me orgulha nesse time do Fluminense é a garra. Cara, há anos que eu não via algo parecido no futebol. Há exatamente um ano, quando o meu Mengo levantava essa mesma taça (um suspiro melancólico acaba de escapar...), o Flu lutava desesperadamente pra se livrar da Segundona, lembram? Os frios números das estatísticas davam ao tricolor só 1% (ou menos) de chance de não ser rebaixado pra Série B desse ano. E depois de não sei quantas (parece que foram 10) vitórias seguidas e uma combinação muito doida de resultados, os caras das Laranjeiras fugiram da degola.

Méritos do Cuca, o ex-treinador, e de todo o time. Mas se tem alguém que merece todas as glórias desse momento supremo é aquele argentino pequenininho, o Darío Conca. Ô baixinho bom de bola! E não é de hoje. Desde a Libertadores de 2008 que Conca vinha se destacando. Foi preciso que o marrento do Muricy Ramalho assumisse o tricolor pro Conca ganhar espaço de verdade dentro do clube. Taí o resultado.

Bem, nada disso seria possível se o clube, finalmente, não levasse a sério o planejamento. Viram quanto os caras investiram esse ano? Além do salário milionário do Fred, foram buscar o Muricy, o Deco e o Washington (quanto dá isso mensalmente?) e uma penca de outros reforços. Fecharam o grupo num objetivo, superaram tudo quanto foi adversidade e levaram a taça. Nem tudo foram flores, é claro, mas o Flu merece. Valeu Fluzão

"Sou tricolor de coração; sou do clube tantas vezes campeão"

Sérgio Augusto
Editor da Academia da Palavra